
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, propõe endurecer Código Penal e reacende debate sobre reforma do Judiciário. Ele defende ampliar o rigor no combate à corrupção dentro do sistema de Justiça. A proposta surge em meio à pressão por maior controle institucional e ao aumento de casos envolvendo estruturas complexas de desvio e lavagem de dinheiro. Já o deputado federal Osmar Terra (PL-RS) advoga uma reforma mais ampla do judiciário.
Empreendedores forenses
Segundo Flávio Dino, embora a maioria dos operadores do Direito atue com integridade, há um crescimento de irregularidades praticadas por agentes que ele classificou como “empreendedores forenses”. Para o ministro, os mecanismos atuais, baseados em códigos de ética, já não são suficientes para conter esse tipo de prática.
Punição mais dura e efeito preventivo

A proposta prevê o aumento de penas para crimes como corrupção, peculato e tráfico de influência quando cometidos por juízes, promotores, advogados e servidores. A ideia, segundo Dino, é fortalecer tanto o caráter repressivo quanto o preventivo das punições, diante do que chamou de risco de “justicídio”, quando o próprio sistema de Justiça se torna alvo de distorções.
Afastamento de agentes denunciados
Outro ponto central é o afastamento imediato de agentes denunciados, assim que a acusação for aceita pela Justiça. Em caso de condenação definitiva, haveria perda automática do cargo público ou da inscrição profissional.
Obstrução sob novo enquadramento
A terceira frente da proposta amplia a tipificação penal para punir qualquer tentativa de obstrução de investigações, mesmo fora do contexto de crime organizado. Para Dino, a interferência em apurações representa ameaça grave ao funcionamento do Estado de Direito e precisa ser tratada com maior rigor.
Críticas e pressão por reforma estrutural

A reação no Congresso já começou. O deputado federal Osmar Terra questiona a necessidade de mudanças pontuais no Código Penal sem uma reforma mais ampla do Judiciário.
Para o parlamentar, a Constituição já estabelece critérios suficientes para o exercício da função, como “notável saber jurídico e conduta ilibada”. Na avaliação dele, o problema estaria menos na legislação e mais na forma como o sistema vem operando.
Mais isenção e regras claras
Osmar Terra defende alterações estruturais, como a criação de mandatos para ministros do Supremo, maior exigência de experiência na carreira jurídica e limites à atuação política da Corte. “O Judiciário não pode continuar como está. É preciso garantir mais isenção e regras claras”, afirmou.
Entre o rigor penal e a reforma institucional
O debate evidencia dois caminhos distintos: de um lado, o endurecimento das leis para coibir desvios dentro do sistema; de outro, a pressão por mudanças mais profundas na estrutura e no funcionamento do Judiciário.
A discussão, que deve avançar no Congresso, coloca em pauta não apenas o combate à corrupção, mas também o equilíbrio entre os Poderes e os limites de atuação das instituições.
Tendências e reações (Pesquisa)
Até o momento, não há um posicionamento público amplo, consolidado e homogêneo da bancada do Rio Grande do Sul especificamente sobre a proposta do ministro Flávio Dino de endurecer o Código Penal para punir corrupção no sistema de Justiça. O tema é recente e ainda está em fase de repercussão política.
Mas é possível mapear tendências e reações por perfil político, com base em declarações anteriores, comportamento parlamentar e contexto atual.
O que defende Flávio Dino
O ministro propõe:
- aumento de penas para corrupção dentro do Judiciário;
- afastamento imediato de funções após denúncia;
- punição para interferência em investigações.
A iniciativa surge em meio à crise do caso Escândalo do Banco Master, que levantou suspeitas de relações entre empresários e autoridades públicas.
Bancada do Rio Grande do Sul
Oposição (PL, Novo e aliados)
Parlamentares gaúchos de oposição tendem a:
- defender punição rigorosa, mas
- questionar a legitimidade do STF conduzir esse debate
Exemplo de linha:
- O deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) tem histórico de apoio a endurecimento penal e combate à corrupção.
- Já o deputado Maurício Marcon (PL-RS) fez críticas anteriores a Flávio Dino em outros episódios políticos, indicando postura de desconfiança institucional.
Tendência: apoio ao endurecimento da lei, mas com discurso de crítica ao STF e defesa de investigação mais ampla do próprio Judiciário.
Base governista e centro-esquerda (PT, PDT, PSB)
Deputados e senadores desse grupo tendem a:
- ver a proposta como necessária para fortalecer instituições
- reforçar o combate à corrupção sem fragilizar o Judiciário
- Parlamentares como Bohn Gass (PT-RS) costumam defender avanços institucionais com foco em justiça social e fortalecimento do Estado.
Tendência: apoio ao endurecimento penal, com ênfase em equilíbrio institucional e cautela contra “excessos punitivistas”.
Centro e independentes (MDB, PSD, PP)
Esse grupo costuma:
- adotar postura mais pragmática;
- avaliar impacto político e institucional da proposta.
Tendência:
- apoio parcial à revisão do Código Penal;
- defesa de debate no Congresso, não apenas no Judiciário;
- preocupação com segurança jurídica e estabilidade institucional.
Leitura geral da bancada do RS
- Convergência
- Há consenso político de que corrupção no sistema de Justiça precisa ser combatida com mais rigor.
- Divergência
- O principal ponto de disputa não é o conteúdo, mas:
- quem conduz a mudança (STF x Congresso)
- até que ponto endurecer penas resolve o problema
- Impacto do caso Banco Master
- O escândalo elevou a pressão por respostas rápidas.
- Também ampliou o discurso de:crise institucional
- necessidade de controle sobre o Judiciário
Expectativa política
- O tema migra rapidamente para o Congresso.
- Bancada gaúcha tende a se dividir conforme:
- alinhamento ideológico
- relação com o governo
- posicionamento frente ao STF
Em síntese:
há apoio difuso ao endurecimento contra corrupção, mas forte disputa política sobre os limites e o protagonismo do Judiciário nessa agenda.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa