Guerra política no plenário transforma sessão da Câmara em arena de acusações sobre Banco Master e Flávio Bolsonaro

Paulo Pimenta e Sóstenes Cavalcante

Pimenta eleva tom, oposição reage e sessão termina em confronto verbal liderado por Sóstenes Cavalcante

Por Edgar Lisboa

A sessão da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (13), transformou-se em um dos debates mais explosivos e politizados do ano no Congresso Nacional. O plenário virou palco de acusações gravíssimas, ameaças de investigação, pedidos de bloqueio de bens, defesa pública de aliados, ataques ao governo Lula e cobranças pela instalação da CPI do Banco Master.

No centro do embate estiveram o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT), e o líder do PL, Sóstenes Cavalcante. O episódio elevou ainda mais a temperatura política em um ambiente já contaminado pela pré-campanha presidencial de 2026.

O tom foi de confronto aberto. De um lado, governistas tentando associar o entorno do senador Flávio Bolsonaro ao escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Do outro, parlamentares da oposição acusando o governo de criar uma “cortina de fumaça” para desviar atenção das investigações sobre fraudes no INSS e denúncias envolvendo o governo federal.

O debate expôs, mais uma vez, um Congresso dividido em trincheiras políticas, onde cada denúncia rapidamente se transforma em munição eleitoral.

Paulo Pimenta acusa e pede bloqueio de bens

O pronunciamento mais duro partiu de Paulo Pimenta. Da tribuna, o líder do governo reafirmou acusações feitas no dia anterior e ampliou o ataque ao clã Bolsonaro, relacionando depósitos, financiamento de filme, consignados e recursos enviados aos Estados Unidos.

“Para limpar toda essa sujeira, não tem Ypê suficiente”, disparou Pimenta, ao afirmar que documentos mostrariam relações entre integrantes da família Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O deputado citou depósitos em campanhas eleitorais, movimentações financeiras internacionais e defendeu medidas imediatas.

Pimenta anunciou que o governo pretende formalizar pedidos ao Ministério Público Federal, Polícia Federal e ao ministro André Mendonça para bloquear R$ 65 milhões, além de solicitar bloqueio de imóveis ligados à família Bolsonaro. Também pediu o uso de tornozeleira eletrônica para Flávio Bolsonaro, alegando “risco real de fuga”.

O discurso elevou o nível do confronto político e produziu reação imediata da oposição.

Sóstenes reage e acusa PT de usar “lama política”

Na resposta mais contundente da oposição, Sóstenes Cavalcante classificou as acusações como uma tentativa desesperada do PT de destruir adversários políticos.

“Mais uma vez a montanha pariu um rato”, afirmou o líder do PL. Segundo ele, o PT tenta “enlamear os outros com a lama que é deles”. Sóstenes também associou o governo às denúncias de fraudes contra aposentados e ataques ao sistema previdenciário.

O parlamentar sustentou que o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro ocorreu por meio de “dinheiro privado para um filme privado”, sem ilegalidade. Também afirmou que Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas e que isso estaria motivando os ataques do governo.

Sóstenes ainda usou a tribuna para mencionar reportagens envolvendo investigações sobre Luís Cláudio Lula da Silva, o “Lulinha”, afirmando que novas operações poderiam atingir pessoas próximas ao presidente Lula.

O discurso terminou em tom de campanha eleitoral. “Flávio Bolsonaro será nosso presidente a partir do próximo ano”, afirmou.

Otoni de Paula rompe com bolsonarismo

Entre os discursos mais duros da noite esteve o do deputado Otoni de Paula (PSD-RJ). Em fala explosiva, ele afirmou que o episódio seria “um tapa na cara da direita brasileira”.

Otoni acusou diretamente Flávio Bolsonaro de tentar usar o filme sobre Jair Bolsonaro para “lavar dinheiro” e diferenciou direita de bolsonarismo.

“Direita é direita. Bolsonarismo é isso que estamos vendo”, afirmou.

A fala provocou forte reação de parlamentares bolsonaristas e aprofundou o racha interno no campo conservador.

Chinaglia cobra CPI e pressiona Senado

O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) afirmou que o PT apoia investigações, mas criticou a condução de setores bolsonaristas na tentativa de instalar uma CPMI.

Segundo Chinaglia, o PT assinou pedidos alternativos de CPI e agora desafia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a colocar a investigação em pauta.

“Estamos ouvindo o barulho de algumas portas de cela se abrindo”, afirmou.

Heloísa Helena critica “moralismo farisaico”

A deputada Heloísa Helena (Podemos-RJ) tentou adotar posição intermediária e criticou tanto governistas quanto oposicionistas.

Ela acusou parlamentares de praticarem “moralismo farisaico” e afirmou que todos os envolvidos devem ser investigados, sejam ligados ao bolsonarismo ou ao governo Lula.

“Quem for, todo ele que se quebre”, declarou.

Oposição insiste em CPI do Banco Master

O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que a oposição sempre defendeu a CPMI do Banco Master e acusou o governo de tentar inverter a narrativa política.

O deputado Dr. Frederico (PRD-MG) também saiu em defesa de Flávio Bolsonaro e classificou a crise como oportunidade para finalmente abrir a CPI. Segundo ele, o episódio revela a guerra política e cultural que domina o país.

Flávio confirma cobrança por filme e nega irregularidades

No meio do turbilhão político, Flávio Bolsonaro divulgou nota confirmando que procurou Daniel Vorcaro para obter patrocínio privado para um filme sobre Jair Bolsonaro. O senador negou qualquer troca de favores ou irregularidade.

Segundo Flávio, o contato ocorreu em 2024, antes das suspeitas públicas sobre o banqueiro. O senador afirmou ainda que apenas cobrou parcelas atrasadas para concluir a produção audiovisual.

Ao mesmo tempo, reforçou a defesa da instalação da CPI do Banco Master.

Congresso definitivamente em clima de eleição

A sessão desta quarta-feira mostrou que Brasília já entrou oficialmente em modo eleitoral. O debate deixou de ser apenas jurídico ou financeiro e passou a ser tratado como batalha política de sobrevivência.

As falas revelaram um ambiente de radicalização crescente, onde denúncias, vazamentos, investigações e CPIs passam a funcionar como armas eleitorais.

O Congresso virou extensão antecipada da disputa presidencial de 2026 e o episódio envolvendo Banco Master, Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e o governo Lula tende a permanecer no centro da guerra política nos próximos meses.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa