Por Edgar Lisboa
Posse lota Câmara Legislativa, trava trânsito e sinaliza início de nova fase no Distrito Federal

A posse de Celina Leão no comando do Governo do Distrito Federal foi muito mais do que um rito institucional. Transformou-se em um ato político de grande dimensão, marcado por casa cheia, ruas congestionadas e uma demonstração clara de mobilização, algo raro até mesmo para os padrões da Câmara Legislativa do DF.
O entorno da CLDF registrou trânsito lento e filas extensas desde as primeiras horas do dia. Dentro do plenário, a avaliação era unânime: uma lotação nunca vista. Seguranças relatavam dificuldade para organizar o fluxo de entrada diante do volume de pessoas.
Foram mais de 200 jornalistas credenciados, além de representantes de diversos setores, da Polícia Penal ao Detran, que ocuparam as galerias e participaram ativamente, com aplausos constantes. A cada fala da governadora, a cerimônia era interrompida por manifestações espontâneas, revelando um ambiente mais político do que protocolar.
A transmissão ao vivo pela TV Câmara Legislativa ampliou ainda mais o alcance do evento, transformando a posse em vitrine pública de uma gestão que já nasce sob os olhos atentos do eleitorado, e com horizonte eleitoral claramente desenhado.
Transição institucional com recado político

A sessão solene oficializou a transmissão de cargo após a renúncia de Ibaneis Rocha, que é pré-candidato ao Senado da República, garantindo a continuidade administrativa até 6 de janeiro de 2027. Mas, na prática, o que se viu foi a consolidação de um projeto político.
O presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, fez questão de reforçar esse alinhamento:“O governador está deixando a régua alta, mas como eu conheço a Celina, ela está acostumada com desafios, e vai aumentar a régua ainda mais.”
O discurso não foi apenas institucional. Foi um sinal claro de sustentação política no Legislativo, peça-chave para qualquer governo.
Ibaneis sai, mas permanece no centro do projeto

Em tom de despedida, mas com forte conteúdo político, Ibaneis Rocha deixou claro que não está saindo de cena, apenas mudando de posição, mirando o Senado. “A Celina é uma das mulheres mais fortes que eu já pude conhecer na vida… vai fazer o melhor mandato da história do Distrito Federal,” avaliou Ibaneis.
O ex-governador reforçou a ideia de estabilidade institucional e política como legado de sua gestão:
“Brasília nunca viveu um período de tanta estabilidade política… isso permitiu entregas em todas as áreas.”
Mais do que um balanço, a fala foi um endosso público e direto à continuidade do projeto político que agora passa às mãos de Celina, com clara perspectiva eleitoral futura.
Celina Leão: emoção, fé e discurso de continuidade com identidade própria
Em um discurso longo, marcado por emoção e forte carga pessoal, Celina Leão assumiu o governo com um tom que mistura continuidade administrativa e construção de identidade política própria.

A governadora fez questão de destacar sua trajetória: “Nada me foi dado, tudo foi construído… são 30 anos de vida pública.”
E sinalizou o eixo central da sua gestão:
“O novo governo começa agora e ele é a evolução de um trabalho iniciado por Ibaneis Rocha.”
Ao mesmo tempo, deixou recados importantes, inclusive sobre temas sensíveis: “Este governo não será obstáculo e será garantidor de todas as respostas… transparência será prática.”
O discurso também teve forte componente simbólico ao tratar da presença feminina no poder:
“Não é apenas uma mulher que assume este governo. São todas as mulheres do Distrito Federal.”
Primeira medida: saúde no centro da agenda

Logo no início do mandato, Celina anunciou a primeira decisão concreta: reforço imediato na saúde pública.
“Nosso primeiro decreto já vai tratar dessa suplementação… contratação imediata de médicos.”
A medida inclui redirecionamento de recursos, inclusive de eventos, para áreas essenciais, um gesto político que busca dialogar diretamente com a principal demanda da população.
Apoio político e institucional reforçado
A cerimônia reuniu representantes dos três poderes e lideranças políticas, consolidando um ambiente de apoio amplo.
A senadora Damares Alves destacou a expectativa em torno da nova gestão: “Agora é hora de cuidar dos vulneráveis… ninguém ficará para trás.”
A deputada Bia Kicis chamou atenção para o tamanho do desafio: “Eu nunca vi isso aqui tão cheio… são muitos clamores dos servidores.”
Já o Judiciário, representado pelo desembargador Ângelo Passareli, reforçou a importância da harmonia institucional: “Assumir o governo é um chamado permanente à responsabilidade e ao diálogo.”
Um governo que começa em clima de campanha
A posse de Celina Leão não foi apenas administrativa. Foi, na prática, um grande ato político. A presença massiva, os aplausos constantes, o engajamento de categorias organizadas e a forte narrativa de continuidade indicam que o governo já nasce inserido no ambiente eleitoral.
Com Ibaneis mirando o Senado e Celina já posicionada como pré-candidata à reeleição, o que se viu na CLDF foi mais do que uma transmissão de cargo: foi o lançamento de uma nova etapa de um mesmo projeto político.
E, pelo volume de apoio demonstrado, essa etapa começa com força, e com recado claro: a disputa de 2026, no Distrito Federal, já começou.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa