Valdemar Costa Neto (Crédito: Beto Barata/PL Divulgação)
Apesar de o calendário ainda parecer distante para o eleitor, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirma que a disputa presidencial de 2026 já domina as conversas em Brasília e nos estados. Em entrevista ao Canal Livre (Band News TV), ele descreveu uma semana “quentíssima”, marcada pela consolidação de Flávio Bolsonaro como nome do grupo e pelo papel do ex-presidente Jair Bolsonaro na costura de alianças e palanques.
Pesquisas e desgaste Lula
Costa Neto atribui a oscilação recente nas pesquisas a fatores que, segundo ele, “corroem o prestígio do presidente Lula”.
O dirigente cita como pano de fundo um conjunto de crises, com destaque para o caso do INSS e o que chama de desdobramentos, ainda imprevisíveis, ligados ao Banco Master.
Para ele, são temas que podem crescer e contaminar o ambiente eleitoral. “O Master virou o mundo de cabeça para baixo”.
Flávio “mais equilibrado”
Na avaliação do presidente do PL, Flávio Bolsonaro se diferencia por uma postura mais contida. Ele diz ter ouvido de analistas que o senador estaria sendo favorecido por “falar menos” e evitar excessos, reduzindo rejeição. Valdemar Costa Neto também afirma que Flávio se saiu bem ao apresentar ideias e objetivos, reforçando a imagem de candidato “firme” e “equilibrado”.
Senado como prioridade
O presidente do PL relata que Bolsonaro dá grande peso à montagem de uma bancada robusta no Senado. Valdemar descreve uma divisão de funções: ele se concentraria mais nas articulações de governo e palanques estaduais, enquanto Bolsonaro miraria o Senado, o que, na narrativa do dirigente, teria relação com conflitos institucionais e com a visão de que o campo conservador precisaria de mais força na Casa.
Vice e alianças
Ao falar de composição de chapa, Costa Neto cita a senadora Tereza Cristina (PP/MS) como um nome de alta capacidade e com potencial de atrair aliados.
Também menciona Romeu Zema (Novo), como alternativa para fortalecer Minas Gerais, mas admite dificuldade, já que o governador sinaliza projeto próprio.
O dirigente relata conversas com diferentes siglas e lideranças, e reconhece que o xadrez de alianças pode envolver liberação partidária em alguns estados.
Rio Grande do Sul e Eduardo Leite
Questionado sobre o Rio Grande do Sul e a chance de composição com o grupo do governador Eduardo Leite (PSD), Costa Neto diz não acreditar no acordo. Na sequência, afirma que Leite não participaria mais da campanha e não seria candidato, mencionando a possibilidade de o governador fazer um curso no exterior. Ao mesmo tempo, reconhece que Leite “foi muito bom governador”, mas o coloca fora do jogo de 2026.
Mais agenda social e econômica
Costa Neto afirma que a estratégia do grupo é construir uma campanha com foco em propostas e temas que, segundo ele, interessam diretamente à população: economia, segurança pública e redução da pobreza. Na entrevista, ele aponta que o debate sobre 8 de janeiro e embates com o Supremo não deveria dominar o discurso, embora reconheça que esses temas seguem presentes no ambiente político.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa