O que é um sistema político? (Nilso Romeu Sguarezi)

Nilso Romeu Sguarezi/Divulgação

Em conversas e opiniões políticas, aqui no Brasil, a maioria afirma que: “O sistema é o responsável pela tragédia brasileira deste impagável endividamento público de quase 10 trilhões de dólares. Atribuiu-se também ao sistema termos esta persistente inflação e juros escorchantes, bem como pela crescente infiltração do crime organizado nas instituições públicas e da falta de segurança jurídica que mantém esta rica nação no crônico subdesenvolvimento. Também responsabilizam os despreparados governantes pelos maus exemplos e constantes escândalos de corrupção. Longe de pretender ensinar o padre a rezar missa, como fazem muitos destes “tais cientistas políticos” da inteligência artificial, mas na prática e rotina da política, às vezes nem sabem fazer a distinção entre SISTEMA  e REGIME político.

Um sistema político é o conjunto de instituições, regras, métodos, processos e ideologias que organizam o exercício do poder numa determinada sociedade que domina um território e assim existe um ESTADO CONSTITUÍDO com suas regras para tomar as decisões governamentais e estabelecer a imprescindível relação entre os governantes e governados.

 Nas democracias o POVO É O SOBERANO DO PODER DE GOVERNAR E ADMINISTRAR A SUA ECONOMIAatravés de eleições diretas e secretas com fiscalização e meios de conferência dos votos. Podendo o voto ser obrigatório ou não. Livremente seus habitantes escolhem seus governantes para EXERCEREM O PODER COM RESPONSABILIDADE, e OBRIGAÇÃO DE PRESTAREM CONTAS DOS SEUS ATOS AOS GOVERNADOS que em qualquer sistema ou regime sempre são os que pagam os impostos e os salários dos governantes.

Já no REGIME TOTALITARISTA, é um único indivíduo e um único partido, que utiliza todos os meios de intimidação para controlar os governados com sua polícia políticaNestes existe a censura que impede a livre manifestação do pensamento, como atualmente é em Cuba, China, Rússia, Coreia do Norte e como foi no passado com o nazismo na Alemanha de Hitler, o fascismo de Mussolini na Itália.

AUTORITARISMOpor sua vez, até admite outros partidos, mas isso não impede que haja perseguição ideológica, pois o AUTORITARISMO É ANTIDEMOCRÁTICO e usa a censura e a propaganda institucional para se manter.  Infelizmente é no que virou o nosso atual sistema presidencialista, cuja propaganda canta em prosa e verso ter salvado a democracia.

Cumpriu-se assim, a velha máxima que ensina: as instituições serão o que forem seus dirigentes como podemos ver e constatar que neste sistema de governo, o que vem acontecendo com o mando e desmando do STF, pelo incabível e despótico poder dos presidentes da Câmara e do Senado que pautam o que querem e engavetam o que não querem. Já no Poder Executivo, os abusos de poder são incontáveis, pois gasta mais do que arrecada e omite-se de prestar serviços e intervenções imprescindíveis para o bem-estar da sociedade e da própria administração pública.

Basta um só exemplo para mostrar o autoritarismo irresponsável deste governo federal, citando aquela tragédia anunciada pela queda da ponte Juscelino Kubistchek de Oliveira, no Rio Tocantins, na BR-226, construída 50 anos atrás para ligar os estados de Tocantins e Maranhão. Era público e notório a existência de laudo do DNITmais de 2 anos, pela urgência para serem feitas as obras de recuperação da ponte, mas isso foi totalmente ignorado.

Fotografia publicada no METRÓPOLE em 20/02/2026 11:41.

Aquela tragédia anunciada custou a vida de 14 pessoas, além de 3 desaparecidos e vultosos prejuízos para a economia regional, além da poluição das águas do Rio Tocantins pelos 4 caminhões carregados com agrotóxico e ácido sulfúrico que transportavam no momento da queda, além de 6 carros de passeio e 2 motos. A construção da nova ponte, feita sem licitação, custou mais de R$170 milhões aos cofres da União com suspeitas de superfaturamento. https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-12/dnit-abre-sindicancia-sobre-desabamento-de-ponte-entre-ma-e

 Com 630m de extensão e 19m de largura e apenas duas pistas, foi construída ao lado a nova ponteExemplo contrário desta irresponsabilidade omissão do autoritarismo do governo federal  que deixou a ponte cair, cito um só exemplo quando o sistema de governo é realmente democrático. Com o devido e fundamental planejamento, no mesmo tempo da reconstrução da ponte do Rio Tocantins, uma licitação aqui no litoral do Paraná, entre os municípios de Guaratuba e Matinhos, o Governo do Estado,  com recursos próprios construiu a tão sonhada ponte de 1.244 metros de extensão, 22,60m de largura, quatro pistas, ciclovia e passeios para pedestres, iluminação viária, com altura equivalente a um prédio de quase 40 andares, para permitir a navegação de veleiros e iates de grande porte incentivando o turismo marítimo e internacional. Será entregue ao trafego em 29/04/2026.

Fotografias, “beijo dos arcos” e obras da Ponte de Guaratuba -Divulgação Prefeitura Municipal de Guaratuba.

Nos sistemas democráticos, todas as realizações, serviços e obras, o sucesso não pertence apenas aos governantes, mas à sociedade que é quem paga.

Lembremo-nos de que os governos serão o que forem os seus dirigentes porquanto na FALTA DE MORALIDADE PÚBLICA, governantes despreparados, incompetentes, demagogos, mentirosos, populistas e corruptos é que tem permitido este lastimável estado de coisas absurdas. Quando os exemplos vêm de cima, é que o crime organizado aumenta, como o maior roubo da história brasileira que acontece na roubalheira dos aposentados do INSS, sem falar no golpe bilionário do Banco Master, envolvendo figuras dos poderes.

Restaurar a moralidade pública depende da educação, mas também ela, com semianalfabetos no comando, acabou indo pro ralo. A esperança ainda está na escolha de bons governantes, que tenham um passado limpo e mostra de que suas formações acadêmicas e grau de conhecimentos, para que possam retomar o rumo da educação e moralidade, para sermos dignos deste território dadivoso com que a natureza nos presenteou.

NILSO ROMEU SGUAREZI – advogado, ex-deputado federal constituinte de 1988, defensor e proponente da tese da CONSTITUINTE EXCLUSIVA, para que em eleição pelo VOTO DISTRITAL e sem financiamento público sejam eleitos CONSTITUINTES sem a obrigatoriedade de filiação partidária para escreverem a NOVA CONSTITUIÇÃO a ser posteriormente submetida a REFERENDO POPULAR.