Afonso Hamm (crédito: Thiago Cristino/ Câmara dos Deputados)
O avanço da crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o caso Banco Master começa a provocar os primeiros sinais públicos de desconforto dentro do próprio campo da direita. E o recado mais duro veio justamente de um aliado histórico.
Flávio tem que se explicar
O deputado federal Afonso Hamm, vice-presidente do Progressistas no Rio Grande do Sul, decidiu abandonar o discurso automático de blindagem política e falou aquilo que muitos aliados ainda tentam evitar nos bastidores: “Flávio tem que explicar, convencer e provar”.
Aliança conservadora
A declaração não é pequena. Vem de um parlamentar experiente, de perfil moderado, ligado diretamente à construção da aliança conservadora gaúcha para 2026. E talvez o ponto mais relevante seja exatamente esse: Hamm não rompeu, mas também não passou pano.
Sem cheque em branco
Na prática, o Progressistas gaúcho começa a desenhar uma linha que pode virar tendência dentro da centro-direita: apoio político não será mais um cheque em branco.
Projeto eleitoral segue de pé
O deputado deixou claro que o projeto eleitoral do campo conservador no Rio Grande do Sul segue de pé, com o deputado Luciano Zucco (PL) como nome ao governo estadual, acompanhado de Silvana Covatti (PP) na vice. Também reafirmou apoio às pré-candidaturas ao Senado de Marcel Van Hattem (Novo/RS) e Ubiratan Sanderson (PL/RS).
Reflexos eleitorais
Mas o centro da entrevista à coluna Repórter Brasília, acabou sendo outro: o temor de que a crise nacional contaminasse o palanque gaúcho. Hamm foi direto ao admitir que o caso “atrapalha” e pode ter reflexos eleitorais. Em Brasília, poucos aliados bolsonaristas falam isso publicamente. A maioria ainda aposta na estratégia tradicional de confronto contra adversários e denúncia de perseguição política.
Eleitorado conservador
O problema é que denúncias financeiras e suspeitas envolvendo dinheiro costumam produzir desgaste diferente dentro do eleitorado conservador, especialmente entre setores do agro, empresariado e classe média que sustentam o discurso de ética e combate à corrupção. Ao defender que “ética vale para a esquerda e para a direita”, Afonso Hamm toca justamente no ponto mais sensível da direita brasileira hoje: o risco de repetir os mesmos vícios que durante anos serviram de combustível contra o PT.
Alternativas ao plano “A”
Outro detalhe chama atenção. Pela primeira vez, um dirigente importante do PP admite publicamente alternativas ao chamado “plano A” bolsonarista. Hamm citou os governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado como possibilidades caso a situação de Flávio Bolsonaro se agrave. Traduzindo do politiquês: a direita já começa a discutir sucessão antes mesmo da campanha começar oficialmente.
Manter a força eleitoral, mas…
O cenário ainda está longe de uma ruptura. Mas a entrevista revela um movimento importante nos bastidores: a direita quer manter a força eleitoral de Bolsonaro, mas não parece mais disposta a comprar qualquer crise sem exigir explicações convincentes.
E isso muda muita coisa.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa