Os maiores atos aconteceram em São Paulo e no Rio de Janeiro

Todas as capitais brasileiras registraram atos neste domingo contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
O protesto na Avenida Paulista ocorreu sob calor escaldante, com termômetros marcando 31 graus, na tarde deste domingo. Entre discursos de deputados de esquerda e apresentações artísticas, uma chuva breve caiu sobre São Paulo.
Mesmo com o clima adverso, manifestantes puxaram palavras de ordem como “sem anistia”, em referência ao projeto que teve a urgência aprovada pela Câmara, e exibiram faixas contra a chamada PEC da Blindagem — aprovada em dois turnos na Casa e que agora segue para debate no Senado.
Segundo monitoramento da USP, o momento de pico do ato na Paulista reuniu 42 mil pessoas. Mesmo número da última manifestação no local em 7 de setembro, quando um ato pró-anistia foi convocado pelo pastor Silas Malafaia em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No Rio de Janeiro, o ato na Praia de Copacabana reuniu 41 mil pessoas, segundo o monitoramento. No 7 de setembro bolsonarista, a USP contabilizou 42 mil pessoas.
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque em ato contra a PEC da Blindagem e Projeto da Anistia — Foto: Reprodução / TV Globo
Na Avenida Paulista, o representante comercial Marcelo Ribeiro avaliou que a proposta que dificulta a investigação de deputados e senadores furou a bolha entre eleitores pró ou contra a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sobre a PEC da Anistia, o deputado federal Arlindo Chinaglia, do PT, discursou contra qualquer tentativa de abrandar as penas impostas pelo STF ao citar a mudança na dosimetria.
Além da pauta central, manifestantes também defenderam o fim da escala 6×1 de trabalho e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês — propostas do governo Lula que estão paradas no Legislativo.
Além dos parlamentares governistas como Guilherme Boulos e Tabata Amaral, o ato da Paulista reuniu artistas como Nando Reis, Otto, Leoni, Jota.pê e Salgadinho.
Em Belo Horizonte, a cantora mineira Fernanda Takai se apresentou com músicos locais.
Vestida de verde e amarelo e carregando a bandeira do Brasil, a médica mineira Beatriz de Souza disse que a PEC aprovada pela Câmara reforça a impunidade no país.
As manifestações contra os dois projetos ocorreram em todas as capitais brasileiras.
Manifestantes fazem ato em Copacabana contra a PEC da Blindagem e Projeto da Anistia
Vários artistas se apresentam em um ato musical. Os manifestantes também cobram a manutenção da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Chico Buarque e Gilberto Gil cantam ‘Cálice’ em manifestação no Rio
Manifestantes se reuniram na orla da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, na tarde deste domingo (21) contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e o projeto que anistia pessoas condenadas pelo 8 de janeiro. No ápice, às 16h, o ato teve 41,8 mil pessoas.
A chamada PEC da Blindagem, aprovada na Câmara e agora em análise no Senado, tem sido criticada por supostamente dificultar a abertura de ações penais contra deputados e senadores.
Manifestantes também protestaram contra outro projeto em tramitação, que prevê anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Vários artistas se apresentam em um ato musical nesta tarde. A cantora Maria Gadú foi a primeira a subir no palco e começou com a música “Como Nossos Pais”, de Elis Regina.
O cantor Jorge Vercillo destacou que compareceu ao ato em prol da democracia.
“Estamos aqui para lutar hoje pela democracia, democracia essa que deveria ser de interesse de todos. Mas cremos que uma hora será”, afirmou.
Marina Sena cantou “Brasil”, música de Cazuza e tema de abertura da novela “Vale Tudo”. Caetano Veloso cantou: “Podres Poderes”, “Um índio”, “Sem lenço, sem documento” e “Desde que o Samba é Samba”.
O cantor Ivan Lins também se apresentou e afirmou: “Nós não temos cara de babaca. Temos que fazer valer isso até outubro do ano que vem. Sem anistia”. Lenine subiu no trio em seguida e classificou a PEC da anistia como “maior cara de pau da história”. Em seguida, cantou “Ideologia”, música que fez com Cazuza.
