
O setor agropecuário do Rio Grande do Sul enfrenta mais um duro golpe. A China anunciou a suspensão, por 60 dias, das importações de carne de frango brasileira após a confirmação de um caso isolado de gripe aviária em uma granja comercial no município de Montenegro. A lista de países que suspenderam a compra de carne de frango do Brasil aumentou neste sábado com as adesões de México, Chile e Uruguai.
Situação tratada com transparência
Carlos Fávaro (Crédito: Valter Campanato/ Agência Brasil)
De acordo com o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, a situação está sendo conduzida com transparência. A expectativa é de que a normalidade seja restabelecida entre 28 e 60 dias. O ministério reforça que não há qualquer risco para a saúde da população: “os produtos inspecionados continuam seguros para o consumo, tanto no Brasil quanto no exterior”.
Maior safra com menor rentabilidade
“A maior safra da história de grãos do Brasil é uma contradição, porque a maior safra significa a menor rentabilidade e o menor lucro, do ponto de vista da conjuntura de preços e pela ausência de políticas públicas consistentes para o agro brasileiro”, afirmou o deputado Afonso Hamm (PP/RS).
Enchentes, secas e enxurradas

As fortes chuvas que afetaram o Rio Grande do Sul causaram extensas inundações em lavouras, prejudicando e até destruindo a produção agrícola do estado.
O parlamentar lembra que, “muito especialmente no nosso estado do Rio Grande do Sul, nós vivemos três secas, uma tragédia de enchentes e enxurradas, e agora mais uma seca. E com isso, o Rio Grande do Sul tem um comprometimento de safra. Ainda é uma safra razoável, mas muitos produtores perderam 50%, 90%, e alguns chegaram a perder tudo nesta última safra”.
Acumulando prejuízos
Na opinião de Afonso Hamm, “por isso o governo não pode alardear produção que naturalmente representa giro, emprego”. Segundo o congressista, “isso é muito positivo, não resta dúvida, para todo o país, mas neste momento o governo brasileiro não pode virar as costas para o agro gaúcho. O agro gaúcho vem acumulando prejuízos, perdas, e o Plano Safra, o novo Plano Safra, na minha opinião, tem que contemplar o plano de safra brasileiro, um plano de socorro de safra para o Rio Grande do Sul”, assinalou o progressista.
Maior safra da história do Brasil
Ilustração, Edgar Lisboa, com recursos de IA
Por outro lado, a produção de grãos no Brasil vai bem. A Companhia Nacional de Abastecimento aumentou a previsão da safra de grãos de 2024/2025 de 330,3 milhões de toneladas para 332,9 milhões de toneladas. O crescimento da área plantada e o ganho de produtividade, explicam essa melhora. Se a projeção se confirmar, vai ser a maior safra da história do Brasil.
Bom pagador
Afonso Hamm acentua: “só nós gaúchos produzimos 70% do arroz produzido e consumido no Brasil. Então representa o abastecimento só num produto estratégico”. O deputado argumenta: “o nosso agricultor, o nosso produtor que hoje é diversificado, ele não tem como seguir adiante se ele não tiver essa política de suporte, que é o alongamento das dívidas. Não se trata de não pagar dívidas, e, aliás, o governador Eduardo Leite mostrou que, num estudo, que o gaúcho, o produtor gaúcho, o agricultor gaúcho, é o que tem a menor inadimplência em relação à securitização, em relação aos compromissos assumidos”.
Socorro ao agro gaúcho
O parlamentar progressista argumenta que, “nós não estamos pedindo o produtor gaúcho, o agro gaúcho, que vai da agricultura familiar, da pecuária familiar, do assentado, da reforma agrária, do médio produtor, do produtor empresarial. Todos pedem socorro e por isso surgiu, no ano passado, o SOS agro, Socorro ao agro gaúcho”. Hamm destaca que, “agora surge o movimento securitização já. Então, nós não podemos viver uma contradição absurda, que é o Brasil estar bem e o Rio Grande do Sul estar mal por conta do clima”.
