O ALERTA (Por Valério Azevedo)

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Ilustração feita por Valério Azevedo

Parte 1 – A Falsa Bandeira

Segundo o antropólogo israelense Yuval Harari, falar dos outros está entre os hábitos mais antigos da espécie humana Homo Sapiens. Para Harari, desde há 270 mil anos a fofoca, a maledicência, o boato e a mentira constituem importantes fatores de vantagem evolutiva entre os humanos, contribuindo significativamente para o êxito da humanidade sapiens.

A explicação para este fenômeno é bem simples: controle. Não bastou aos nossos ancestrais terem inventado uma linguagem que de tão sofisticada seja capaz de expressar as mais complexas abstrações do pensamento – como a angústia, a esperança ou o amor. Foi preciso controlar o que as pessoas pensam e, em consequência, o que elas fazem.

Atualmente, conforme a humanidade vai se tornando cada vez mais estranha, um crescente número de cientistas alerta para aquilo que talvez possa constituir, num futuro breve, o acontecimento mais bizarro da história humana: o ataque da falsa bandeira cósmica, quando a desmoralização dos governos os tornará tão desesperados por qualquer tipo de credibilidade, que no mundo inteiro, em conluio, encenarão a midiática farsa alienígena para finalmente alcançarem a total obediência, apoiada na histeria infindável de uma iminente invasão extraterrestre.

Aos líderes renitentes, contrários ao embuste planetário, será oferecido o cardápio de sempre: morte súbita, invasão, oposição política, intolerância religiosa, denúncias por crimes contra a economia, infortúnios aeroviários etc.

Para o leigo poderá soar incoerente que a profunda crise de confiança em que se encontram mergulhadas as instituições, assim como a falta de seriedade dos governantes, possa resultar em burla tão ousada quanto descabida. Contudo, ao olhar atento do iniciado bastará o exame.

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rápido de um certo conjunto de fatos ocorridos nos últimos decênios, além de alguma reflexão, para concluir que o estratagema não é novo, nem foi concebido como enredo para fins de entretenimento, porém urdido com a clara intenção de alcançar o controle total sobre a humanidade.

Tal evento, preconizam os especialistas, terá o concurso de uma variada combinação de avanços técnicos. Aviões invisíveis, robôs, projeções holográficas, Inteligência Artificial. Tudo isso, sem falar nos dispositivos previamente instalados nos telefones celulares, tablets, televisores e tudo o que se conecta com a Internet, só para medir as reações e com isso produzir a precisa análise das respostas provocadas pelo instinto de autopreservação.

Além disso, uma avalanche de hoaxes 1 , de falsos alarmes e boatos contará, é claro, com a pronta colaboração de certos setores da mídia, sempre cúmplices e há muito experientes na arte de elaborar notícias falsas para bombardear com propaganda mentes ingênuas e entorpecidas pelo medo. Estratégia que não há de causar nenhum espanto, posto que atualmente boa parte da humanidade já foi submetida por meio destes artifícios e alegremente engole tudo o que lhe despejam por cima.

A julgar pelo que se vê, lê ou escuta, a maioria das pessoas nem precisaria dos efeitos da alta tecnologia, dos robôs voadores e da sorrateira manipulação de imagens para sucumbir diante da farsa interplanetária. Surpreendida pelo descaramento e a ousadia dos donos do poder em tentar impingir tamanho absurdo, a multidão atônita irá simplesmente desejar o sonambulismo das memórias visuais fabricadas para melhor se ajustar à narrativa imposta pelo poder controlador.

1 Em inglês: engano, farsa – forma de trapacear, fazendo-se acreditar que uma afirmação enganosa é verdadeira. Geralmente por meio de declarações verificáveis, porém num contexto fantasioso, o hoax é uma forma de provocar boatos pela Internet para fins de apelo sentimental, dramático, emocionante ou assustador e, com isso, causar a credulidade.

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Convém destacar, todavia, que o controle mental da espécie humana não representa o único objetivo por trás da trama catastrófico- alarmista de origem interestelar. Este seria um motivo demasiado banal, além de dispendioso, para justificar tamanho esforço.

As superiores instâncias decisórias da humanidade – situadas compreensivelmente muito acima da burocracia dos estados – monitoram com atenção as condições de sustentabilidade da vida no planeta. Conhecem bem as consequências do consumo em alta escala; os perigos da emissão de gás carbônico, de poluentes e do desperdício de recursos.

Há muito observam os efeitos da desertificação dos oceanos e a extinção de espécies essenciais à renovação da vida. E estão bastante a par das causas da escassez de água potável que se avizinha célere.

Pesquisas 2 efetuadas a partir dos anos 1980 em diferentes regiões do globo confirmam que até 2050 cerca de 58% de todas as espécies conhecidas de animais selvagens (e igual parcela da diversidade botânica) estarão extintas 3 . Estima-se que a esse tempo o descarte de matéria plástica flutuando nos oceanos será, em toneladas, igual ou ligeiramente superior a quantidade de peixes. Em contrapartida, o esforço necessário para o indivíduo comum obter seu sustento diário terá triplicado.

Não é preciso muita reflexão para se antever o que nos aguarda nessa inescapável hipótese de futuro. Se nos próximos anos não ocorrerem mudanças significativas na relação dos seres humanos com seus processos de produção, consumo e regeneração – em setores como alimentação, vestuário, moradia, transporte, energia e água –, que resulte numa reversão radical do atual quadro de devastação ambiental, o 2 World Resource Institute, World Wildlife Foundation, Global Forest Watch, International Research Institute For Climate and Society.

3 Segundo dados oficiais da IUCN – International Union for Conservation of Nature and Natural Resources, nos últimos 400 anos foram extintas pelo homem 897 espécies, das quais 763 são animais. Contudo, a partir dos anos 1980 calcula-se que um mínimo de 2000 espécies, entre plantas e animais, venham desaparecendo do planeta a cada ano.

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previsível cenário em que a humanidade irá viver daqui a um punhado de décadas não é nada animador. As grandes corporações, as comunidades de inteligência, finanças, indústria armamentista e outros segmentos sêniores do Estado Profundo 4 – ou Governo Invisível, como preferem alguns – sempre souberam lidar com circunstâncias, digamos, dessa natureza. Escravidão, cruzadas, genocídios, revoluções, expurgos, pogroms 5 , duas guerras mundiais, o Holocausto, a Guerra Fria e a atual Idade do Terror são apenas alguns episódios capazes de ilustrar com razoável clareza o funcionamento minucioso desse eficiente mecanismo de ajuste populacional pulsando sob a epiderme das nações.

Agora, a encenação terá por pano de fundo o “Armagedon Extraterrestre”, quando a estrutura suprema de poder global irá promover o despovoamento de vastas regiões do planeta, causando a eliminação de aproximados dois terços da humanidade, algo em torno de cinco bilhões de almas. Tudo isto, sem falar na conquista final dos corações e das mentes dos cerca de dois bilhões e meio de indivíduos sobreviventes. Acredite se quiser, enquanto aguarda pelos próximos capítulos de O Alerta nas Crônicas da Existência Virtual.

4 Expressão utilizada no meio ufológico e por teóricos da conspiração para definir a influência de organizações paralelas ou infiltradas nos governos. 5 Nome dado à certas perseguições, pilhagens e assassinatos em massa cometidos com o acobertamento das autoridades, nos Séculos XIX e XX, contra minorias na Europa, em especial judeus e ciganos.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa/ Por Valério Azevedo

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