Atitudes face ao Natal de Cristo (Josué Silva)

Josué Silva/Divulgação

Dos dezoito primeiros versos do capítulo 2 do evangelho segundo escreveu Mateus, podemos extrair muitos ensinos, muitas verdades, muitos princípios, o que é típico dos textos bíblicos, pois são ricamente profundos. Vai depender de quem os analisa, de quem os estuda e dos seus propósitos em isso fazer. Aqui, quero deles extrair três formas de se encarar o Natal de Cristo Jesus, nosso Senhor.

Todos sabemos que a data fixada para se comemorar o nascimento de Jesus é apenas simbólica e fruto de uma tradição, pois ninguém sabe exatamente quando tal fato aconteceu. Essa comemoração começou a acontecer a partir do século IV após a morte de Jesus. Isso quer dizer que, nos primeiros 300 anos do cristianismo, não se comemorava essa data.

Comemoravam sua morte, ressurreição e promessa de segunda vinda por meio do sacramento da ceia cerimônia ensinada pelo Mestre Nazareno. Ao seu nascimento, não davam tanta importância apesar, claro, de ser muito importante, pois o projeto de salvação da humanidade começa com a encarnação do Deus Vivo.

A escolha do dia 25 de dezembro tem a ver com o fato de que, duas vezes no ano, ocorre um fenômeno chamado solstício. Em junho e em dezembro. O de dezembro ocorre no final do mês. Solstício é um período em que as noites são muito longas, visto que o sol demora a aparecer.

No hemisfério norte, antes e depois da vinda do Messias, vários povos, entre eles os romanos, comemoraram o fim do solstício festejando o que chamavam de “renascimento do sol”. Nessas festas, presenteavam-se, comiam e bebiam à larga. Lá, o sol começa a raiar mais forte a partir do dia 25. Daí, numa associação com o brilhar do Sol da Justiça, Jesus, começaram a festejar o Natal.

Por essa origem, muitos não comemoram Jesus, no Natal, pois, para estes, Natal é um momento de vender, comprar, dar e receber presentes, comer, beber e se regalar.

A despeito dessa origem do Natal, o certo é que Jesus nasceu. É um fato histórico narrado de uma forma singular pelo primeiro evangelista (Mateus 2.1-18), de onde, como dissemos, queremos extrair três atitudes face ao Natal de Cristo. A pergunta que quero que cada de um de nós responda é: Qual é minha atitude face ao Natal de Jesus hoje?

A primeira atitude é a dos sacerdotes e escribas do povo (vv. 3 a 6). Eles conheciam a lei e sabiam das profecias sobre a vinda do Messias, mas, quando Herodes os perguntou sobre o nascimento do menino-rei, apenas o informaram da profecia do profeta Miqueias (Mq 5.2).

Eles não esperavam pelo cumprimento da profecia, não ansiavam por que ela se cumprisse. Mencionaram que o Messias viria como se fosse o nascimento de um menino qualquer. “Rei, há uma profecia de que ele nasceria em Belém da Judeia.” Era como se dissessem. “Rei, fique em paz. Se nasceu, é mais um menino que nasceu. Nada mudou. É mais um dos muitos acontecimentos naturais da vida. Um menino a mais no mundo.”

Não mudou e não mudará nada. Essa é a primeira atitude. É mais uma comemoração, mais uma festa, mais uma data como tantas outras datas. Nada muda. Tudo continua do mesmo jeito. Um jeito que não tem jeito.

Quem está alegre, alegre continua. Quem está triste, triste continua. Quem tem, continua tendo. Quem não tem, continua na falta. Em todas as áreas da vida, tudo igual emocionalmente, fisicamente, espiritualmente, financeiramente, politicamente, conjugalmente, familiarmente, pessoalmente… Tudo igualzinho que nem em todas as áreas da existência humana. Nada muda nem mudará.

A segunda atitude é a de Herodes. O texto diz que, quando ele ficou sabendo do recém-nascido Rei dos judeus, ele se alarmou e alarmou toda a Jerusalém (vv.1 a 3). Por que ele se alarmou? Porque ele queria que nada mudasse. Essa é a segunda atitude: Nada pode mudar. Muita coisa deve mudar, entretanto não pode.

Ele era o rei e no trono continuaria. Era ele quem mandava, e isso tinha que continuar. Trata-se de Herodes, o Grande. O feito que o tornou famigerado foi o massacre dos inocentes, as crianças de dois anos para baixo da cidade de Belém e de seus arredores (vv. 16 a 18). Fez isso para se livrar de Jesus.

Jesus jamais assumiria o trono, no que dependesse dele. Ele não sabia que Jesus não veio para assumir o trono da Judeia, mas do seu coração, o que nunca aconteceria, uma vez que, como muitos, hoje, Jesus ficará sempre fora de sua vida.

A terceira atitude é a dos magos do Oriente. Eles viram a estrela e se deixaram guiar por ela até Jesus, pois queriam adorá-lo (vv. 1-2 e 9 a 12). Eles queriam mudança, a mudança que acreditavam que o Messias trazia para todos os povos da terra. Essa é a atitude: Tudo vai mudar.

Os magos eram sábios que estudavam os astros e que criam na promessa da vinda do Salvador. Eles perceberam uma estrela diferente ou a estrela diferente piscou apenas para eles.

Eram sensíveis espiritualmente. Não tinham nada a ver com os sacerdotes e escribas que não tinham a mínima sensibilidade espiritual e que apenas sabiam da promessa, mas não criam nela. Também nada tinham a ver com Herodes, pois queriam que Jesus reinasse na vida deles.

Criam que Jesus veio dar uma nova perspectiva de vida a todos os homens. Não é mais uma festa. Não se trata de mais um que nasce. É Deus vindo ao encontro dos homens que se distanciaram dEle e que dEle precisam.

Podemos trocar presentes entre nós? Claro, mas, naquele dia, foi o menino que ganhou presentes. Ele tem que ganhar os presentes. Ele é a figura principal do evento. O melhor presente que podemos dar a Ele é a permissão de que reine em nossa vida e mude tudo o que precisa ser mudado.

É claro que Ele não apenas nasce no Natal. Ele nasce todo instante em que alguém o convida a reinar em sua vida.

 

Josué Silva é professor, pastor, teólogo, palestrante, conselheiro cristão, master terapeuta emocional, escritor e membro da Academia Evangélica de Letras do Distrito Federal.