Adversidades climáticas
“Não é incompetência do agricultor a condição dele não ter safra suficiente para honrar seus compromissos de investimentos, custeio da própria safra e as suas renegociações e prorrogações. Não é, então, por ineficiência produtiva e administrativa do produtor. Não é por incompetência dele, é por ordem da questão climática, das adversidades climáticas”, acentua Afonso Hamm. Ele faz um balanço dos problemas enfrentados: “três estiagens, uma enchente, que é uma tragédia, uma calamidade, e agora uma nova seca. Claro que tem microrregiões e algumas regiões que não foram tão duramente atingidas, mas nós temos a região central do estado, a fronteira oeste do estado, a região das missões e outras regiões duramente atingidas. Então, isso potencializa nessas localidades produtores que estão absurdamente comprometidos”.
Redução de oferta de alimentos
Para Afonso Hamm, “o importante é manter esse produtor produzindo. Porque se reduzir o número de produtores, não vai haver substituição. Outros produtores não vão absorver essas áreas. Hoje ele não tem capacidade de investir mais. Hoje se pergunta ao agricultor, ao produtor gaúcho, se ele tem condições de assumir mais uma área, de algum produtor que eventualmente pare, não tem. Então a saída do processo produtivo de produtores vai significar necessariamente a redução de oferta de alimentos”. O parlamentar alertou que, “redução de oferta de alimentos, a gente vive um momento que é chamado de inflação de alimentos por conta da falta de políticas consistentes, e fundamentalmente por conta da escassez de produção e dessas perdas”.
Agricultores mobilizados
O deputado gaúcho disse que participou do movimento dos agricultores protestando. “Todos os agricultores estão começando a ir para as estradas, se mobilizando, estive em São Gabriel, e nós estamos, vamos dizer assim, buscando sensibilizar definitivamente o governo federal. Há uma pauta aí sugerida na audiência pública que nós tivemos de 5 horas e 21 minutos que eu, eu liderei, fui o autor, nós entendemos que tem que haver, por conta da representação da bancada do Rio Grande do Sul, uma audiência com o presidente da República. Com o ministro da Agricultura, nós já tivemos uma reunião, e ele precisa instalar o que ele se comprometeu, que foi uma sugestão também nossa, de criar um grupo de trabalho para resolver as questões de médio e longo prazo”.
Pressionar o governo
Outra questão lembra o congressista gaúcho, “é a do próprio projeto de lei da securitização”. Na minha opinião, afirmou Hamm, “para pressionar o governo não há outra forma a não ser através do congresso e da mobilização dos produtores. E aí colocar em votação, o projeto de securitização do senador Luís Carlos Heinze (PP/RS). Na Câmara dos Deputados, explica o progressista, “entrou com a autoria do deputado Pedro Wetsphalen (PP/RS), o mesmo projeto e eu estou solicitando a relatoria”.
Apoio parlamentar
Afonso Hamm já tem o sinal verde, da Frente Parlamentar da Agropecuária, da Comissão da Agricultura, “na qual nós somos hoje vice-presidente, empossado a uma semana e tenho apoio integral do partido. São 50 deputados progressistas na Câmara e agora somos 109 deputados com a União Brasil. O líder do PP, deputado Doutor Luizinho (RJ), já entrou junto ao Presidente da Câmara, Hugo Mota (Republicanos/PB), com o pedido de relatoria para o deputado Afonso Hamm, e isso é no Colégio de Líderes. Então essa é a providência da minha contribuição”, listou o parlamentar.
Calamidade do agro gaúcho
Outras ações citadas pelo deputado Afonso Hamm em busca de soluções para o agro do Rio Grande do Sul. Ele está propondo ao governador do estado, Eduardo Leite, que decrete a situação de calamidade do agro gaúcho, já que são mais de 300 municípios em situação de emergência por conta das perdas do agro, pela reincidência desses eventos climáticos e ainda pelas consequências da tragédia, das enxurradas, das enchentes da safra passada.
Força do agro em números
Na opinião do deputado, “o fato técnico e político a ser criado é o governador do Estado decretar a situação de calamidade do agro gaúcho, para que nós tenhamos políticas especiais, uma tensão diferenciada para evitar o risco de reduzir a produção de alimentos e exclusão de produtores do processo produtivo, além da perda de empregos, perda de economia, hoje 25% da economia do Brasil é do agro, 40% do estado vem do agro, e nas cidades do interior é de 70 a 90% da economia girada pelo agro. Portanto, nós precisamos dessas providências”.
