
Não é de hoje que as celebrações de Natal são marcadas por grandes correrias e agitações.
Desde o primeiro Natal, percebe-se claramente a ocorrência de grandes movimentações. O primeiro corre-corre, ficou por conta de Maria e José. Eles tiveram de percorrer uma distância de aproximadamente 120 a 157 quilômetros da cidade onde moravam, Nazaré, até Belém.
Além do casal, os pastores também ficaram muito agitados ao receberem a ordem do anjo para se deslocarem até onde o menino Jesus estava. É provável que tenham percorrido uma distância relativamente curta, pois o local onde guardavam seus rebanhos, tradicionalmente conhecido como Campo dos Pastores (Beit Sahour), fica a apenas alguns quilômetros, da cidade de Belém até a gruta (estábulo) onde Jesus nasceu.
A viagem mais demorada e cansativa, no entanto, parece ter sido realizada pelos sábios do Oriente, pois coube a eles perfazer um trajeto bem mais longo. A Bíblia não especifica a distância exata, mas estudos sugerem que eles vieram de regiões como a Pérsia (atual Irã), Babilônia (atual Iraque) ou até mesmo a Índia, o que implica uma viagem longa e árdua de centenas ou milhares de quilômetros.
Apesar do grande esforço dos sábios, a mais longa viagem não foi a deles. Quem percorreu a maior e mais complexa distância entre o ponto de origem e o destino estabelecido, foi o próprio Jesus.
Segundo relato das Escrituras, Ele teve de deixar o seu trono de glória e de majestade para assumir a condição humana. A Bíblia diz textualmente: “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Filipenses 2:6-8).
Nunca antes, a literatura religiosa havia registrado algo semelhante. As crônicas reais dos antigos povos tendem a transformar seus reis e imperadores em deuses. Por outro lado, as mitologias descrevem seus deuses como seres extravagantes frequentemente dominados por paixões e desejos semelhantes às idiossincrasias humanas.
Com Cristo foi diferente. Ele rompeu a distância entre o sagrado e o terreno para vivenciar, na própria carne, as angústias, sofrimentos e agruras que habitam a alma humana.
João, o evangelista, vê essa transposição da seguinte maneira: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus […] E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1:1, 2 e 14).
A descida de Jesus dos céus à terra, foi a mais longa viagem já registrada na história. Não é possível, nem é necessário, mensurá-la em quilômetros, pois não se trata de mera locomoção através do tempo e do espaço. A medida dessa jornada deve ser feita levando em conta a dimensão estabelecida entre o ponto de partida, onde Ele se encontrava cercado de resplendor e glória, e o destino final da sua missão terrena, humilhado até a morte de cruz.
Constata-se, assim, que a maior e mais impactante movimentação ocorrida na história do Natal, foi a própria encarnação de Cristo. Sem ela, a humanidade estaria irremediavelmente separada de Deus para sempre. Jesus transpôs a maior barreira, para vir até nós, a fim de eliminar o abismo que nos separava do Criador.
Nesse Natal, não fique parado, mas corra para os braços de Jesus. Afinal, ninguém foi tão longe quanto Ele, para nos manter tão próximos de Deus!
Peniel Pacheco é professor de Teologia, Mestre em Ciências da Educação e especialista em Docência no Ensino Superior.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa