Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo por coação

Jair Bolsonaro e Eduardo

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro por coação, em razão da articulação familiar para impor sanções ao Brasil por meio dos Estados Unidos, e por obstrução das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. O pastor Silas Malafaia foi alvo de buscas, mas não chegou a ser indiciado. Mensagens e áudios analisados pela Polícia Federal revelam a atuação do grupo com o intuito de dificultar as investigações e intimidar autoridades brasileiras.

A Polícia Federal também encontrou a minuta de uma carta de Bolsonaro com pedido de asilo político na Argentina. A minuta revela que Bolsonaro, desde fevereiro de 2024, planejava evadir-se do país. A Polícia Federal também identificou que, um dia antes de depor sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, o ex-presidente transferiu R$ 2 milhões para a conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro. A referida transferência não foi mencionada durante o depoimento.

Nos áudios interceptados, Bolsonaro condicionou a aprovação do projeto de anistia no Congresso Nacional à imposição de tarifas pelo governo americano contra o Brasil. O ex-presidente afirmou, em uma interlocução, que a aprovação da anistia resolveria as demais questões. Ele declarou que, caso não se iniciasse a votação de uma anistia, não haveria negociação sobre tarifas, e que esforços de governadores para sensibilizar as autoridades nos Estados Unidos, ou em qualquer outro local, seriam infrutíferos de sua parte. Para ele, a resolução da anistia implicaria na solução de todas as outras pendências.

Em conversa gravada, Silas Malafaia e Bolsonaro, pastor e ex-presidente, discutiram sobre a imposição de tarifas e como veicular ataques ao Supremo Tribunal Federal nas redes sociais. Malafaia afirmou que Bolsonaro detinha total controle da situação. Malafaia elogiou Flávio, concordando com suas declarações e mencionando que, apesar de não ser favorável à taxação, era imperativo discutir a anistia. Ele enfatizou que toda a movimentação estratégica, focada na economia, estava direcionada a Bolsonaro, reiterando que o ex-presidente detinha o poder decisório sobre o Brasil.

As gravações ainda revelam que Bolsonaro buscou orientações com o advogado Martín Diluccio. Em uma conversa, o ex-presidente questiona o advogado sobre a estratégia para abordar a questão das tarifas em um determinado documento. Em outro áudio, Bolsonaro reconhece que estava desrespeitando as determinações do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que o proibiam de utilizar redes sociais e de se comunicar com aliados. O ex-ministro Braga Neto também descumpriu a proibição de contato com Bolsonaro.

Resposta de Bolsonaro até sexta-feira

O advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro deve apresentar manifestação em resposta à intimação do ministro Alexandre de Moraes até as 20h34 da próxima sexta-feira. A intimação, referente às acusações de obstrução da investigação sobre a suposta trama golpista, foi enviada ao advogado Celso Vilardi via WhatsApp às 20h34 de hoje, marcando o início do prazo de 48 horas.

A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro por coação, em decorrência de supostas articulações da família com os Estados Unidos para impor sanções ao Brasil e obstruir a investigação.

Até o momento, não houve pronunciamento oficial ou nota por parte da defesa de Bolsonaro. O Supremo Tribunal Federal, contudo, confirmou o prazo para a manifestação.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa/ Fonte: Jornal da CBN

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