Não pagar os bancos
“Outra sugestão que dei lá no movimento dos produtores, da securitização já, é que eles se unam e parem de pagar os bancos, até que venha uma medida efetiva do governo, que permita uma renegociação”, afirmou Afonso Hamm lembrando que “vamos ter que ter uma atitude de coragem”. No entendimento do congressista, “apesar de os produtores terem lá seus bens em garantia, suas terras, suas máquinas, e tudo o que tem, mas a situação é absurdamente crítica e requer nesse momento, na minha opinião, uma mobilização e eu entendo como produtor, que nesse momento, os produtores devem suspender os seus pagamentos a banco, na totalidade, para gerar realmente uma condição para que o governo, para que, os agentes financeiros ajudem a construir uma solução fundamentalmente de médio e longo prazo. Se não é a securitização com 20 anos e 3 anos de carência, algo com mais prazo, com alongamento de dívida, com capacidade de pagamento”.
Agricultor “só quer prazos”
Afonso Hamm reafirmou que “o agricultor gaúcho não quer deixar de pagar suas contas, ele só precisa de prazo. É impossível, é inviável, com a safra de 2025, como está, ele honrar todos os seus compromissos, e por isso precisa alongar, e aí uma condição para pagamento, e aí nós vamos inserir o agro gaúcho no contexto do agro nacional”.
Produtores Rurais do RS querem Solução Urgente para Endividamento
Os produtores rurais do Rio Grande do Sul realizam mais uma série de manifestações nesta semana, paralisando suas atividades para cobrar soluções emergenciais do governo estadual e federal diante da crescente crise de endividamento que assola o setor agropecuário gaúcho. O deputado federal Afonso Hamm, que é vice-presidente da Comissão da Agricultura na Câmara dos Deputados, esteve conversando com os produtores nas manifestações de Vila Nova do Sul, Santa Margarida do Sul e São Gabriel.
Produtores nas Estradas
Os atos, que ganharam força nas estradas, visam alertar para o “descaso” com a situação dos agricultores, que enfrentam dificuldades financeiras severas após sucessivos eventos climáticos adversos.
Alternativas para renegociação
Um dos focos das manifestações é a reivindicação pela securitização das dívidas como mecanismo necessário para aliviar a pressão financeira sobre os produtores. O setor espera que o Governo Federal apresente soluções urgentes de alternativas viáveis para a prorrogação e renegociação dos débitos.
“Nosso apelo é claro: Securitização Já”, reforça o deputado.
Durante o ato em São Gabriel, o produtor rural Cristian Winck expressou a angústia do setor: “Nós escolhemos plantar e não colhemos. Nossos maquinários estão aqui nas estradas para quem quiser comprar. Precisamos sobreviver e queremos é dignidade para seguir produzindo”, manifesta.
A fala ressalta o impacto das perdas nas lavouras e a necessidade de medidas que permitam a continuidade da produção e a manutenção da dignidade dos homens e mulheres do campo.
Grupo de Trabalho
Afonso Hamm afirmou que, “um Grupo de Trabalho deverá ser instalado nos próximos dias e deverá ser liderado pelo senador Luís Carlos Heinze, autor da proposta legislativa”.
Audiência com Lula
Hamm também sugeriu que a Bancada Gaúcha marque uma audiência com o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva.
Situação é de “tragédia”
A mobilização dos produtores gaúchos ocorre em um momento crítico, com relatos de que grande parte dos agricultores não possui condições de honrar seus compromissos financeiros devido a três secas consecutivas, uma enchente e outra seca recente. “A situação é considerada uma “tragédia” com potencial impacto na mesa de todos os brasileiros, uma vez que o Rio Grande do Sul é responsável por uma parcela significativa da produção nacional de arroz, por exemplo”.
Governo tem que evitar no colapso
“O apelo é para que o governo federal não “vire as costas” para o agro gaúcho e reconheça a urgência da situação, buscando alternativas que garantam a sustentabilidade do setor e evitem um colapso com graves consequências para a economia e o abastecimento alimentar do país”, concluiu Afonso Hamm.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa