Jogo de soma zero

Roberto Troster (foto divulgação)

O tarifaço de Donald Trump, que entrou em vigor nesta quarta-feira (06), marca não apenas uma disputa comercial, mas uma mudança de paradigma. Na opinião do economista Roberto Troster, doutor em Economia pela USP e ex-economista-chefe da Febraban, “o mundo que operava sob o multilateralismo está dando lugar a um jogo de soma zero, onde se parte do princípio de que, para um ganhar, o outro precisa perder. E nesse novo jogo, o Brasil vira alvo indireto do conflito entre EUA e China nossa maior parceira comercial”.

Pouca margem de manobra

Produtos sem substitutos escaparam como o suco de laranja. Mas setores como café, carne e pescado foram atingidos. O impacto é severo e permanente para parte da indústria, especialmente aquela que depende de insumos importados e exporta para os EUA. “O governo federal, com uma dívida elevada e gastos estourados, tem pouca margem para amortecer os danos. A conta de juros ultrapassa R$ 1 trilhão ao ano, mais do que o dobro do que se investe em saúde, educação e justiça somados”, estima Troster.

Reinventar para sobreviver

Para o economista, “não é apenas uma crise, é uma chamada para adaptação. O Brasil precisa focar em alternativas como o Mercosul, ampliar laços com a União Europeia e ganhar espaço na África. A indústria deve se reinventar, como já fez a agricultura e como o setor financeiro vem fazendo. A reforma tributária é um passo positivo, mas ainda falta ânimo nacional para crescer”.

Fome de futuro

Roberto Troster avalia que “se quisermos competir com China e Índia, precisamos ter o que eles têm: vontade de crescer. É preciso despertar, discutir propostas técnicas e pensar o Brasil de 2035, não apenas a próxima eleição. Este choque pode ser a sacudida que o país precisava. Resta saber se vamos apenas reagir… ou começar, de fato, a construir um novo futuro”, acentuou o economista.

Exemplo do Rio Grande do Sul

“Todo mundo tem uma miopia. Quanto o PIB vai crescer este ano, como é que vai terminar a inflação este ano?, questiona o economista Roberto Troster. Ele sugere que tem que fazer como fez o Rio Grande do Sul, após enchente: começar a se reinventar, começar. A única coisa que dá para prever, na economia é que nós vamos ter imprevistos. Saber se adaptar é a chave. Tem que começar a pensar o que o Brasil vai querer em 2035, especialmente, no ano que vem, que é um ano de eleições e pensar mais em que tipo de proposta a gente quer fazer: uma discussão mais técnica em vez de uma discussão mais carismática”.

Pressão vai continuar

Luis Carlos Heinze (Crédito: Agência Senado)

O Senador Luís Carlos Heinze (PP/RS) disse que deputados e senadores estão fazendo pressão para ver como é que fica a posição tanto na câmera com Hugo Motta (Republicanos/PB), como com Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) “para que seja colocado em pauta as reivindicações da oposição e por isso tomamos essa iniciativa e assumimos a mesa do Senado desde ontem (5) e vamos ficar até resolver esse impasse”.

Em busca das assinaturas
O senador progressista afirmou que, “estamos atrás das assinaturas. São necessárias 41 para poder chamar o impeachment, hoje nós temos 38, que é o que o pessoal quer. A decisão será do presidente, mas com as assinaturas, a pressão em cima do presidente será maior. Hoje ele deve conversar conosco sobre esse assunto, então aqui a pauta é essa. E lá na Câmara a pauta é a anistia, que está para ser votado lá”.

Anistia e o Impeachment

Heinze acentuou que chegou ao Congresso às 4h30min e se reuniu com o deputado Zucco, líder da oposição. “Vamos conversar hoje com alguns partidos, não vamos na reunião de lideranças, porque é só bate-boca. O objetivo principal é a Anistia e o Impeachment. Seja qual for o encaminhamento, a pressão vai continuar até nós resolvemos esse impasse”.

Lei Magnitsky
Luís Carlos Heinze, afirmou que, “essa lei,  magnitsky pegou ele e agora vai pegar a esposa dele. E os Estados Unidos não brincam com isso”.

Paralisação do Congresso

Paulo Paim (Crédito: Agência Senado)

O senador Paulo Paim (PT/RS) está muito preocupado com a paralisação do Congresso Nacional. “Pautas importantíssimas precisam ser votadas. É urgente aprovar o socorro aos setores mais atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos. Também é urgente garantir a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução parcial para quem recebe até R$ 7.350. Da mesma forma continuar ajudando os estados atingidos pelas tragédias climáticas”.

Independência entre os poderes

Paulo Paim acentua que, “a população não pode ser prejudicada. Estamos perdendo milhares de empregos e bilhões na economia; o Brasil precisa seguir em frente com democracia, com soberania, com justiça social e com a independência entre os três poderes”, concluiu o senador gaúcho.

Atuação do Congresso

De acordo com uma pesquisa da Datafolha, 35% dos brasileiros consideram a atuação do Congresso Nacional ruim ou péssima. Ao mesmo tempo, os entrevistados que acham o trabalho dos parlamentares regular somam 41%. Apenas 18% dos participantes afirmaram que o legislativo é ótimo ou bom, enquanto 6% não opinaram. A reprovação da Câmara e do Senado é acompanhada por uma percepção de que o legislativo privilegia os próprios interesses. 78% dos entrevistados afirmam que os congressistas dão prioridade a eles mesmos. Somente 18% acreditam que o povo é prioridade dos parlamentares.

Atuação do Supremo

Gilmar Mendes (Crédito: Gustavo Moreno/STF)

O ministro do STF, Gilmar Mendes, disse que, diante de uma sociedade polarizada pela desinformação, a corte tem o desafio de mostrar ao Brasil a verdade sobre a atuação do supremo, segundo ele, a sociedade brasileira é bombardeada por um fluxo alto de conteúdos que aprofundam as tensões políticas do país. Ele afirmou que o cenário exige sensibilidade e coragem.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa