
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ganhar fôlego nas pesquisas eleitorais e reduziu a vantagem do senador Flávio Bolsonaro em um dos cenários mais observados para 2026. Numericamente à frente, Lula aparece agora com 42% das intenções de voto contra 41% de Flávio. No levantamento realizado em abril, o senador tinha 42% contra 40% do petista.
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois permanecem tecnicamente empatados. Ainda assim, o movimento é visto por analistas como um sinal de recuperação gradual do governo em segmentos importantes do eleitorado, especialmente entre os independentes.
A melhora ocorre em meio ao lançamento de medidas populares, como o novo programa de renegociação de dívidas, a ampliação das faixas do Minha Casa, Minha Vida e também após o encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, episódio que teve repercussão positiva para parte do eleitorado.
Nos demais cenários de segundo turno pesquisados, Lula mantém vantagem sobre os adversários. Contra Romeu Zema, o presidente aparece com 44% contra 37%. Já diante de Ronaldo Caiado, Lula registra 44% contra 35%.
No cenário de primeiro turno, com todos os nomes testados, o presidente também apresentou leve avanço. Lula saiu de 37% em abril para 39% em maio. Flávio Bolsonaro passou de 32% para 33%, enquanto Caiado e Zema aparecem com 4% cada.
A avaliação geral do governo também melhorou, embora o cenário ainda permaneça dividido. Hoje, 49% desaprovam o governo Lula e 46% aprovam. No mês anterior, a desaprovação chegava a 52%, enquanto a aprovação era de 43%. A diferença, agora de apenas três pontos percentuais, é a menor desde fevereiro.
A recuperação foi percebida principalmente entre eleitores de 35 a 59 anos, mulheres e, sobretudo, entre os chamados eleitores independentes. Nesse grupo, a aprovação do presidente subiu de 32% para 37%, enquanto a desaprovação caiu de 58% para 52%.
Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília, esse eleitorado tende a ser decisivo na disputa presidencial.
“Historicamente, eleições polarizadas no Brasil acabam sendo decididas não pelo núcleo duro do lulismo ou do bolsonarismo, mas pelo eleitor menos ideológico, mais pragmático e sensível ao ambiente econômico. Lula melhora entre os independentes, mas esse é um eleitor extremamente volátil, que muda rapidamente conforme inflação, emprego e percepção econômica”, avaliou.
A pesquisa mostrou ainda um aumento no percentual dos eleitores que afirmam ter voto consolidado. O índice subiu de 57% para 63%. Outros 37% disseram que ainda podem mudar de posição até a eleição.
O levantamento também mediu a percepção do eleitorado sobre o encontro entre Lula e Donald Trump. Para 43% dos entrevistados, o presidente brasileiro saiu politicamente mais forte da reunião. Outros 26% consideraram que ele saiu mais fraco.
Já em relação ao caso envolvendo o Banco Master, 46% avaliam que o episódio afeta negativamente todos os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Apesar da repercussão política, 54% dos entrevistados disseram desconhecer as investigações envolvendo o senador Ciro Nogueira.
A pesquisa também apontou baixo conhecimento popular sobre a derrota do governo na indicação de Jorge Messias ao STF. Segundo o levantamento, 61% afirmaram não ter acompanhado ou sequer tomado conhecimento da rejeição do nome indicado pelo presidente.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa