
Flávio Bolsonaro mira o STF, Zema aponta para o tamanho do Estado e Caiado concentra críticas nos juros e no custo Brasil
Por Edgar Lisboa
O encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, reuniu três dos principais nomes da pré-campanha presidencial de 2026 e permitiu uma comparação rara entre diferentes projetos para o país.
O senador Flávio Bolsonaro, o ex-governador Romeu Zema e o governador Ronaldo Caiado discursaram para o mesmo público, mas apresentaram diagnósticos distintos sobre os desafios brasileiros.
Mais do que apresentar propostas, os três procuraram deixar claro quais são, em suas avaliações, os principais obstáculos ao crescimento econômico.
Flávio aposta no embate institucional
O discurso mais político foi o de Flávio Bolsonaro. Sem citar ministros nominalmente, voltou a criticar decisões do Supremo Tribunal Federal e associou a insegurança jurídica do país ao que chamou de excessos da Corte.
Ao lembrar que o próximo presidente poderá indicar ministros para o STF, sinalizou que a relação entre os Poderes deverá ocupar posição central em sua campanha. Também fez críticas à reforma tributária, defendeu revisão de atos normativos do governo federal e prometeu menos burocracia para licenciamentos e investimentos.
Zema mantém a bandeira liberal
Romeu Zema preferiu concentrar sua fala no tamanho da máquina pública.
O ex-governador mineiro voltou a defender reformas estruturais, especialmente nas áreas administrativa e previdenciária. O foco permaneceu na redução de gastos, no equilíbrio fiscal e na eficiência da gestão pública.
A mensagem foi coerente com a trajetória que construiu em Minas Gerais e reforça sua tentativa de ocupar o espaço do eleitorado liberal que busca uma agenda econômica mais ortodoxa.
Caiado fala diretamente ao setor produtivo
Ronaldo Caiado apresentou um discurso voltado à atividade econômica. O ex-governador goiano criticou os juros elevados, o custo do crédito e as dificuldades enfrentadas por quem produz e investe. Também atacou o chamado custo Brasil e associou parte dessas dificuldades à condução econômica do governo federal.
Ao mesmo tempo, procurou transmitir uma imagem de estabilidade institucional ao defender respeito ao resultado das eleições e à soberania das urnas.
O olhar de Pedro Westphalen

Para o deputado federal Pedro Westphalen, o encontro mostrou que o debate eleitoral começa a migrar dos embates ideológicos para temas que preocupam diretamente a economia.
Na avaliação do parlamentar, o setor produtivo espera respostas concretas para problemas históricos, como insegurança jurídica, excesso de burocracia, dificuldades de acesso ao crédito, elevada carga tributária e baixa competitividade internacional.
Westphalen tem defendido que a recuperação do crescimento econômico passa por um ambiente de negócios mais previsível e pela valorização de quem produz, seja na indústria, no comércio ou no agronegócio. Sob essa ótica, os discursos apresentados na CNI funcionaram como uma espécie de teste inicial para medir a sintonia dos pré-candidatos com as demandas do setor produtivo.
Três narrativas para a mesma eleição
O encontro deixou evidente que a disputa presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos.
Flávio Bolsonaro aposta na pauta institucional e conservadora. Romeu Zema insiste na agenda liberal de redução do Estado. Ronaldo Caiado busca se apresentar como candidato da gestão, da produção e da competitividade econômica.
Os três falaram para empresários. Mas cada um apontou um adversário diferente: Flávio direcionou críticas ao STF, Zema aos gastos públicos e Caiado aos juros elevados e ao ambiente econômico.
A pré-campanha ainda está nos primeiros movimentos. Mas Brasília já consegue enxergar três caminhos distintos tentando chegar ao mesmo endereço: o Palácio do Planalto.
Lula deixa espaço vazio
A ausência do presidente e pré-candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva no encontro da CNI acabou se transformando em um fato político. Enquanto Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado apresentaram propostas e disputaram a atenção dos empresários, Lula deixou o palco livre para os adversários dialogarem com um dos setores mais influentes da economia. O petista foi convidado, mas não participou do evento
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa