
Por Edgar Lisboa
Pode parecer pouco importante se preocupar com os candidatos a vice e a suplente em uma corrida eleitoral, mas o histórico mostra que a substituição de titulares em cargos majoritários é mais comum do que se imagina.
O caso mais lembrado é o de Tancredo Neves. Sua morte, antes mesmo de tomar posse, levou o vice José Sarney à Presidência da República. O mesmo ocorreu com o impeachment de Fernando Collor, que abriu espaço para Itamar Franco, e com o afastamento de Dilma Rousseff, que levou Michel Temer ao Palácio do Planalto.
A lista, no entanto, é bem mais extensa: Floriano Peixoto assumiu em 1891 após a renúncia de Deodoro da Fonseca; Nilo Peçanha, em 1909, após a morte de Afonso Pena; Delfim Moreira, em 1918, devido à doença e posterior morte do presidente eleito Rodrigues Alves, que não chegou a tomar posse; Café Filho, em 1954, após o suicídio de Getúlio Vargas; e João Goulart, em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros.
Essa não é uma realidade restrita à Presidência. Estudos apontam um alto índice de substituição também nos governos estaduais. Só em abril de 2026, 9 das 27 unidades da Federação tiveram os vice-governadores efetivados após a saída dos titulares para disputar outros cargos. Cenário semelhante ocorreu em 2022, quando governadores de estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Ceará, Piauí, Alagoas e Maranhão renunciaram, transformando seus vices em titulares.
Por isso, antes de votar em um governador ou governadora, é preciso estar atento a quem deverá sucedê-lo em caso de ausência, impedimento ou substituição definitiva.
Quem são os vices no DF?
No Distrito Federal, as chapas já definiram seus vices:
Celina Leão (PP), que era vice de Ibaneis Rocha, escolheu o advogado e ex-ministro de Michel Temer, Gustavo Rocha (Republicanos).
Leandro Grass (PT) indicou a empresária e ativista social evangélica Dora Gomes (PV).
Kiko Caputo (Novo) também escolheu um evangélico: o delegado de Polícia Rafael Sampaio (Novo).
Paula Belmonte (PSDB) optou por um nome da segurança pública, o ex-delegado e juiz aposentado Everardo Alves Ribeiro (PSDB).
Ricardo Capelli (PSB) preferiu indicar a agroecóloga e pesquisadora da área de agricultura familiar Sofia Carvalho (PSB).
E os suplentes de senador?
Dados estatísticos indicam que pelo menos 30% dos suplentes de senador acabam assumindo o cargo em algum momento do mandato de oito anos. Desde 2019, 42 suplentes tomaram posse no Senado.
Por isso, é fundamental que o eleitor saiba quem são os primeiros suplentes dos candidatos com mais chances de se eleger no domingo.
Michele Bolsonaro (PL) preferiu não arriscar deixar a vaga para um estranho e indicou o próprio irmão, Diego Torres Dourado (PL).
Bia Kicis (PL) seguiu a mesma linha familiar e indicou o filho, o contador Samuel Kicis de Sordi (PL), como eventual substituto.
Leila do Vôlei foi mais cautelosa e escolheu o advogado trabalhista Raphael Sodré (Rede).
Já Érika Kokay teve uma escolha mais ideológica, indicando outra mulher como suplente: a advogada Giulia Tadini (PSOL), atual presidente do PSOL no Distrito Federal.
O eleitor precisa levar em conta quem ocupa o lugar imediato em caso de substituição para não correr o risco de votar em um perfil e acabar colocando no cargo alguém que não reúne as mesmas condições para exercer o mandato, caso seja convocado.
Afinal, não faz o menor sentido o eleitor se deixar levar pelo velho e indigesto ditado que fala em “comprar gato por lebre”.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa