Sabatina de Jorge Messias sob tensão máxima

Jorge Messias (Crédito: Marcelo Camargo, Agência Brasil)
Nesta semana mais curta, no Senado, o foco se concentra na sabatina de Jorge Messias. Nos bastidores, a movimentação é intensa, e há quem diga que nunca houve pressão tão grande nesse tipo de articulação. Mesmo senadores que já manifestaram voto contrário ao indicado do presidente Lula para o STF seguem sendo instados a recebê-lo, em uma tentativa clara de reverter resistências.

Campanha do astronauta

Marcos Pontes, senador São Paulo | Foto: Alan Santos/PR

Ganha força também a campanha puxada pelo senador Astronauta Marcos Pontes, que orienta uma estratégia silenciosa: registrar presença, mas não comparecer ao plenário no momento da votação. No painel do Senado, o código é claro, quem vota aparece em amarelo; quem apenas registra presença e se abstém fica em branco. Na prática, o branco passou a ter um significado político próprio: indica que o senador esteve presente, mas optou por não votar. É, segundo essa leitura, a única forma de sinalizar um “não” no painel mesmo diante de votação secreta.

Semana curta, pressões se acumulam
A semana encurtada por feriado, no Congresso repete um roteiro já conhecido em Brasília: plenários esvaziados, votações adiadas e uma agenda oficial que pouco reflete a pressão real que se acumula nos bastidores. Na prática, é uma semana de manutenção, e não de decisões.

Comissão Especial 6×1 entra no radar

Luiz Carlos Busato (Crédito: Pablo Valadares, Câmara dos Deputados)
Na avaliação do deputado Luiz Carlos Busato (União-RS), pouca coisa deve acontecer no Congresso nesta semana. Ainda assim, a Câmara deve avançar na instalação da Comissão Especial da PEC 6×1, que trata da jornada de trabalho, com definição de presidente e relator. Outro ponto possível é a votação do veto da dosimetria. O restante tende a ficar para depois.

Debate sem decisão
O que se vê é uma movimentação concentrada em audiências públicas, debates técnicos e sessões solenes. A segurança pública segue no radar, com discussões envolvendo a Polícia Federal e propostas de ampliação da participação feminina nas forças de segurança.

Pautas pesadas ficam na fila
Os temas mais relevantes foram empurrados para a próxima semana. Além da proposta que trata do fim da escala de trabalho 6×1, que ganhou forte apelo popular e pressão política. Também ficam travados projetos econômicos, votações mais sensíveis e matérias com impacto fiscal.

Clima eleitoral contamina decisões
Nos bastidores, o avanço do clima eleitoral já influencia o comportamento dos parlamentares. Mesmo antes da largada oficial de 2026, posições começam a ser calibradas com foco nas urnas. Cada pauta passa a ser medida não apenas pelo mérito, mas pelo custo político.

Isso ajuda a explicar a cautela das lideranças. Ninguém quer assumir riscos em votações polêmicas sem garantia de apoio.

Fila cresce e pressão aumenta
O adiamento tem efeito colateral claro: a fila cresce. Segurança pública, jornada de trabalho, reformas e acordos internacionais seguem represados. Quanto mais se empurra, maior será o custo político de enfrentar esses temas adiante. O Congresso opera em ritmo de espera, mas com uma pressão que só aumenta.

A próxima semana será decisiva
A leitura é direta: o que não anda agora tende a avançar com força na próxima semana. E, aí, não haverá mais espaço para evitar o confronto político.

O feriado não resolve — apenas adia. E em Brasília, adiar quase nunca significa aliviar. Na maioria das vezes, significa tornar o embate ainda mais inevitável.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa