
O ministro gaúcho, Augusto Nardes, do TCU, assumiu uma missão que vai além dos gabinetes de Brasília: percorrer o Brasil e a América Latina para defender a cultura da governança. Em tempos de improviso, obras inacabadas e decisões guiadas pelo calendário eleitoral, a insistência de Nardes soa como um alerta necessário. Ele lembra que não faltam recursos ao país; falta planejamento, transparência e continuidade. “Sem governança, não há futuro”, repete, numa tentativa de substituir projetos de eleição por projetos de Estado.
Desafio fora de Brasília
A crítica mais dura de Nardes é dirigida aos Estados e Municípios, onde, segundo ele, “a governança ainda não chegou de forma efetiva”. Para o ministro, “ministérios e órgãos federais avançaram, mas a transformação continuará incompleta enquanto prefeituras e governos estaduais seguirem administrados pelo improviso. O desafio é criar uma cultura permanente de metas, avaliação de riscos e cobrança de resultados. Sem isso, o Brasil continuará refém de mudanças de governo que interrompem projetos e condenam o país a recomeçar sempre do zero”, disse.
Guerra antecipada nas redes
A menos de seis meses das eleições, a campanha de 2026 já entrou de vez nas redes sociais, e com um risco evidente: a politização de temas que deveriam ser tratados com responsabilidade. PIX, Banco Master, jornada 6×1, endividamento das famílias e até escândalos financeiros começam a ser usados mais como armas eleitorais do que como assuntos de interesse público.
Às vésperas do feriado, o senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou mensagem nas redes afirmando: “O PIX é do Bolsonaro, o Banco Master é do Lula”, numa tentativa de associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao escândalo envolvendo o Banco Master.
Pix, Banco Master e a disputa pela narrativa
O problema é que a disputa tende a empurrar o debate para um terreno perigoso, em que fatos complexos são resumidos a slogans. O PIX, por exemplo, não pertence nem a Bolsonaro nem a Lula. O sistema foi concebido e implantado pelo Banco Central do Brasil, resultado de um processo técnico iniciado antes de sua entrada em operação.
Munição eleitoral
Da mesma forma, o caso do Banco Master ainda está sob investigação e virou munição eleitoral antes mesmo de haver conclusões definitivas. O risco é transformar apurações sérias em peças de propaganda, alimentando versões simplificadas e acusações fáceis.
O perigo da politização total
A tendência é que o tom suba nas próximas semanas. A esquerda deve explorar a resistência do bolsonarismo ao fim da jornada 6×1, tentando associar Flávio Bolsonaro aos interesses patronais. Já a oposição deve insistir no aumento do custo de vida, no endividamento das famílias e em escândalos como o Banco Master para desgastar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
As redes sociais, mais uma vez, devem ser palco central dessa guerra.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa