Por Edgar Lisboa
Marieta Cazarré se destaca no audiovisual e vence na categoria Vídeo com reportagem sobre trabalho escravo doméstico
A Comissão Organizadora do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos definiu, na quarta-feira (30), os vencedores e os contemplados com menção honrosa da 48ª edição. A sessão pública de julgamento foi transmitida ao vivo pelo YouTube. A cerimônia de premiação será realizada no dia 20 de outubro, no Tucarena, em São Paulo, antecedida pela 15ª Roda de Conversa com Ganhadores.
Entre os destaques desta edição está a jornalista Marieta Cazarré, vencedora na categoria Vídeo pela reportagem Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão, produzida para a TV Brasil. O trabalho foi realizado em equipe com Paulo Leite, Ana Graziela Aguiar, Ana Passos, Cleiton Freitas, Patrícia Araújo, Gabriel Penchel, JM Barbosa, Rogério Verçoza, Sigmar Gonçalves, Alexandre Souza, Marcelo Vasconcelos, Rafael Carvalho, Rivaldo Martins, Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia.
Uma trajetória própria
Marieta pertence a uma família tradicional do jornalismo brasileiro. Filha do jornalista e escritor Lourenço Cazarré, construiu, entretanto, um caminho profissional próprio, especialmente no audiovisual, área na qual vem conquistando reconhecimento e premiações.
A vitória no Vladimir Herzog reforça essa trajetória e coloca novamente seu trabalho em evidência em uma das mais importantes premiações brasileiras dedicadas ao jornalismo comprometido com os direitos humanos. A reportagem premiada aborda uma realidade marcada pelo silêncio e pela exploração, levando para a televisão um tema que permanece muitas vezes invisível dentro dos próprios lares.
A presença de Marieta entre os vencedores também chama atenção por representar uma nova geração de profissionais que encontra no audiovisual uma ferramenta de investigação, denúncia e defesa dos direitos humanos.
Os vencedores

Na categoria Arte, o vencedor foi Thiago Lucas, do Jornal do Commercio (PE), com O inimigo mora em casa. Antonio Junião, da Ponte Jornalismo (SP), recebeu menção honrosa por Outro jovem negro assassinado.
Em Fotografia, venceu Tomaz Silva, da Agência Brasil (EBC), com Viúva se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro. A menção honrosa ficou com Eduardo Anizelli, da Folha de S.Paulo, por Aqueles que carregam os mortos.
Na categoria Áudio, Julia Dolce e equipe venceram com Palestina, da abundância à fome, de O Joio e O Trigo. A menção honrosa foi para Bia Guimarães e equipe, da Rádio Novelo, por Sala de espera: O aborto legal no Brasil sob uma nova ameaça.
Em Multimídia, foram premiados Caio Castor e equipe, do Intercept Brasil, por Moinho de Gente: a expulsão da última favela do centro de São Paulo; Jade Abreu e equipe, do Metrópoles (DF), por Um Brasil que desmorona; e Juliana Mori e equipe, da InfoAmazonia e Amazon Underworld, por Ouro, escavadeiras e fuzis: como facções e milícias dominam garimpos clandestinos na Terra Indígena Sararé.
Na categoria Vídeo, além da vitória de Marieta Cazarré e equipe, Angela Boldrini e equipe receberam menção honrosa por 22 Semanas, da Folha de S.Paulo.
Em Texto, os vencedores foram Mariana Rosetti e equipe, da Revista AzMina, por Parto ou sentença?, e Daniel Camargos e equipe, da Repórter Brasil, por A foto esquecida do trabalhador amarrado em uma carvoaria do Maranhão e o elo com a Toyota.
Na categoria Livro-Reportagem, venceu Ana Paula Araújo, com Agressão, publicado pela Editora Globo/Globo Livros.
Memória e democracia
Desde 2023, a premiação é organizada pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, associação civil sem fins lucrativos ou político-partidários, fundada em novembro de 2022, em São Paulo. A entidade reúne instituições da sociedade civil e a família Herzog, entre elas ABI, Abraji, Artigo 19, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Conectas Direitos Humanos, ECA/USP, FENAJ, Geledés, OAB, Instituto Vladimir Herzog, Instituto Socioambiental, Ouvidoria da Polícia de São Paulo, Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Intercom, SBPJor e União Brasileira de Escritores.
Desde sua primeira edição, em 1979, o prêmio celebra a vida e a obra de Vladimir Herzog, jornalista torturado e assassinado pela ditadura civil-militar em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo.
A premiação mantém, assim, uma ligação direta entre memória, jornalismo e defesa dos direitos humanos. Quase cinco décadas depois da primeira edição, o reconhecimento de novos profissionais, como Marieta Cazarré, mostra que essa história continua sendo escrita por diferentes gerações do jornalismo brasileiro.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa com ABI