
O caso das mortes de pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga, provoca indignação, espanto e uma cobrança cada vez mais forte por punição rigorosa aos responsáveis. As novas informações de que outros oito casos estariam sob investigação ampliam a gravidade de um episódio que, além de abalar famílias, lança uma sombra assustadora sobre um dos espaços mais sensíveis da área da saúde: a UTI. Para o deputado, Jorge Vianna, que é do setor de saúde, não se trata apenas de um crime isolado, mas de um fato que exige apuração profunda, responsabilização sem complacência e uma revisão urgente dos mecanismos de controle dentro das unidades hospitalares.
Ao comentar o caso, o parlamentar afirmou que a situação causou “perplexidade para todos nós, seja cidadãos comuns, seja profissionais da área de saúde”, justamente por representar uma contradição brutal com a essência da profissão. “É muito estranho, muito antagônico você ter um profissional que fez o juramento para salvar a vida, de repente estar tirando a vida, matando pacientes”, declarou. Na avaliação dele, a frieza relatada no comportamento do suspeito amplia ainda mais o temor de que o número de vítimas possa ser maior. “Eu não chamo isso de profissional, porque profissional é outra coisa. Esse cara é um criminoso que estava lá usando a profissão para fazer suas vontades”, disse.
O deputado também ressaltou o impacto devastador do caso sobre os familiares, que agora podem ser obrigados a reviver a dor da perda sob uma nova e cruel suspeita. “É um transtorno para a família que já sofreu com a morte, agora vai sofrer de novo achando que pode ter sido uma morte provocada”, afirmou. Para Jorge Vianna , a investigação precisa avançar com profundidade e sem qualquer suavização. “Defendo, sim, uma investigação profunda”, declarou, ao reforçar que a resposta do Estado e das instituições de saúde deve ser firme, rápida e exemplar.
Na avaliação do parlamentar, o episódio também impõe um alerta severo aos gestores hospitalares. Segundo ele, não basta contratar: é preciso acompanhar, avaliar e vigiar permanentemente. “Cabe ao gestor, ao patrão, ao chefe, acompanhar isso, fazer uma avaliação psicológica dos trabalhadores periodicamente”, disse. Para o deputado, o caso do Hospital Anchieta deve servir de divisor de águas, obrigando empresas e chefias a “olhar para o trabalhador com outros olhos”. Diante de uma tragédia dessa dimensão, o silêncio, a omissão e a negligência são inaceitáveis. O que está em jogo não é apenas a punição de um suspeito, mas a defesa da vida, da confiança no sistema de saúde e do direito das famílias à verdade.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa