Carnaval é espaço de diversidade e precisa de planejamento, afirma a coordenadora de território carnavalesco do centro de Brasília

Daisy Hansa: “carnaval e um espaço de diversidade. É onde pobre e rico se misturam, as pessoas confraternizam, dançam e cantam juntas”, (Crédito: Ana Leticia de Sousa).

O Carnaval de Brasília só acontece porque há um exército silencioso nos bastidores. São produtores culturais, técnicos, equipes de logística, segurança, limpeza e voluntários que planejam rotas, montam estruturas, negociam autorizações e acompanham cada detalhe para que os blocos saiam às ruas com organização e segurança.

Nos blocos menores, muitas vezes com poucos recursos, esse esforço ganha ainda mais relevância. São eles que mantêm viva a tradição, ocupam o centro da capital, revitalizam espaços públicos e transformam a cidade em um grande palco de convivência, cultura e economia criativa. Sem esses profissionais e apaixonados pela festa, o Carnaval de Brasília não teria a mesma força, diversidade e capacidade de reunir a população em torno da alegria coletiva

Um exemplo disso, é a coordenadora-geral de um dos territórios carnavalescos de Brasília, Deisy Hansa, de 43 anos, define o Carnaval como uma manifestação cultural e política central na identidade brasileira. Produtora cultural, ela destaca que a festa representa diversidade e convivência entre diferentes públicos.
“Para mim, o Carnaval é político primeiramente. É a principal manifestação da cultura popular brasileira e também sobre diversidade. É onde pobre se mistura com rico, onde as pessoas confraternizam, dançam e cantam juntas”, afirma.

Gestão e organização

Na avaliação da coordenadora, o Governo do Distrito Federal ainda falha no planejamento da festa. Segundo ela, a organização do Carnaval exige pelo menos seis meses de antecedência.
“O evento veio muito em cima da hora. Tivemos retorno apenas em janeiro, o que é ruim para organizar tudo como deve ser”, pontua Deysi..
Apesar das críticas, Hansa reconhece avanços na gestão operacional e na profissionalização da entidade responsável pelo evento neste ano. Ela também aponta melhoria na segurança e na mobilidade, com blocos localizados próximos à rodoviária e ao metrô, o que facilita o acesso por transporte público e aplicativos.

Crescimento e desafios

Para a produtora, o Carnaval de Brasília segue em expansão, mas precisa de investimentos públicos para acompanhar o crescimento.
“Os blocos aumentaram e o investimento precisa crescer junto, principalmente em estrutura básica: banheiros químicos, postos médicos e atendimento ao folião”, ressalta.

Ela também enfatiza o impacto econômico da festa. Segundo dados citados por Hansa, levantamento do setor de bares e restaurantes aponta movimentação de cerca de R$ 50 a R$ 60 milhões durante o período carnavalesco. O investimento direto nos blocos teria sido de aproximadamente R$ 10 milhões.
“O recurso investido retorna em consumo de alimentos, bebidas, transporte e impostos. É importante que o poder público mensure esses dados”, afirma.

Diversidade como marca

Hansa avalia que Brasília tem potencial para se consolidar como um dos principais carnavais do país.
“Proporcionalmente, é o quinto carnaval mais frequentado entre as capitais. A diversidade é o grande atrativo. Diferente de outras cidades que têm uma matriz cultural específica, aqui temos mistura de estilos e públicos”, explica.

Em síntese, ela define o atual momento da festa:
“É um carnaval de muita diversidade e acolhimento.”

Para a coordenadora, o evento vale a pena para o folião pela variedade de blocos e programação, inclusive infantil, mas os custos de produção ainda são insuficientes. O avanço da festa, afirma, dependerá de planejamento antecipado e ampliação de investimentos públicos.

“Todo carnaval é marcante. É sempre uma experiência única, com alegrias e desafios. Este ano está sendo especial, e o próximo também será”, conclui.

Portal Repórter Brasília/ Por Ana Letícia Sousa, estudante de jornalismo do CEUB/Entrevista feita sábado, às 12 horas, num dos territórios carnavalescos, no centro da Capital.