Lula e Flávio Bolsonaro (Crédito: Reprodução Youtube Canal Gov); Flávio Bolsonaro (Crédito: Jefferson Rudy/ Agência Senado)
O governo federal prepara um novo programa de renegociação de dívidas nos moldes do Desenrola, para aliviar o orçamento das famílias em um cenário de comprometimento recorde da renda. A proposta inclui ampliar programas existentes e utilizar garantias públicas para baratear o crédito. No campo político, a divergência é clara: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta em crédito e renegociação, tratando o endividamento como problema social ligado à renda e aos juros altos; já o senador Flávio Bolsonaro defende ajuste fiscal e controle de gastos como solução estrutural.
Parlamentares do RS e DF se posicionam
Entre parlamentares do Rio Grande do Sul, há alinhamentos distintos. Bohn Gass (PT) associa o endividamento à perda de renda, e defende políticas públicas de crédito e renegociação. Heitor Schuch (PSB) destaca o impacto no consumo e na produção, sugerindo medidas que combinem crédito mais barato e recomposição de renda. Na oposição, Luciano Zucco (PL), reforça o discurso de responsabilidade fiscal. Enquanto Ubiratan Sanderson (PL), e Marcel Van Hattem (Novo), criticam o aumento dos gastos públicos e defendem ajuste e redução do Estado.
Proteção ao consumidor

No Distrito Federal, a base governista segue linha semelhante à do Planalto. Erika Kokay (PT) relaciona o endividamento à desigualdade social e defende proteção ao consumidor e ampliação da renda.
A senadora Leila Barros (PDT) enfatiza o impacto do custo de vida e a necessidade de medidas de alívio financeiro. Já na oposição, Bia Kicis (PL) aponta inflação e carga tributária como causas do endividamento. Enquanto Izalci Lucas (PL) alerta para o desequilíbrio fiscal e seus reflexos nos juros.

Disputa de narrativas sobre a crise
Para o governo e aliados, o endividamento decorre de renda comprimida, desigualdade e crédito caro, exigindo intervenção estatal. A oposição sustenta que a origem está na má gestão fiscal, inflação e carga tributária elevada, defendendo ajuste como caminho para reduzir juros. Em meio ao debate, Flávio Bolsonaro afirmou que a crise atinge cerca de 80 milhões de brasileiros, e criticou tanto os juros quanto a regulamentação das apostas esportivas como fatores agravantes.
Rejeição elevada pressiona disputa
A pesquisa Datafolha aponta cenário apertado em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, com 46% a 45%. Ambos enfrentam rejeição elevada, 48% para Lula e 46% para Flávio, o que limita o potencial de crescimento. A avaliação do governo Lula permanece dividida, com predominância de desaprovação, indicando um ambiente eleitoral ainda instável.
Eleitor de centro vira alvo central
O levantamento também identifica um grupo de 27% de eleitores distantes do petismo e do bolsonarismo, considerado decisivo para 2026. Lula tende a reforçar pautas como segurança pública e diálogo com segmentos religiosos para ampliar apoio ao centro.
Já Flávio Bolsonaro aposta no tema do endividamento das famílias como eixo de mobilização. Pré-candidatos como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) também disputam esse eleitorado estratégico, ampliando a fragmentação no primeiro turno.
Trabalho por aplicativo
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados pode votar nesta terça-feira (14) a regulamentação do trabalho por aplicativo. O parecer reforça a autonomia da atividade e afasta vínculo empregatício. Em 2024, o Brasil tinha 1,7 milhão de trabalhadores em plataformas digitais, segundo o IBGE.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa