Certificado Digital: A Nova Face da Burocracia que atormentam as empresas

Luís Carlos Heinze: “Precisamos simplificar esses procedimentos e respeitar o tempo de quem trabalha, empreende e gera empregos no Brasil”. (Foto:Agência Senado).
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A promessa era simplificar. Na prática, para muitos empresários, a renovação do certificado digital virou mais um teste de paciência. O que deveria ser resolvido em poucos minutos frequentemente exige videoconferências demoradas, envio de documentos, reconhecimento facial, validações sucessivas e, não raramente, a repetição de todo o processo por falhas técnicas. A burocracia não desapareceu. Apenas trocou o balcão pela tela do computador.

Revisão de procedimentos

A digitalização dos serviços é um caminho sem volta e trouxe avanços importantes. Mas quando um empresário precisa gastar até 45 minutos para renovar uma ferramenta indispensável ao funcionamento da empresa, algo claramente precisa ser revisto.

Tecnologia Deve Facilitar

O senador Luís Carlos Heinze (Progressistas-RS) afirma receber relatos frequentes de empresários e produtores rurais que enfrentam dificuldades para cumprir exigências digitais cada vez mais complexas. “A tecnologia deve facilitar a vida das pessoas, e não criar novas dificuldades”, disse à coluna. Segundo ele, a segurança é necessária, mas não pode vir acompanhada de excesso de burocracia. “Precisamos simplificar esses procedimentos e respeitar o tempo de quem trabalha, empreende e gera empregos no Brasil”, defende.

Integração é o Caminho

O senador Paulo Paim (PT-RS) concorda que a redução da burocracia digital é um desafio permanente. Para ele, o avanço depende da integração entre plataformas e do compartilhamento de informações entre órgãos públicos. Paim cita como exemplo o sistema Gov.br, que centraliza milhares de serviços e reduz a necessidade de autenticações presenciais.

Educação digital

“Precisamos investir cada vez mais na educação digital para a inclusão de todos os brasileiros. Avançamos muito, mas ainda temos muito o que fazer”, afirma Paim.

Carne Brasileira Sob Pressão

Ilustração (Edgar Lisboa com recursos de IA)

A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países habilitados a exportar determinados produtos de origem animal continua repercutindo em Brasília. O deputado federal Luciano Zucco (PL-RS) protocolou requerimento para realização de audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara. A preocupação é compreender os impactos econômicos da medida, que poderá restringir exportações brasileiras a partir de setembro caso as exigências sanitárias europeias não sejam atendidas.

Reflexos na produção e empregos

Zucco alerta que produtores, cooperativas, frigoríficos e exportadores acompanham o tema com preocupação. O Brasil ocupa posição estratégica no mercado global de proteínas e qualquer barreira comercial gera reflexos imediatos sobre investimentos, produção e empregos”.

Soberania em Debate

Marcel Van Hattem: “texto da convenção interfere no trabalho do Parlamento.”.

A Câmara dos Deputados aprovou o texto da Convenção 187 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece diretrizes para promoção da segurança e saúde no ambiente de trabalho. O deputado federal Marcel van Hattem (NOVO-RS) votou contra a proposta. Para o parlamentar, tratados internacionais não devem interferir na autonomia legislativa brasileira. “Afeta a nossa legislação nacional e a capacidade do Parlamento decidir o que é melhor para o trabalhador”, argumentou.

Proteção Social

O debate expõe uma discussão recorrente no Congresso: até que ponto acordos internacionais fortalecem a proteção social e quando passam a ser vistos como limitações à soberania nacional. Em Brasília, a divergência está longe de terminar.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa