Deputado Jorge Vianna avalia saída do PSD, cobra execução de leis e reafirma alinhamento com o governo Ibaneis

Deputado Distrital Jorge Vianna (Crédito: Edgar Lisboa)

Por Edgar Lisboa

O deputado distrital Jorge Vianna confirmou que deve deixar o PSD e já conversa com outras legendas com vistas ao processo eleitoral de 2026. Segundo o parlamentar, a escolha do novo partido será guiada por dois critérios principais: afinidade política e alinhamento com o projeto de governo atualmente em curso no Distrito Federal.

Vianna afirmou que busca uma legenda que esteja em sintonia com a gestão do governador Ibaneis Rocha, além de ter perfil político semelhante ao seu. Entre as siglas avaliadas estão PP, Republicanos, União Brasil e MDB.

“São partidos que, na minha avaliação, têm relação com a minha pegada política. Eu não posso ir para um partido que não tem uma linha que combine com a forma como atuo”, afirmou o deputado.

Ele também destacou que pretende continuar integrando o campo político que sustenta o atual governo no Distrito Federal. “Eu estou num projeto político com o governo. E quando falo governo, não é apenas o governador. São as secretarias, as equipes e toda uma estrutura que trabalhou muito nesses últimos anos”, afirmou.

Projetos apresentados e leis sancionadas

No café da manhã, na sala das Comissões da Câmara Legislativa, deputado Jorge Vianna fez um balanço aos jornalistas. Na foto de Wlyana Melo, Josiel Ferreira, Edgar Lisboa e Solano Reis.

Ao fazer um balanço da sua atuação parlamentar, Jorge Vianna destacou projetos que considera relevantes, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e proteção às mulheres.

Entre as iniciativas que mais destaca está uma lei de sua autoria voltada ao combate à violência contra a mulher. A norma prevê a divulgação, em plataforma oficial do governo, de informações sobre agressores com histórico de violência, permitindo que qualquer pessoa possa consultar dados antes de iniciar um relacionamento.

Segundo o parlamentar, apesar de já ter sido sancionada pelo governador Ibaneis Rocha, a lei ainda não foi implementada pelas secretarias responsáveis.

“Essa lei permite que a mulher pesquise o nome da pessoa com quem está se relacionando e verifique se ela possui processos ou condenações por violência. É uma ferramenta importante de prevenção. Para mim, é uma das leis mais importantes que já apresentei”, disse.

O deputado criticou a demora na execução da norma e atribuiu a situação à falta de iniciativa administrativa. “Infelizmente, até hoje ela não foi implementada. Temos Secretaria da Mulher, Secretaria de Justiça, Secretaria de Segurança Pública, Secretaria da Juventude, e nenhuma delas colocou a lei em funcionamento”, afirmou.

Ele acrescentou que a proposta chegou a sofrer veto inicial, posteriormente derrubado pela Câmara Legislativa, antes de ser sancionada pelo governador. “Foi vetada, o veto foi derrubado e depois sancionada. Portanto, é uma lei válida e que precisa ser colocada em prática, ainda mais num momento em que o Distrito Federal registra tantos casos de violência contra a mulher”, reforçou.

Segurança nas unidades de saúde

Outro projeto destacado por Jorge Vianna trata da segurança nas unidades de saúde do Distrito Federal. A proposta estabelece a presença de segurança privada nas unidades para proteger pacientes e profissionais.

Segundo o parlamentar, a lei também já foi sancionada, mas igualmente ainda não saiu do papel. “Não se trata de vigilante patrimonial. É segurança privada preparada para lidar com situações de conflito e agressões. A ideia é proteger tanto os trabalhadores quanto os pacientes”, explicou.

Ele criticou o fato de projetos aprovados e sancionados não serem implementados. “Não adianta ficar produzindo leis se o próprio Estado não executa. Por isso estou cobrando do governo que essas normas saiam do papel”, afirmou.

Saúde pública e novas contratações

Durante a entrevista, Jorge Vianna também comentou o anúncio recente do governo do Distrito Federal sobre a contratação de novos servidores para a área da saúde.

Segundo ele, a nomeação de cerca de 1.100 profissionais representa um avanço importante, embora ainda insuficiente diante das demandas do sistema.

“O próprio governador reconhece que a saúde ainda precisa melhorar. Essa nomeação já é uma grande ajuda, especialmente num momento de dificuldades financeiras”, disse.

Ano da Saúde

Vianna afirmou que, em conversa com Ibaneis Rocha no final do ano passado, defendeu que 2026 seja marcado por investimentos mais robustos na saúde pública. “Eu disse ao governador que, depois de tantos avanços em segurança pública e nas obras da cidade, este deveria ser o ano da saúde. E ele já deu uma sinalização importante com essas nomeações”, explicou.

Para o deputado, o principal problema do setor atualmente não é gestão, mas falta de recursos financeiros.

“Por mais que falem em gestão, o que falta mesmo é dinheiro. A saúde precisa de mais investimento. Falta algo em torno de dois bilhões de reais para que possamos dar o salto que a população espera”, avaliou.

Eleições de 2026 e escolha partidária

Sobre as eleições de 2026, Jorge Vianna afirmou que ainda analisa o melhor caminho partidário, mas reforçou que pretende permanecer no campo político alinhado ao atual governo. Segundo ele, a definição deve ocorrer até o prazo final da janela partidária. “É um processo dinâmico. Um partido pode ter um candidato hoje e amanhã não ter mais. Por isso estou conversando, analisando e procurando o melhor caminho”, afirmou.

Ele citou novamente as siglas que estão no radar: PP, Republicanos, União Brasil e MDB. “São partidos que têm relação com a minha forma de fazer política. Estou procurando uma legenda que me dê estrutura, tempo de televisão e que esteja na base do governo”, disse.

Disputa pelo Governo do DF

Questionado sobre a sucessão ao Palácio do Buriti, Jorge Vianna afirmou que apoia o projeto político liderado pelo atual governo e citou o nome da vice-governadora Celina Leão como uma das lideranças desse grupo.

Segundo ele, o Distrito Federal deverá ter três campos políticos na disputa. “Hoje vemos três projetos em Brasília. O projeto do atual governo, que tem apresentado resultados; um projeto da esquerda; e uma terceira via que tenta se reorganizar”, avaliou.

Para o parlamentar, sua posição está clara. “A minha via é a que está dando certo. É um projeto que trouxe avanços para a cidade e que eu pretendo continuar apoiando”, concluiu.

Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa