No Congresso, ritmo acelerado em ano eleitoral
Discussão e votação de propostas legislativas (Kayo Magalhães, Câmara dos Deputados)
O retorno do feriado transformou Brasília em um campo de alta pressão política. Deputados voltaram com pressa e não por acaso. Em ano pré-eleitoral, cada votação carrega mais do que mérito técnico: carrega sinalização política. A Câmara acelerou projetos com potencial de impacto econômico e estratégico, como a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, voltada às chamadas “terras raras”, insumos essenciais para a indústria tecnológica e para a transição energética. O recado é claro: o Brasil quer ocupar espaço na nova geopolítica dos recursos minerais. Mas, no pano de fundo, o ambiente segue contaminado pela polarização. Avança-se, sim, mas sob tensão constante.
CPI, denúncias e o fator “Bolsomaster”
Líder do Governo, Deputado Paulo Pimenta
A semana também foi marcada pela reverberação de investigações da Polícia Federal envolvendo repasses atribuídos ao entorno político do ex-governo. O líder do governo, Paulo Pimenta, reagiu com um pedido de CPI para apurar o caso do banco Master, associando o episódio ao que chamou de “Bolsomaster”.
A estratégia é evidente: transformar o caso em pauta política e ampliar o desgaste do campo adversário. Do outro lado, cresce a tendência de reação e contra-ataque. O Congresso, mais uma vez, vira palco de disputa narrativa antes mesmo de qualquer conclusão definitiva.
Conselho de Ética: punição ou recado político?

O episódio mais ruidoso da semana foi a decisão do Conselho de Ética de suspender por 60 dias os deputados Marcos Pollon, Marcel van Hattem e Zé Trovão, após a ocupação da Mesa Diretora. O relator, Moses Rodrigues, endureceu a pena para sinalizar limite institucional. Já parlamentares como Chico Alencar trataram o episódio como defesa da democracia. Do outro lado, o discurso foi de perseguição política, com críticas à seletividade das punições. O tema dominou o plenário e escancarou a divisão: disciplina institucional versus liberdade de ação parlamentar.
A reação gaúcha: crítica dura e alerta político
Do Rio Grande do Sul vieram algumas das críticas mais contundentes. Daniel Trzeciak classificou a decisão como censura e perseguição, apontando incoerência em punições dentro da Casa.

Na mesma linha, Sérgio Turra elevou o tom ao afirmar que a medida compromete a imagem da Câmara e cria precedente perigoso contra a atuação política.m A crítica não é apenas jurídica, é estratégica. Em ano eleitoral, decisões como essa tendem a ser exploradas fora do Congresso, diretamente junto ao eleitorado.(Créd
O Congresso em modo campanha
O que se viu nesta semana foi um Congresso operando em duas frentes: produção legislativa acelerada e disputa política permanente. Projetos avançam, CPIs são articuladas e decisões internas ganham peso externo. A consequência é um Parlamento mais ativo, porém mais tensionado. Cada movimento deixa de ser apenas institucional e passa a ser eleitoral.
Fechamento da semana
A semana mostrou que Brasília entrou definitivamente no modo campanha, mesmo antes do calendário oficial. O risco é claro: quando tudo vira disputa política, o mérito pode virar detalhe. E o custo disso, mais cedo ou mais tarde, chega ao país real.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa