Gabriel Souza lança candidatura ao Piratini e tenta consolidar terceira via gaúcha longe da polarização nacional

Continuidade do legado de Eduardo Leite

Gabriel de Souza pré-candidato à governador que terá Ernani Polo como vice, Germano Rigotto e Frederico Antunes pré-candidatos ao Senado, e Ronaldo Caiado para a Presidência da República. (Crédito: Gustavo Mansur)

Por Edgar Lisboa

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza (MDB), lançou oficialmente neste sábado, em Porto Alegre, sua pré-candidatura ao Palácio Piratini, em uma movimentação que busca consolidar a continuidade política e administrativa do governo de Eduardo Leite (PSD). O ato reuniu mais de 7 mil pessoas, segundo os organizadores, e marcou também a formalização da aliança entre MDB e PSD para as eleições de 2026.

A chapa majoritária, batizada de “100% Rio Grande”, terá o deputado estadual Ernani Polo (PSD) como candidato a vice-governador e os ex-governador Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) como candidatos ao Senado. O projeto ainda conta com apoio de União Brasil, Federação Renovação Solidária e AGIR.

O evento, realizado próximo ao Aeroporto Salgado Filho, transformou-se em uma demonstração de força política do grupo liderado por Eduardo Leite, que tenta apresentar ao eleitorado gaúcho uma alternativa distante da radicalização ideológica que domina o debate nacional.

CAIADO ENTRA NO PALANQUE GAÚCHO

A presença do pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, deu peso nacional ao lançamento. Escolhido pelo PSD para disputar o Palácio do Planalto, Caiado reforçou o discurso de parceria entre União e estados e fez uma defesa enfática do nome de Gabriel Souza.

“O futuro governador do Rio Grande do Sul está aqui. Gabriel reúne preparo, experiência e integridade, construiu sua trajetória na vida pública com trabalho e seriedade e conhece profundamente os desafios do Estado”, afirmou.

A participação de Caiado também simboliza um movimento importante dentro do PSD. Depois de o partido optar pelo governador goiano como presidenciável, em detrimento do próprio Eduardo Leite, a aproximação pública entre ambos indica tentativa de pacificação interna e alinhamento estratégico para 2026.

Na sexta-feira, Caiado já havia cumprido agenda em Caxias do Sul, onde se reuniu com lideranças empresariais e representantes do setor produtivo antes de retornar à capital gaúcha para um jantar político com aliados.

DISCURSO CONTRA A POLARIZAÇÃO

O tom predominante do lançamento foi o de defesa de uma candidatura focada nos interesses do Rio Grande do Sul e distante da disputa ideológica nacional. O próprio jingle apresentado no evento traduz a estratégia política do grupo.

“A gauchada tá unida pro Rio Grande acontecer. Não temos presidente de estimação. Nossa alma é o Rio Grande e o gaúcho é o patrão”, diz um dos trechos da música, em uma crítica indireta à polarização entre lulismo e bolsonarismo.

Gabriel Souza reforçou esse posicionamento ao afirmar que a chapa não nasce em torno de nomes, mas de um projeto administrativo.

“É um projeto que acredita na responsabilidade com as contas públicas, na liberdade para produzir, no cuidado com as pessoas e na preparação do Estado para os desafios do futuro. O Rio Grande voltou a ter rumo e capacidade de realizar. Agora queremos seguir evoluindo, com diálogo, experiência e os pés no chão”, declarou.

Na mesma linha, Eduardo Leite afirmou que o grupo não foi formado para servir de “extensão de disputa presidencial”.

“É uma candidatura que nasce dos interesses dos gaúchos, comprometida com a continuidade das transformações”, destacou o governador.

ALIANÇA BUSCA FORÇA NO INTERIOR

O lançamento também evidenciou a tentativa de interiorização da campanha. Frederico Antunes destacou a presença de caravanas de várias regiões do Estado, especialmente da Fronteira Oeste. Ele é de Uruguiana.

“É um projeto que já transformou para melhor nosso Estado. A presença de pelo menos 500 pessoas da Fronteira demonstra que essa mobilização é de todas as regiões”, afirmou.

Já Ernani Polo enfatizou o caráter suprapartidário da construção política.“Todos os dias recebo manifestações de lideranças de outros partidos dizendo que estão conosco nesta caminhada, pelo que o governo fez e pelo que ainda queremos fazer”, declarou.

RIGOTTO RESGATA PAUTA HISTÓRICA DO RS

Ex-governador do Estado, Germano Rigotto aproveitou o lançamento para recolocar em pauta temas históricos da política gaúcha, como a rediscussão da dívida do Estado com a União, os impactos da reforma tributária e políticas voltadas à juventude e às mulheres.

A presença de Rigotto também ajuda a reforçar o discurso de experiência administrativa da chapa e amplia o peso político do MDB no projeto eleitoral. Rigotto já foi deputado federal, Ministro de Estado e governador, com vasta experiência administrativa e parlamentar.

ELEIÇÃO COMEÇA A GANHAR DESENHO

Com o lançamento da pré-candidatura de Gabriel Souza, o cenário eleitoral gaúcho começa a ganhar contornos mais claros. A estratégia da aliança MDB-PSD será tentar herdar o capital político do governo Eduardo Leite, mantendo o discurso de equilíbrio fiscal, modernização administrativa e afastamento da polarização nacional.

Ao mesmo tempo, o grupo aposta na força regional e na união de diferentes correntes políticas para construir um palanque competitivo em um Estado historicamente marcado por disputas intensas e eleitorados divididos.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa