
Denise Pessôa (Crédito: Kayo Magalhães, Câmara dos Deputados)
A imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sofrer desgaste entre os brasileiros. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (15) mostra que a avaliação negativa do líder norte-americano subiu seis pontos percentuais em apenas um mês, alcançando 45% dos entrevistados. Enquanto a rejeição cresceu, a percepção positiva permaneceu estável em 22%. Já a avaliação regular caiu de 33% para 27%.
Novas barreiras tarifárias
O avanço da imagem negativa ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasil e EUA. Entre os fatores apontados por analistas estão as novas barreiras tarifárias anunciadas por Washington contra produtos brasileiros, e a decisão do governo americano de enquadrar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
Impactos além da diplomacia

A deputada federal Denise Pessôa (PT-RS) avalia que as medidas produzem impactos que vão além da área diplomática. Segundo ela, decisões desse tipo podem afetar setores importantes da economia nacional, inclusive o turismo.
Medidas influenciam na vida do Brasil
“Todas essas medidas influenciam negativamente na economia e na vida do Brasil, que acaba também influenciando no turismo brasileiro, que vinha crescendo. Se passarmos a ser associados a um cenário de terrorismo, isso pode afastar visitantes e prejudicar diversos setores”, afirmou Pessôa.
É cedo para celebrar qualquer avanço
A parlamentar também recebeu com cautela o anúncio feito pela Casa Branca sobre um entendimento para reduzir as tensões entre Irã e Israel. Para Denise Pessôa, “ainda é cedo para celebrar qualquer avanço diplomático”.
Memorando de entendimentos
Na avaliação do professor de Relações Internacionais Vinicius Rodrigues Vieira, da FGV, o “acordo anunciado por Trump está longe de representar uma paz definitiva no Oriente Médio”. Na visão do especialista, “o documento divulgado não é um tratado de paz, mas um memorando de entendimento que abre negociações pelos próximos 60 dias. Questões centrais, como o programa nuclear iraniano, a atuação do Hezbollah e a continuidade das operações militares israelenses permanecem sem solução”.
Dificuldade de controlar aliado
Para Vinicius Vieira, o principal desafio está na dificuldade do presidente americano de influenciar diretamente o governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “Trump demonstra dificuldades para controlar seu principal aliado na região”, observa. Outro ponto que deve ser avaliado, é que Trump se aproxima das eleições legislativas de meio de mandato, que costumam ser decisivas para a força política de qualquer presidente americano.
“O cenário hoje é menos explosivo do que há algumas semanas, mas ainda muito instável”, resume para o Jornal da CBN, Vinicius Vieira.
Custos políticos para Trump
A pesquisa Genial/Quaest sugere que decisões comerciais agressivas, disputas diplomáticas e incertezas geopolíticas começam a produzir custos políticos para Trump também fora dos Estados Unidos.
O aumento da rejeição no Brasil reforça a percepção de que sua influência internacional continua relevante, mas cada vez mais contestada.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa