
A CPMI do INSS terminou como começou: imersa em disputa política e sem entregar uma conclusão institucional. Sem a aprovação de um relatório final, a comissão encerra seus trabalhos deixando um vazio formal, mas um amplo material para alimentar o debate eleitoral de 2026.
Narrativas opostas dominam o caso
O relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL/AL), que previa mais de 200 indiciamentos, foi barrado pela base governista. A tentativa de um texto alternativo também fracassou. O resultado foi a consolidação de duas versões opostas sobre o mesmo escândalo.
Duas versões, um mesmo escândalo

De um lado, o deputado Paulo Pimenta sustenta que as fraudes têm origem no governo Bolsonaro, associando o problema a mudanças normativas que teriam facilitado irregularidades no INSS. De outro, Luciano Zucco afirma que a CPMI revelou um esquema bilionário e critica o que chama de blindagem política para impedir o avanço das investigações. Ambos concordam na existência da fraude, mas divergem completamente sobre as responsabilidades.
Congresso transfere decisão ao eleitor
A ausência de um relatório aprovado expõe mais do que divergências, revela uma falha institucional. Ao não concluir a investigação, o Congresso abre mão de seu papel fiscalizador, e transfere ao eleitor uma decisão que deveria ser técnica e jurídica.
Disputa eleitoral
Na prática, um escândalo que envolve recursos de aposentados deixa de ter desfecho político e passa a ser incorporado à disputa eleitoral. Para o governo, evita-se desgaste imediato. Para a oposição, sobra material de campanha. Para a população, fica a sensação de impunidade.
Sem solução
E, mais uma vez, o Parlamento termina um processo relevante sem conclusão, deixando que as urnas decidam aquilo que ele próprio não conseguiu resolver. Com isso, a investigação termina, e a disputa começa.
PSD redefine o jogo presidencial

No mesmo cenário de antecipação eleitoral, o PSD oficializou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência em 2026. A escolha, articulada por Gilberto Kassab, indica a preferência por um perfil mais alinhado ao agronegócio e ao campo conservador.
Eduardo Leite preserva capital político
Derrotado na disputa interna, o governador Eduardo Leite reagiu sem romper com o partido. Demonstrou divergência, mas adotou uma postura estratégica ao evitar confronto direto. Leite também afastou a possibilidade de ser vice, sinalizando que não pretende assumir papel secundário. Ao manter sua posição, preserva espaço para se reposicionar no cenário político, dentro ou fora do PSD.
Derrota tática, aposta no futuro
Mais do que uma perda imediata, Leite transforma o revés em movimento de médio prazo. Jovem e com trajetória consolidada, passa a atuar como um ativo político em construção, mirando oportunidades futuras, inclusive além de 2026.
Enquanto Caiado assume a dianteira no curto prazo, Leite aposta no tempo, e na possibilidade de um eleitorado que ainda busca alternativas fora da polarização.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa