Brasil amplia alianças enquanto reunião com Trump não sai

Mauro Vieira

O ministro das Relações Exteriores,  afirmou que ainda não há data definida para um encontro entre o presidente  e o presidente dos Estados Unidos,  embora o convite tenha sido feito e as tratativas estejam em andamento. Segundo ele, as conversas seguem em curso, dentro de uma agenda mais ampla que inclui negociações comerciais e cooperação bilateral.

Vieira destacou que o Brasil tem buscado avançar em propostas concretas com os Estados Unidos, entre elas um acordo de combate ao crime transnacional organizado. O foco está em ações como enfrentamento ao contrabando de armas, lavagem de dinheiro e atividades ilegais ligadas à mineração e exploração de recursos naturais. O ministro ressaltou que se trata de uma preocupação permanente da política externa brasileira, e não uma resposta a pressões externas.

No campo comercial, o chanceler reforçou, em entrevista, à CBN, quinta-feira (1),  que a estratégia de diversificação de parcerias internacionais, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo ele, o Brasil tem ampliado relações com diferentes blocos e regiões, consolidando sua presença global. O país mantém equilíbrio comercial entre Estados Unidos, União Europeia e Ásia, com destaque para o fortalecimento das relações com a ASEAN e com países como China e Japão.

Vieira também ressaltou a importância de acordos recentes, como o firmado entre Mercosul e União Europeia, além do avanço nas negociações com a EFTA, bloco que reúne países como Suíça e Noruega. Esses movimentos, segundo ele, ampliam o alcance comercial brasileiro e reduzem a dependência de mercados específicos.

Sobre o cenário internacional, o ministro alertou para os impactos da escalada de conflitos no Oriente Médio. Embora tenha afirmado que não há relação direta entre a guerra e a eventual reunião entre Lula e Trump, ele reconheceu que o conflito provoca efeitos significativos na economia global. Entre os principais impactos estão a volatilidade nos preços do petróleo, oscilações cambiais e reflexos em cadeias estratégicas, como fertilizantes e transporte aéreo.

Vieira relatou que manteve contatos com ministros das Relações Exteriores de países do Golfo e também com o chanceler do Irã, buscando compreender a evolução do conflito e suas consequências. Segundo o ministro, o Brasil atua como interlocutor global, dialogando com diferentes atores internacionais e defendendo soluções que reduzam tensões e preservem a estabilidade econômica.

Para o chanceler, o atual cenário reforça a necessidade de uma atuação diplomática ativa e diversificada, tanto no campo político quanto econômico, diante de um mundo cada vez mais interdependente.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa