Romeu Zema (crédito: reprodução vídeo cbn)
Por Edgar Lisboa
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que manterá sua candidatura até o fim e intensificou o enfrentamento ao PT e ao governo federal durante entrevistas recentes. O mineiro diz confiar no modelo de gestão implantado em Minas e sustenta que pretende apresentar aos brasileiros “um jeito novo de fazer política”, com foco em combate à corrupção e austeridade fiscal.
Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, Zema afirmou que seguirá em pré-campanha independentemente das pressões e que pretende “elevar o debate” com propostas que, segundo ele, contrariam a maior parte da classe política. “Eu vou levar a minha pré-campanha e campanha até o final. Nós tiramos Minas do fundo do abismo. Hoje é um estado próspero que ganha participação no PIB do Brasil”, disse. O governador declarou ainda que, caso não esteja no segundo turno, apoiará o candidato que enfrentar o PT. “Quem for para o segundo turno contra o PT terá meu apoio. A direita não está desunida, está somando forças.”
O pré-candidato do Novo fez críticas diretas ao partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Zema, o PT teve tempo suficiente para conduzir o país e não entregou resultados satisfatórios. “O PT já teve tempo de sobra desde 2002 para levar o Brasil adiante e o que vimos foi desgoverno, corrupção alastrando e a maior recessão da história”, afirmou. Ele também acusou o governo federal de promover gastos excessivos e travar o crescimento econômico. “O Brasil tem jeito, o que está faltando é vergonha na cara”, declarou.
Zema atribuiu ao PT a situação financeira encontrada por ele em Minas Gerais quando assumiu o governo. Disse ter recebido um estado “arruinado”, com atrasos salariais, obras paralisadas e repasses comprometidos. “Hoje isso está equacionado. Minas é um grande canteiro de obras”, afirmou. O governador também reforçou que a polarização política abre espaço para uma nova alternativa eleitoral. “Essa alta rejeição abre uma via nova. Quero contribuir com propostas que o Brasil precisa.”
O mineiro ainda comentou o cenário político estadual e confirmou apoio ao vice-governador Mateus Simões (PSD) para a disputa ao governo de Minas. Sobre a política de escolas cívico-militares, disse que o aliado “se excedeu” ao questionar decisão judicial, mas defendeu que as famílias tenham opções educacionais.
Reação do PT

As declarações de Zema provocaram reação do deputado federal Dionilso Marcon (PT-RS), que contestou as críticas ao partido e ao governo Lula. O parlamentar afirmou não conhecer a realidade mineira em detalhes, mas rebateu as acusações feitas pelo governador. “Não sou de Minas, fico longe da realidade do cenário mineiro, mas onde o PT governa, faz para a população, não faz para meia dúzia”, disse.
Marcon defendeu a gestão federal e atribuiu ao governo Lula avanços econômicos e sociais. “O governo do presidente Lula abaixou a inflação, a comida ficou mais barata, o salário mínimo aumentou e há geração de emprego. O presidente defende a nação e a pátria”, afirmou. O deputado também criticou setores da oposição. “Essa turma nunca defendeu a vida e nunca defendeu a pátria. Transformaram nossa bandeira em qualquer pano velho. Temos que resgatar a nossa pátria e a nossa bandeira”, concluiu.
Cenário eleitoral
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança em todos os cenários de primeiro turno para 2026, com intenções de voto entre 35% e 39%. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, variando entre 29% e 33%. Nos cenários testados com governadores, Romeu Zema surge com cerca de 4% das intenções, em empate técnico com outros pré-candidatos.
Em eventuais simulações de segundo turno, Lula também lidera, inclusive contra Zema, com 43% contra 32% do governador mineiro. Apesar disso, o pré-candidato do Novo afirma estar confiante em uma reconfiguração do cenário político até 2026. “O brasileiro está evoluindo e votando melhor. Vamos ter boas surpresas”, disse.
O embate entre Zema e o PT evidencia a antecipação da disputa presidencial e a tentativa de construção de um campo alternativo ao governo Lula, em um cenário ainda marcado pela polarização e pela busca de espaço para novas candidaturas.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa