Narcisismo Sensacional: Quando aparecer importa mais do que ouvir (Edivan da Silva)

Edivan da Silva/Divulgação

Você conhece aquela pessoa? Você comenta, feliz, que foi ao estádio assistir a uma partida do campeonato, e ela retruca: “Ah, eu já assisti a final da Copa do Mundo em Wembley.” Você compartilha animado que jogou tênis no parque da cidade, e ela responde: “Eu já tive o prazer de pisar em Roland Garros.” Não importa o assunto: saúde, vinho, inteligência artificial ou a nova temporada de uma série. Ela sempre tem algo a acrescentar que a coloca no centro da conversa. Sempre conhece alguém. Sempre já esteve lá. Sempre tem uma opinião pronta para brilhar.

Esse comportamento me lembra a música “O Chato”, de Oswaldo Negro, quando ele canta: “O chato é aquele cara que você fala: aparece lá em casa, ele aparece.” Ou ainda: “Você pergunta: como vai? Ele responde: vou de carro.” O narcisista sensacional é exatamente isso — incapaz de simplesmente ouvir. Até a dor dele é maior: você diz que está com dor de cabeça, ele responde que tem cálculo renal.
No mundo corporativo, esse perfil é ainda mais nocivo. Reuniões inteiras são sequestradas por quem transforma qualquer pauta em vitrine pessoal. Alguém apresenta um projeto e, antes de terminar, o narcisista já interrompe: “Na minha experiência anterior…” ou “Eu conheço alguém em Harvard que falou exatamente isso.” O resultado? O time se cala, ideias são engolidas, e a colaboração vira teatro.
O narcisista sensacional não compete com a sua dor ou com a sua alegria. Compete com a sua relevância. O que ele não suporta é existir um assunto em que não possa se posicionar como especialista. É insegurança travestida de repertório.
Certa vez, alguns colegas decidiram testar esse comportamento. Um deles comentou, em tom de brincadeira: “Amigo, acredita que comecei a aprender a andar de skate?” A resposta foi imediata: “Ah, para quem já surfou onda de três metros, andar de skate é fichinha.” A gargalhada foi geral. Ele não entendeu nada.
Esse tipo de narcisismo me lembra até certas autoridades que insistem em aparecer na foto oficial ao lado dos campeões, mesmo sem ter feito parte da vitória. É a necessidade de estar sempre em cena, mesmo que não haja papel para desempenhar.
Como canta Oswaldo Negro: “Eu sou um chato, meu Deus, não me aguento, só me tacando no mar.” O narcisista sensacional é isso: alguém que não sabe simplesmente estar. Precisa aparecer.
Edivan da Silva é Administrador, Contador e Economista. Professor, Palestrante e Conferencista. Especialista em Planos de Negócios, Planejamento Estratégico, Implantação de Indicadores de Alta Performance. É Mestre em Contabilidade. Estudioso dos temas Liderança Positiva e Inteligência Emocional. É Pregador da Palavra de Deus.