Gleisi Hoffmann (José Cruz, Agência Brasil)
O governo começa a semana em um equilíbrio delicado: de um lado, comemora avanços como a aprovação da urgência para ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda e a aprovação do projeto de proteção digital às crianças. De outro, encara derrotas estratégicas, como a perda de controle na condução da CPMI do INSS. Gleisi Hoffmann, ministra das Relações Institucionais, admitiu falha na articulação e prometeu reorganização da base.
O que está em jogo na CPMI
A Comissão Parlamentar Mista do INSS deveria ser uma oportunidade de esclarecer distorções, punir abusos e propor soluções para um sistema que afeta milhões de brasileiros, sobretudo aposentados e pensionistas. Mas corre o risco de se transformar em mais um palanque ideológico, no qual governo e oposição gastam energia tentando transformar a apuração em munição eleitoral. Se o foco for apenas no duelo Lula contra Bolsonaro, perde-se a chance de atacar os verdadeiros problemas: fraudes, má gestão, e falhas estruturais no atendimento.
Polarização como cortina de fumaça
É previsível que a oposição busque associar os desvios ao atual governo, enquanto a base governista insistirá que os maiores problemas nasceram na gestão anterior. O resultado? Uma disputa que fala mais aos eleitores de cada lado do que aos aposentados que enfrentam descontos indevidos e filas intermináveis. A polarização serve como cortina de fumaça; cria manchetes e slogans, mas não entrega respostas concretas.
Responsabilidade compartilhada
O fato é que tanto Bolsonaro quanto Lula, têm responsabilidades sobre a atual situação. Se os maiores desvios ocorreram antes, cabe investigar e punir. Se a correção é promessa atual, cabe executar com eficiência. O que não se pode aceitar é que a CPMI se resuma a uma disputa de narrativa, deixando de lado a construção de políticas públicas que protejam os beneficiários do INSS.
Expectativa e resultados práticos
O Brasil já vive uma sobrecarga de investigações que viraram palco político e terminaram sem resultados práticos, repetir o erro seria uma tragédia anunciada. A expectativa é que, ao reorganizar sua base, o governo saiba equilibrar a defesa política com a produção de fatos. E que a oposição compreenda que desgastar o adversário não pode significar punir os aposentados.
Para além do embate eleitoral
O país precisa que o Parlamento, mesmo em ambiente de disputa, seja capaz de se elevar acima da polarização. O debate da CPMI pode ser “interessante”, como afirmou Gleisi Hoffmann, mas será inútil se não vier acompanhado de medidas que efetivamente melhorem a vida de quem depende do INSS. A política só faz sentido quando deixa de falar para si mesma e volta-se para a sociedade.
Créditos para pequenas empresas
A ministra acentuou que “o presidente Lula já apresentou o projeto e a Medida Provisória já está no Congresso. 40 bilhões de reais vão ser colocados à disposição de quem faz exportação, e uma parte para ajudar os micro e pequenos empresários, num crédito subsidiado. Nós não podemos perder os empregos por causa do tarifaço, por esta loucura que foi feita, de gente que é brasileira, que se diz patriota, e que vai para o exterior fazer ações contra o Brasil”.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa