Dom Paulo Cezar (Crédito Sara Marques, Agência CLDF)
Ao receber o título de Cidadão Honorário de Brasília, o cardeal Dom Paulo Cezar Costa, Arcebispo da Capital da República, deixou uma reflexão que ultrapassa os limites da fé e alcança a política, a sociedade e as instituições. Inspirado nos ensinamentos do Papa Francisco, lembrou que o diálogo só existe quando as pessoas aceitam ouvir umas às outras.
Para o arcebispo, a ideologia é o maior inimigo desse processo, pois oferece uma visão parcial da realidade e alimenta radicalismos.
Francisco costumava dizer que ninguém deve ser descartado, e que até quem erra tem algo a oferecer. Em tempos de polarização e intolerância, Brasília ouviu uma mensagem que merece ecoar muito além da Catedral.
O exemplo que vem de Brasília
Dom Paulo destacou que muitos avanços obtidos pela Igreja Católica no DF, nasceram do diálogo com o Governo do Distrito Federal e com diferentes setores da sociedade. A recuperação da Catedral, projetos sociais, iniciativas voltadas à população em situação de rua e ações de acolhimento aos mais vulneráveis são exemplos concretos dessa convivência respeitosa entre Estado e instituições religiosas.
Ensinamentos do Papa Francisco
A lição é inspirada no pensamento do Papa Francisco: “construir pontes é mais produtivo do que erguer muros. Quando interesses coletivos prevalecem sobre disputas ideológicas, surgem resultados capazes de beneficiar milhares de pessoas. Brasília oferece um exemplo que poderia inspirar outras regiões do país”.
Congresso precisa ouvir Dom Paulo
A fala de Dom Paulo também serve como alerta para a política nacional. Enquanto o arcebispo prega diálogo, escuta e construção coletiva, parte do debate público brasileiro segue dominada por agressões, fake news e confrontos permanentes.
Mais diálogo e menos torcidas da polarização
O plenário do Congresso, muitas vezes, parece mais uma arena do que uma casa de representação democrática. O Papa Francisco ensinou que o diálogo parte do reconhecimento da dignidade do outro. Sem isso, resta apenas o conflito.
Como já observamos na coluna Repórter Brasília, algumas sessões transmitidas ao vivo parecem espetáculos sem regras. Talvez esteja na hora de muitos políticos ouvirem mais Dom Paulo e menos as torcidas organizadas da polarização.
Atenção básica como prioridade
O deputado federal Osmar Terra (PL-RS) defende a PEC 9/2025, que cria uma carreira nacional para profissionais da atenção básica. Médico e ex-secretário de Saúde do RS, ele afirma “que os postos de saúde precisam resolver até 85% dos atendimentos para evitar a superlotação de emergências, UPAs e hospitais”.
Primeira infância é investimento
Para Osmar Terra, “investir na primeira infância é uma das políticas públicas mais eficazes para reduzir desigualdades”.
Idealizador de programas como o da Primeira Infância Melhor, e o Criança Feliz, ele defende o acompanhamento das crianças vulneráveis desde os primeiros anos como estratégia para promover saúde, desenvolvimento e oportunidades futuras.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa