
Ao abrir os debates no Plenário sobre a PEC que reduz a jornada máxima para 40 horas semanais e extingue a escala 6×1, o senador Paulo Paim (PT-RS) rebateu os argumentos de que a medida afetaria a produtividade nacional. “Reduzir a jornada não é trabalhar menos para produzir menos; é trabalhar melhor, é modernizar a economia e produzir mais. Não se trata de uma guerra entre capital e trabalho, mas da busca pelo equilíbrio e pela dignidade do trabalhador”, sustentou o parlamentar gaúcho.
Oriovisto alerta para impacto
Por outro lado, o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) manifestou preocupação com os reflexos da proposta sobre os custos de produção e o setor produtivo. “Ninguém pode ser contra o trabalhador ter mais tempo com a família, mas aplicar uma mudança desse porte sem os devidos ajustes de prazos pode criar um choque na economia e prejudicar inclusive os trabalhadores informais”, ponderou o paranaense.
Renan Filho e os menores salários
O senador Renan Filho (MDB-AL) destacou que a extensão exaustiva das jornadas atinge majoritariamente as camadas de menor renda do País. “A jornada acima de 40 horas atinge principalmente quem ganha até três salários mínimos. O papel da legislação é justamente estabelecer parâmetros justos e proteger a parte mais vulnerável da relação de trabalho, garantindo que o ganho de produtividade seja acompanhado por mais qualidade de vida”, afirmou.
Zenaide e mães solo
A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) enfatizou os reflexos humanos e de saúde pública com a mudança na escala de trabalho, direcionando a atenção às trabalhadoras chefes de família. “Temos no Brasil mais de 10 milhões de mães solo que enfrentam jornadas duplas ou triplas sem tempo para cuidar dos próprios filhos. O fim da escala 6×1 é uma medida essencial de humanização, saúde mental e fortalecimento da estrutura familiar”, declarou a parlamentar.
Risco de cheias no Sul pelo El Niño
A quarta edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), aponta uma probabilidade superior a 95% de que o El Niño alcance intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro. Na Região Sul, o boletim do Inpe e do Cemaden alerta para precipitações acima da média histórica e risco elevado de inundações nos próximos meses. Embora Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul permaneçam livres de estiagem, as fortes chuvas já provocaram a elevação dos rios gaúchos e catarinenses. Na agricultura, o excesso de umidade beneficia a primeira safra do milho, mas acende o sinal de alerta para a incidência de doenças fúngicas no trigo e possíveis atrasos no plantio do arroz e da soja.
Quatro empregadores do RS na “Lista Suja”
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. A nova “Lista Suja” inclui 82 novos nomes em todo o Brasil – número que representa uma queda de 51,5% em relação à edição anterior – envolvendo o resgate de 553 pessoas. O Rio Grande do Sul registrou quatro novos casos identificados pela Auditoria Fiscal do Trabalho entre 2024 e 2026, figurando ao lado de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Piauí no ranking nacional de ocorrências. Em todo o país, as atividades econômicas com mais inclusões foram a criação de bovinos de corte, os serviços domésticos, a produção de carvão e a cultura do café.
Edgar Lisboa/Portal Repórter Brasília/Jornal do Comércio