Luís Carlos Busato (Crédito: Pablo Valadares, Câmara dos Deputados.
A Campanha da Fraternidade 2026, lançada pela CNBB com o tema “Fraternidade e Moradia – Ele veio morar entre nós”, recoloca a falta de habitação no centro do debate nacional. Os números são um alerta contundente: mais de 6 milhões de famílias vivem sem moradia adequada e cerca de 330 mil brasileiros estão em situação de rua. O retrato expõe uma desigualdade urbana persistente e a ausência de políticas permanentes de habitação popular.
Direito à moradia digna
O deputado federal Luiz Carlos Busato (União Brasil/RS) destaca que “a campanha traz à tona uma das questões mais urgentes e estruturais do país: o direito à moradia digna”. Para ele, “a casa é mais que um teto, é o espaço onde se constrói dignidade, segurança, família e cidadania”.
Planejamento e sensibilidade social
Arquiteto e ex-presidente da Frente Parlamentar da Moradia Popular, Busato lembra que políticas habitacionais exigem planejamento, continuidade e sensibilidade social. Ele recorda que, em 2007, ao lado de lideranças do setor, ajudou a estruturar iniciativas que fortaleceram a moradia social e abriram caminho para programas como o Minha Casa, Minha Vida.
Novo pacto social
Mesmo assim, o parlamentar reconhece que o déficit atual exige um novo pacto nacional. A combinação de inflação imobiliária, desemprego e crescimento desordenado das cidades ampliou ocupações irregulares e a população em situação de rua. “Os números mostram que ainda há muito a fazer. É preciso unir governo, iniciativa privada, entidades religiosas e sociedade civil em torno de metas permanentes”, afirma.
Responsabilidade compartilhada
A CNBB sustenta que a moradia é o primeiro degrau da cidadania. Sem casa, faltam segurança, saúde e estabilidade familiar. Ao lançar a campanha, a Igreja reforça que o direito à habitação não pode depender de ciclos eleitorais ou programas temporários, mas deve ser tratado como política de Estado. Busato concorda, para ele, “a iniciativa é um convite à responsabilidade compartilhada e à transformação da solidariedade em políticas públicas concretas”.
Advertência moral e social
Moradores de rua: Crédito: José Cruz, Agência Brasil).
A crise habitacional já transborda para áreas como segurança e saúde pública. Parlamentares cobram recursos contínuos, regularização fundiária e planejamento urbano de longo prazo. A mensagem da CNBB ecoa como advertência moral e social, sem enfrentar o déficit habitacional com seriedade, o país seguirá convivendo com milhões de sem-teto e com um projeto de desenvolvimento incompleto. Garantir moradia digna é condição básica para reduzir desigualdades e estabilizar as cidades brasileiras.
Vozes do Sul cobram ação
Deputados da bancada gaúcha afirmam que a falta de moradia deixou de ser apenas um tema social e passou a ser questão de segurança e saúde pública. Eles criticam a lentidão do governo federal e cobram recursos permanentes para habitação popular, regularização fundiária e urbanização de áreas precárias. Para esses parlamentares, o país precisa sair do discurso e adotar metas claras de construção e financiamento habitacional, sob pena de ampliar a exclusão nas grandes cidades.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa