Outubro Rosa 2026: Brasil deve registrar mais de 78 mil novos casos de câncer de mama por ano

Médico oncologista Dr. Diego Machado/Divulgação

Campanha reforça importância da detecção precoce e da atenção aos sinais da doença; câncer de mama responde por 30% dos novos casos de câncer estimados entre mulheres no país, excluindo pele não melanoma

O mês de outubro volta a colocar o câncer de mama no centro das discussões sobre saúde da mulher no Brasil. Com a chegada do Outubro Rosa, a campanha chama a atenção para a importância da informação, do diagnóstico precoce e do acesso aos exames e ao tratamento adequado. Em 2026, os números reforçam a dimensão do desafio: o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028, o equivalente a um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.

Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras e corresponde a aproximadamente 30% dos novos casos de câncer estimados para a população feminina. Na sequência aparecem os tumores de cólon e reto, com 10,5%, e do colo do útero, com 7,4%.

Para o médico oncologista Dr. Diego Machado, os números mostram por que a conscientização não deve ficar restrita ao mês de outubro.
“O Outubro Rosa tem uma importância enorme porque amplia o acesso à informação e coloca o câncer de mama em evidência. Mas o cuidado precisa continuar durante todo o ano. Conhecer o próprio corpo, manter o acompanhamento médico adequado e procurar atendimento diante de qualquer alteração são atitudes fundamentais”, afirma.

Diagnóstico precoce permanece como ponto central

A atenção às alterações nas mamas é uma das principais estratégias para favorecer o diagnóstico precoce. Segundo o INCA, todas as mulheres, independentemente da idade, devem conhecer o próprio corpo e estar atentas ao que é habitual ou não em suas mamas. Entre os sinais considerados suspeitos estão nódulos persistentes, alterações no mamilo, saída espontânea de líquido, mudanças na pele da mama e alterações no formato ou tamanho das mamas.

O surgimento de uma alteração não significa necessariamente a presença de câncer, mas deve motivar uma avaliação por um profissional de saúde.
“Um dos principais recados é não esperar que uma alteração desapareça sozinha quando ela persiste. Quanto mais cedo uma suspeita é investigada, mais rapidamente podemos chegar a um diagnóstico e, quando necessário, definir a estratégia de tratamento mais adequada para aquela paciente”, explica Dr. Diego Machado.

A mamografia exerce papel importante no rastreamento da doença por permitir a identificação de alterações antes mesmo do aparecimento de sintomas. Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde recomenda a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, faixa considerada prioritária por apresentar evidências de benefício na redução da mortalidade. Mulheres entre 40 e 49 anos ou acima dos 74 anos também podem ter acesso ao exame no SUS, mediante decisão compartilhada com um profissional de saúde sobre riscos e benefícios.

Idade é um dos principais fatores de risco

O câncer de mama não possui uma causa única. A idade está entre os fatores de risco mais importantes: de acordo com o INCA, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem depois dos 50 anos. Aspectos comportamentais, hormonais, reprodutivos e hereditários também podem estar relacionados ao desenvolvimento da doença.
Histórico familiar relevante e determinadas alterações genéticas também merecem atenção. Mulheres consideradas de alto risco podem necessitar de acompanhamento individualizado, de acordo com avaliação médica.
“O câncer de mama não é uma doença igual para todas as pacientes. Existem diferentes características biológicas, fatores de risco e histórias clínicas. Por isso, informação de qualidade e acompanhamento individualizado são essenciais. Não existe uma única conduta que possa ser aplicada indistintamente a todas as mulheres”, ressalta o oncologista.

Desafio vai além da conscientização

Os números do câncer de mama fazem parte de um cenário mais amplo. Para o triênio 2026–2028, o INCA projeta aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil. Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, são cerca de 518 mil novos diagnósticos anuais. O instituto aponta ainda desafios relacionados às desigualdades regionais e ao acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.

No câncer de mama, as diferenças regionais também aparecem nas estimativas. O risco estimado é maior no Sudeste, com 88,29 casos para cada 100 mil mulheres, seguido pelas regiões Sul, com 77,91; Centro-Oeste, com 61,32; Nordeste, com 58,02; e Norte, com 31,28 casos por 100 mil mulheres.

Nesse contexto, o Outubro Rosa vai além da mobilização simbolizada pela cor rosa. A campanha funciona como oportunidade para ampliar a circulação de informações confiáveis, combater a desinformação e lembrar que alterações suspeitas precisam ser investigadas.
“O medo do diagnóstico não pode ser maior do que a importância de investigar. Informação não deve gerar pânico, mas consciência. O objetivo é fazer com que mais mulheres entendam seus fatores de risco, conheçam suas mamas e saibam quando procurar ajuda”, conclui Dr. Diego Machado.