Reciclagem ganha força no Congresso e aponta potencial bilionário para o Brasil

Audiência pública reforça avanço da lei de incentivo e mobiliza setor produtivo

Por Edgar Lisboa

A audiência pública realizada no Congresso Nacional consolidou um diagnóstico positivo sobre o avanço da reciclagem no Brasil. No centro do debate esteve o deputado federal Carlos Gomes (Republicanos-RS), autor da lei de incentivo à reciclagem, que apresentou números expressivos e defendeu o fortalecimento da economia circular como eixo estratégico para o país.

Segundo o parlamentar, a legislação já demonstra resultados concretos. “A lei de incentivo à reciclagem é um sucesso hoje, com mais de 2 bilhões de propostas cadastradas no Ministério do Meio Ambiente e com mais de 600 milhões de projetos já aprovados”, afirmou. Os dados indicam um avanço consistente na estruturação da cadeia produtiva do setor.

Salto na reciclabilidade e impacto social

Carlos Gomes (Foto: Vinicius Loures/ Cãmara dos Deputados)

Outro ponto destacado foi o crescimento do índice de reciclabilidade no Brasil, que saltou de 3% para 9%. Para Carlos Gomes, esse avanço representa mais do que um dado técnico. “Tudo aquilo que poderia estar indo para o lixo está voltando para ciclos produtivos, gerando emprego, gerando renda”, disse.

O impacto social também foi enfatizado. O deputado lembrou que mais de um milhão de famílias brasileiras dependem diretamente da reciclagem para sobreviver. Ex-catador, ele reforçou o caráter pessoal da pauta: “Me sinto feliz de ser autor desta lei e poder ajudar essas famílias”.

Além da geração de renda, o parlamentar destacou os benefícios ambientais e de saúde pública. A retirada de resíduos dos aterros reduz contaminações e doenças, ao mesmo tempo em que reintegra materiais ao ciclo econômico.

Potencial econômico e comparação internacional

Carlos Gomes projetou um cenário ambicioso para o Brasil. Segundo ele, a cadeia da reciclagem pode movimentar entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões por ano no país. Para ilustrar esse potencial, citou o exemplo da Alemanha, onde a reciclagem já figura como a quarta maior atividade econômica, movimentando mais de 70 bilhões de euros anuais.

A experiência internacional reforça que políticas públicas bem estruturadas, aliadas a incentivos econômicos, podem transformar resíduos em riqueza. Países europeus, como Alemanha e Holanda, além do Japão, são frequentemente citados como referências em logística reversa, reaproveitamento de materiais e inovação ambiental.

Apoio amplo e convergência política

Plenário lotado, com lideranças do setor dos diversos Estados brasileiros

A audiência também evidenciou um raro consenso político em torno do tema. “Não existe oposição para quem quer reciclar”, afirmou o deputado. Segundo ele, a pauta une diferentes setores e correntes ideológicas.

Entre os apoiadores, esteve a ex-ministra do Meio Ambiente e atual deputada federal Marina Silva, além de representantes da indústria do plástico, do alumínio e de diversas entidades ligadas à economia circular.

Para Carlos Gomes, esse alinhamento é estratégico. “A reciclagem é um instrumento financeiro e econômico que irá alavancar esse setor no país”, disse. Ele destacou ainda que o reaproveitamento de matéria-prima reduz a pressão sobre os recursos naturais e amplia a geração de riqueza.

Caminho para o Brasil

O avanço da reciclagem no Brasil aponta para um novo modelo de desenvolvimento, baseado na sustentabilidade e na eficiência econômica. A audiência pública deixou claro que o país ainda está distante dos índices internacionais, mas já demonstra evolução consistente.

Com base nos números apresentados e no apoio político consolidado, a expectativa é de expansão acelerada do setor nos próximos anos. Se confirmadas as projeções, a reciclagem pode deixar de ser apenas uma política ambiental e se consolidar como um dos pilares da economia brasileira.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa