
A sessão solene realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal em homenagem às vítimas do genocídio contra os tutsis em Ruanda, em 1994, reuniu autoridades, estudantes e representantes da comunidade internacional em um ato marcado por reflexões sobre memória, justiça e compromisso com os direitos humanos.
Kwibuka32 reforça memória e compromisso internacional
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) foi palco, nesta terça-feira (7), de um dos atos mais simbólicos da agenda diplomática em Brasília: a cerimônia do Kwibuka32, que marca os 32 anos do genocídio contra os tutsi em Ruanda. Mais do que um evento protocolar, a solenidade reuniu autoridades, diplomatas e representantes da sociedade em um momento de forte carga histórica e política, reafirmando o compromisso global com a memória e a prevenção de atrocidades.

Realizado em parceria com a Embaixada de Ruanda, o encontro teve como destaque a presença do embaixador Lawrence Manzi, que conduziu um pronunciamento marcado por densidade histórica e apelo à responsabilidade internacional. Em nome do governo e do povo ruandês, ele agradeceu à deputada Doutora Jane e à CLDF pela acolhida e ressaltou que o genocídio de 1994 não foi um episódio isolado, mas o resultado de décadas de divisão e desumanização estruturadas.
Discurso firme e didático do Embaixador Lawrence Manzi
Com discurso firme e didático, Manzi destacou que, em cerca de cem dias, mais de um milhão de pessoas foram assassinadas, em um dos capítulos mais trágicos da história contemporânea. Segundo ele, a lembrança desse passado é inseparável do compromisso com o presente: “Nunca Mais”, afirmou, deixou de ser apenas um lema para se tornar política de Estado em Ruanda, baseada em reconciliação, unidade e reconstrução institucional.
A solenidade também ganhou relevância diplomática com a participação do embaixador de Camarões, Martin Agbor Mbeng, decano do Corpo Diplomático Africano, cuja presença reforçou o peso político do evento e a união das nações africanas em torno da preservação da memória histórica. O encontro reuniu ainda representantes do Itamaraty, como o conselheiro Márcio dos Anjos, além de embaixadores, acadêmicos e autoridades brasileiras.
Testemunhos da tragédia
Outro momento de forte impacto foi a participação de sobreviventes e especialistas, como o professor Jean Pierre Karegeye e o depoimento em vídeo de Jeanne Celestine Lakin, que trouxeram à cerimônia um testemunho direto da tragédia, ampliando o caráter educativo e humanitário do encontro.
Dia Internacional de reflexão
Inserido no calendário internacional do Kwibuka — que significa “lembrar” em kinyarwanda, o evento coincidiu com o Dia Internacional de Reflexão sobre o Genocídio contra os Tutsi em Ruanda, estabelecido pela ONU. Ao longo da cerimônia, ficou evidente que a memória não é apenas um tributo ao passado, mas um instrumento essencial para enfrentar desafios atuais, como a desinformação, o discurso de ódio e os riscos persistentes de violência em regiões como os Grandes Lagos africanos.
Vigilância Constante
Ao encerrar, Lawrence Manzi reforçou que a responsabilidade pela prevenção de genocídios é coletiva e exige vigilância constante. A presença de autoridades brasileiras e do corpo diplomático, segundo ele, simboliza que lembrar é também agir — e que a história, quando ignorada, pode se repetir.
Memória como dever coletivo
A deputada distrital Doutora Jane (Republicanos-DF) destacou o caráter simbólico e político da cerimônia, ao afirmar que lembrar o genocídio vai além de revisitar o passado — trata-se de um compromisso com o futuro. Em sua fala, reforçou que não há democracia sem memória nem justiça sem reconhecimento da dor, defendendo o combate permanente à intolerância, ao preconceito e à desumanização.
Destaque para Márcio dos Anjos

Márcio dos Anjos também enfatizou o exemplo de Ruanda como símbolo de reconstrução e reconciliação, destacando o crescimento econômico e a capacidade do país de transformar uma tragédia histórica em base para o desenvolvimento. Para o diplomata, a memória deve ser instrumento ativo de prevenção de novos conflitos e de promoção da paz.
Lições para o presente
Os pronunciamentos convergiram na defesa da memória como ferramenta de justiça e prevenção. O evento reforçou que lembrar é um ato político e humanitário, essencial para evitar que tragédias como o genocídio ruandês voltem a se repetir, em um cenário internacional ainda marcado por conflitos, desigualdades e discursos de ódio.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa