
O debate em torno da implementação do PROCONVE MAR-II expõe uma contradição que precisa ser enfrentada com responsabilidade e visão de futuro. O Brasil construiu, ao longo de décadas, uma das políticas energéticas mais bem-sucedidas do mundo, tornando-se referência global em etanol, biodiesel e bioenergia. Agora, no momento em que o país avança para testar o B25 e ampliar ainda mais o uso de biodiesel, surge uma proposta regulatória que pode encarecer máquinas, aumentar custos para produtores e desviar investimentos daquilo que realmente importa: a descarbonização.
A incoerência é evidente.
Se o próprio Brasil reconhece no biodiesel uma solução estratégica para reduzir emi…
Brasil só perde para si mesmo
A semana de debates em New York City, durante a Brazil Week, deixou uma mensagem que se repetiu em praticamente todos os fóruns, encontros com investidores e conversas estratégicas: o Brasil não sofre pela falta de potencial. Sofre, muitas vezes, pelas barreiras que ele mesmo impõe ao seu próprio crescimento.
A declaração feita por representantes da BlackRock, publicada pelo Valor Econômico — de que “o Brasil precisa reduzir o risco-país para aproveitar sua posição fantástica” — traduz exatamente o sentimento predominante entre os grandes investidores internacionais.
E eles têm razão.
Poucos países no mundo reúnem simultaneamente a capacidade energética, a força do agronegócio, a abundância mineral, a segurança alimentar, o mercado consumidor e a posição geopolítica que o Brasil possui. Somos protagonistas naturais na transição energética, na produção de alimentos, na agenda ambiental e na nova economia verde.
Mesmo assim, seguimos convivendo com juros estruturalmente altos, insegurança jurídica, complexidade tributária, excesso regulatório, burocracia e sinais políticos que muitas vezes afastam capital justamente quando o mundo procura novos destinos para investir.
O que ouvi em Nova York foi direto: o capital internacional quer estar no Brasil. O problema é que o Brasil, muitas vezes, ainda não demonstra a previsibilidade necessária para receber esse capital na escala que poderia.
Isso precisa ser encarado com maturidade.
Não se trata de vender o país. Trata-se de confiar nele. De reduzir o custo político da incerteza. De consolidar regras claras. De fortalecer a liberdade econômica. De premiar quem produz, investe, gera emprego e assume riscos.
O mundo olha para o Brasil com expectativa. Os investidores enxergam um país com posição “fantástica”, como definiu a BlackRock.
A pergunta que fica é simples: estaremos preparados para não desperdiçar mais essa oportunidade?
Porque, no fundo, a sensação que ficou desta semana em Nova York é clara:
O Brasil não perde para ninguém. O Brasil, muitas vezes, só perde para si mesmo.
Jerônimo Goergen é Advogado, Sócio do Andrade Maia Advogados