
Por Edgar Lisboa
A especialista em governança pública Cris Nardes, pré-candidata a deputada distrital pelo Republicanos em 2026, reuniu cerca de 20 jornalistas em sua residência, no Jardim Botânico, em Brasília, para apresentar aquilo que pretende transformar em principal bandeira política: governança pública, compliance, integridade e controle como instrumentos para aperfeiçoar a gestão do Distrito Federal.
Filha do ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, Cris tenta converter em capital político uma trajetória construída ao longo de mais de 15 anos na área de governança, transparência e combate à corrupção. Atualmente, preside a Rede Governança Brasil e foi secretária de Governança e Compliance do GDF.
A governança como eixo político
Ao longo do encontro, Cris Nardes procurou mostrar que sua eventual chegada à Câmara Legislativa teria como principal missão transformar governança em política pública permanente no DF. Segundo ela, não basta apenas denunciar corrupção ou apontar falhas administrativas. O objetivo seria criar mecanismos de liderança, estratégia, monitoramento e controle capazes de impedir desperdícios e melhorar a entrega de serviços essenciais.
A pré-candidata afirmou que pretende trabalhar para aprovar uma Lei de Governança Pública no Distrito Federal, ampliando um decreto criado durante sua passagem pelo GDF, em 2019, mas que, segundo ela, acabou “engavetado” após sua saída do governo.
Segundo Cris, a ideia é usar a Câmara Legislativa como instrumento de cobrança permanente do Executivo, exigindo planejamento, gestão de riscos, metas e fiscalização efetiva da aplicação dos recursos públicos.
Compliance, integridade e combate à corrupção
Durante a apresentação, Cris Nardes insistiu na defesa de mecanismos de compliance e integridade pública como ferramentas concretas para combater corrupção e evitar escândalos administrativos. Ela argumentou que muitos erros em governos ocorrem não apenas por má-fé, mas também pela ausência de preparo técnico e pela falta de cultura de governança.
Ao citar o caso envolvendo BRB e Banco Master, afirmou que houve falhas claras de estratégia e gestão de riscos. Na avaliação dela, estruturas sólidas de controle poderiam evitar prejuízos institucionais e ampliar a confiança da população e dos investidores.
Ela também destacou que, quando esteve à frente da Secretaria de Governança do GDF, promoveu treinamento de aproximadamente 700 servidores públicos em práticas de controle, integridade e prevenção à corrupção. Segundo a especialista, boa parte dessa estrutura acabou sendo desmontada posteriormente.
O Pronagov e as 438 prefeituras
Um dos principais pontos apresentados por Cris Nardes foi o trabalho desenvolvido no Pronagov — Programa Nacional em Governança Pública — criado em parceria com Augusto Nardes e Henrique, voltado ao apoio técnico gratuito para municípios brasileiros.
Segundo ela, o programa já auxiliou 438 prefeituras na implementação de mecanismos de governança, capacitação técnica e planejamento estratégico.
Cris citou como exemplo o município de Arinos, em Minas Gerais, com cerca de 15 mil habitantes. De acordo com ela, após receber orientação em governança, o município conseguiu atrair um investimento privado internacional estimado em R$ 2 bilhões para um parque de energia fotovoltaica. Na avaliação da especialista, a governança transmite credibilidade institucional e segurança para investidores.
Obras paradas e desperdício de dinheiro público
A pré-candidata também apresentou dados usados por ela para defender a necessidade urgente de governança no setor público. Segundo Cris Nardes, o Brasil possui aproximadamente 12 mil obras inacabadas, sendo 73% nas áreas de saúde e educação. Ela afirma que isso representa cerca de R$ 9 bilhões desperdiçados em função da ausência de planejamento, monitoramento e controle.
Para ela, a falta de governança compromete diretamente a qualidade de vida da população e impede que investimentos públicos cheguem efetivamente ao cidadão.
Câmara Legislativa como espaço de fiscalização
Ao falar sobre o futuro político, Cris Nardes deixou claro que pretende usar sua experiência técnica na Câmara Legislativa para pressionar o Executivo por resultados concretos.
A proposta, segundo ela, é transformar governança em política de Estado no DF, exigindo mecanismos permanentes de avaliação, controle e prestação de contas. A especialista afirma que governança não é apenas discurso técnico, mas uma forma de “governar bem”, organizando prioridades, monitorando ações e evitando improvisações administrativas.
Cultura da improvosação no Brasil

Durante o encontro, o ministro Augusto Nardes reforçou a defesa da governança pública e criticou o que chamou de “cultura da improvisação” no Brasil. Segundo ele, liderança, estratégia e controle são pilares indispensáveis para que governos entreguem resultados e recuperem a confiança da população. Apresentou números e planilhas com a situação do País, nas diversas áreas e o desperdício, em consequência do despreparo de administradores públicos.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa