Congresso Nacional (CNN)
Com pauta social avançando e temas estruturais travados, Brasília entra na corrida contra o calendário eleitoral. O Congresso Nacional entrou no modo sobrevivência política em 2026: votar o que rende voto agora e empurrar o que dá desgaste para depois das eleições, quando, na prática, nada mais anda.
Só temas de consenso
Na Câmara dos Deputados, a pauta da semana mostra essa escolha. Projetos de apelo social, proteção às mulheres, combate à violência e regulamentações pontuais, avançam com rapidez. São temas de consenso, baixo custo político e alto retorno eleitoral.
Evitar confronto
Mas o que realmente pesa segue travado. Nos bastidores, deputados admitem que a orientação é evitar confronto. “Ninguém quer desgaste a seis meses da eleição”, resume um parlamentar gaúcho. A estratégia atinge tanto a base quanto a oposição.
Enquanto isso, a fila cresce: 73 vetos presidenciais aguardando análise e mais de 20 medidas provisórias paradas. Um congestionamento que expõe não apenas lentidão, mas a fragilidade da articulação política do governo.
Jornada de trabalho
No eixo econômico, pouco avança. A redução da jornada de trabalho, defendida por Paulo Paim (PT), segue sem consenso. Já Luis Carlos Heinze (PP) pressiona por pautas do agronegócio, enquanto o deputado Pompeo de Mattos (PDT), insiste em projetos de forte apelo social.
Agenda de conveniência
Na oposição, Marcel van Hattem (Novo) critica o que chama de “agenda de conveniência”, e Bohn Gass reconhece, nos bastidores, que a base não consegue unificar prioridades. O pano de fundo é claro: o calendário. Com eleições em outubro, o Congresso trabalha com prazo de validade. Até junho ou, no máximo, julho, ainda há espaço para votações relevantes. Depois disso, o plenário esvazia e a política migra para os palanques.
Governo corre atrás
O Governo, sem maioria sólida, depende de negociações caso a caso, liberando recursos e cedendo espaço político. Ainda assim, não consegue impor sua agenda econômica como prioridade. O resultado é um Parlamento voltado para temas de segurança pública, costumes e pautas de impacto imediato, enquanto reformas estruturais ficam em segundo plano
Alerta ao setor de reciclagem

O deputado federal Carlos Gomes (Republicanos/RS) alerta para os riscos que a redução de incentivos à indústria de reciclagem pode trazer à cadeia produtiva do setor. Segundo ele, a medida pode afetar diretamente cooperativas e milhares de trabalhadores que dependem da atividade como fonte de renda.
Risco de queda na demanda
O parlamentar destacou que a falta de estímulos pode levar a indústria a substituir o uso de materiais recicláveis por matérias-primas virgens, reduzindo a demanda pelos produtos coletados pelas cooperativas.
Defesa de ajustes na reforma
Carlos Gomes defende que a regulamentação da reforma tributária considere as especificidades do setor e propõe a revisão das regras durante o período de transição. O deputado também cobra que o governo federal amplie o debate com o Congresso Nacional, alertando que o enfraquecimento da cadeia da reciclagem pode resultar em impactos econômicos e retrocessos sociais.
.A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa