Pressão para aprovar Blindagem aos deputados (Lula Marques, Agência Brasil)
Aprovada na Câmara e enviada ao Senado, a chamada “PEC da Blindagem”, representa um retrocesso institucional. Sob o argumento de proteger parlamentares de supostas perseguições, a proposta cria barreiras quase intransponíveis à responsabilização criminal, amplia o foro privilegiado e tenta blindar casos de flagrante. Juristas, jornalistas e a sociedade, criticam a medida por transformar mandato em escudo contra a lei. O Parlamento deveria ser exemplo de transparência, mas insiste em legislar em causa própria, afrontando a democracia e a igualdade diante da Justiça.
Com voto secreto
Aprovada pela Câmara, a PEC da blindagem reacende práticas da ditadura: o voto secreto voltou ao texto após ter sido derrubado, por artimanha dos parlamentares. Se já estivesse em vigor, poderia beneficiar dezenas de parlamentares, como Eduardo Bolsonaro, investigado por atuar em favor do tarifaço contra o Brasil, e deputados suspeitos de desvios de emendas.
Brechas jurídicas
O texto exige aval da Casa para abertura de ação penal, mas não esclarece quando a regra passa a valer. Juristas alertam para brecha: só após denúncia formal o Congresso poderia barrar investigações. Para Roberto Livianu, do Instituto Não Aceito Corrupção, “a PEC fere a Constituição e obstrui o Ministério Público”.
Senado dividido
Apesar de parecer improvável obter os 49 votos necessários, líderes avaliam que a blindagem pode avançar. O Senado renova dois terços das vagas em 2026, e muitos senadores não querem arriscar apoio a um tema impopular em ano pré-eleitoral. A articulação de Davi Alcolumbre será decisiva. “Meu voto será contra a PEC da Impunidade e contra a anistia” já adiantou o senado Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul..
Governo liberado
Por se tratar de emenda constitucional, a PEC não depende de sanção presidencial. Lula liberou a bancada, enquanto a ministra Gleisi Hoffmann disse que “o tema é de interesse do Parlamento, não do governo”. O Planalto prefere focar em pautas como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil.
Blindagem vergonhosa
A aprovação da PEC da Blindagem expôs um Parlamento desconectado da sociedade. Enquanto o país enfrenta crises reais, deputados optaram por legislar em causa própria, criando uma casta política acima da lei.
Melchionna reage

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL/RS) denunciou: “a farsa é um tapa na cara do povo brasileiro”. Para ela, “a blindagem transforma impunidade em imunidade, abrindo brechas até para crimes inafiançáveis”.
Deboche e chacrinha
No plenário, parte da base governista e da extrema-direita, critica Melchionna, reagia com risadas e deboche. “Estão rindo do povo”, disse ao acusar os colegas de desrespeitar a gravidade da mudança constitucional.
Conta virá um “tarifaço”
A parlamentar alertou os deputados que votaram pela blindagem serão cobrados nas urnas. “O povo não esquecerá, e o preço político será alto, especialmente em ano pré-eleitoral”, disparou Melchionna.
Cobrança do povo
A deputada Fernanda Melchionna cobrou e alertou que os deputados serão bem cobrados pelos eleitores. Citou como exemplo, “o deputado coronel Zucco, líder da oposição na Câmara: ele quer ser governador do meu Rio Grande Sul. Vai ser cobrado, pode ter certeza que o povo não vai deixar passar uma PEC que blinda parlamentares”, acentuou.
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Edgar Lisboa