Marina Sena canta ‘Brasil’ em manifestação em Copacabana
Os manifestantes também cobram a manutenção da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Participam do ato os deputados federais Chico Alencar (PSOL), Henrique Vieira (PSOL), Tarcísio Motta (PSOL), Taliria Petrone (PSOL), Glauber Braga (PSOL), Jandira Feghali (PC do B), Bandeira de Mello (PSB), Benedita da Silva (PT), os deputados estaduais Dani Balbi (PC do B), Flávio Serafini (PSOL), Lilian Bhering (PcdoB) e Carlos Minc (PSB) e os vereadores Thais Ferreira (PSOL) e Rick Azevedo (PSOL).
Gritos de “sem anistia” e “Bolsonaro na prisão” eram dados a todo momento.
A manifestação terminou pouco antes das 19h, mas, no mesmo horário, houve registros de confusão em diferentes pontos da região. Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, altura do número 1309, um grupo invadiu um restaurante. Já próximo à Rua Júlio de Castilhos, manifestantes chegaram a subir no teto de um ônibus.
Por volta das 19h30, a movimentação também foi intensa na estação General Osório do metrô, onde passageiros enfrentaram longas filas e tumulto para conseguir embarcar.
O ato também aconteceu em outras capitais do país como São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, João Pessoa, Maceió, Natal, Teresina, Belém, Manaus, Cuiabá, entre outras.

Manifestantes realizam ato contra PEC da Blindagem e PL da Anistia em Brasília
Manifestantes realizaram neste domingo (21) um ato em Brasília contra a chamada Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e contra o projeto que anistia condenados pelo 8 de Janeiro.
O grupo se concentrou em frente ao Museu Nacional da República, na via S1, por volta das 10h. No local, políticos de centro-esquerda e esquerda discursaram em um trio elétrico. Na sequência, os manifestantes marcharam em direção ao Congresso Nacional.
Movimentos de esquerda, artistas e políticos utilizaram as redes sociais para convocar as manifestações em diversas capitais do país.
Em Brasília, o cantor paraibano Chico César fez uma apresentação musical. Ele cantou quatro músicas para o público que participou do ato.
Os manifestantes chamavam de “PEC da Bandidagem” a proposta aprovada na última semana pela Câmara dos Deputados. O texto busca proteger parlamentares contra a abertura de processos penais no Supremo Tribunal Federal (STF).
Críticos da proposta afirmam que a PEC, na prática, inviabilizará a abertura de ações penais contra deputados e senadores, vez que, quando regra semelhante vigorou no país, somente a instauração de um processo foi autorizada pelo Legislativo.
A PEC foi articulada por parlamentares do Centrão, que votou em peso pela aprovação da proposta. O texto recebeu 353 votos favoráveis e 134 contrários no primeiro turno. E o placar foi de 344 a 133, no segundo.
No PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 12 deputados votaram a favor da PEC no 1º turno. A bancada petista tem ao todo 67 deputados. Já o PL, de Jair Bolsonaro, registrou 83 votos favoráveis e nenhum contrário.
Aprovado pela Câmara, o texto terá de ser analisado pelo Senado, onde deve enfrentar resistências.
Manifestantes carregam faixa contra PEC da Blindagem e contra o PL da Anistia — Foto: Luiz Felipe Barbiéri/g1
As pessoas que participaram do protesto em Brasília também ergueram cartazes e gritaram palavras de ordem contra o chamado PL da Anistia – proposta que perdoa condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro.
“Sem anistia e sem perdão. Eu quero ver o Bolsonaro na prisão”, gritaram em coro os manifestantes na capital federal.
Prioridade de partidos da oposição, a proposta de perdão aos condenados pelos atos de vandalismo em 2023 está em análise na Câmara dos Deputados.
Na última quarta-feira (17), os parlamentares aprovaram um pedido de urgência para a proposta, com objetivo de acelerar a análise do texto, que, com a articulação, pode ser analisado diretamente no plenário.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro defendem um texto que estabeleça uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para os condenados do 8 de Janeiro.
O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi designado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), como relator do projeto.
Em entrevistas, Paulinho da Força tem dito que o texto que apresentará será o do “PL da Dosimetria” e não da anistia.
A ideia do relator é promover uma redução das penas impostas aos condenados e não um perdão total, como defendem os bolsonaristas.
Na manifestação deste domingo, além de críticas às propostas em análise no Congresso, os participantes também gritaram palavras de ordem contra Hugo Motta e contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os participantes do ato também levaram cartazes em apoio ao projeto do governo que isenta de Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil. E pediram o fim da escala 6×1.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa com Agências e g1