Luiz Carlos Busato (crédito:Bruno Spada, Câmara dos Deputados)
A janela partidária reorganizou forças no Congresso, com avanço do PL e perdas do União Brasil. Para o deputado Luiz Carlos Busato (União Brasil-RS), o movimento é natural em um partido grande e não representa crise estrutural. Ele avalia que o crescimento do PL se explica pelo “fenômeno Bolsonaro”, que mantém maior fidelidade entre seus quadros. Busato destaca que, apesar das saídas, o União recompôs parte da bancada e segue como terceira força da Câmara. No Rio Grande do Sul, minimiza perdas e projeta fortalecimento eleitoral, com uma base mais alinhada e coesa para 2026.
Incômodo e recado direto
Nos bastidores, o clima no União Brasil é de irritação. A avaliação em interna é de que o PL avançou deliberadamente sobre quadros com visibilidade e protagonismo. Um integrante da cúpula resumiu o desconforto: “Quem quer aliança não pesca dentro do aquário.”
Porta de entrada para a África

O embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, tem intensificado a agenda diplomática com foco em negócios e cooperação econômica, com atenção especial ao Rio Grande do Sul. A estratégia é clara: transformar o país africano em uma ponte para produtos brasileiros no continente, disse à coluna Repórter Brasília, na noite desta segunda-feira, em jantar, n residência oficial, em Brasília.
Reconstrução e crescimento celerado
Manzi destaca que Ruanda vive um momento de reconstrução e crescimento acelerado, após o genocídio de 1994, e hoje se consolida como hub tecnológico, financeiro e logístico na África. “É um país que se renovou completamente, com economia diversificada e ambiente favorável aos negócios”, afirmou.
Aproximação com o Rio Grande
A aproximação com o Rio Grande do Sul já começou a sair do papel. Um exemplo é a importação de ônibus produzidos pela Marcopolo por uma empresa ruandesa, além de visitas a polos industriais como Caxias do Sul, Não-Me-Toque e Porto Alegre.
Máquinas agrícolas
O principal interesse, segundo o embaixador, está na área de máquinas agrícolas. A proposta em discussão envolve não apenas exportar equipamentos gaúchos, mas também produzir em Ruanda para distribuição em outros países africanos, aproveitando a posição estratégica e acordos comerciais do país. “Ruanda pode ser um hub para levar a produção do Rio Grande do Sul para toda a África, com menos barreiras e mais competitividade”, ressaltou.
Vinhos gaúchos
Outro setor no radar é o de vinhos, com possibilidade de parcerias futuras com a Serra Gaúcha. Deve cumprir agenda em Bento Gonçalves, e outros municípios do Estado, após as eleições no Brasil. A embaixada também trabalha para ampliar o intercâmbio empresarial e institucional, com novas missões previstas.
Desconhecimento do potencial africano
Para Manzi, ainda há desconhecimento do potencial africano por parte do empresariado brasileiro. “A África está se renovando e oferece grandes oportunidades. Ruanda está pronta para construir essa ponte”, concluiu.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa