Luiz Carlos Busato (Crédito: Zeca Ribeiro, Câmara dos Deputados)
Brasília viveu nesta semana um daqueles momentos em que os acontecimentos parecem desconectados, mas acabam apontando para uma mesma direção.
Entre pesquisas eleitorais, disputas judiciais, embates entre governo e oposição, pressões do setor produtivo e discussões sobre o futuro da economia, a sucessão presidencial de 2026 começou a ganhar contornos mais concretos.
O principal sinal veio do encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mais do que ouvir pré-candidatos, os empresários deixaram claro que pretendem cobrar compromissos objetivos para temas como crescimento econômico, competitividade, infraestrutura, inovação, energia, crédito, segurança jurídica e redução do Custo Brasil.
Audiência pública antecipada
Na avaliação do deputado federal Luiz Carlos Busato (União-RS), “o encontro funcionou como uma espécie de audiência pública antecipada da eleição presidencial”.
Segundo ele, “a indústria deixou claro que não procura simpatia eleitoral, mas uma agenda de Estado capaz de responder aos desafios do crescimento econômico, da produtividade e da competitividade brasileira”.
Adversário simbólico
O parlamentar observa que cada presidenciável procurou identificar um adversário simbólico. “Flávio Bolsonaro mirou o STF, Romeu Zema o tamanho do Estado, e Ronaldo Caiado os juros e o Custo Brasil”, resume.
Para Busato, “o aspecto mais relevante do encontro foi o protagonismo da própria CNI. A entidade não quer apenas escolher um candidato, quer obrigar todos a responder quem tem um plano viável para crescer, industrializar e competir, sem quebrar as contas públicas”.
Cobrança por propostas concretas
O evento mostrou três discursos distintos dentro do campo da centro-direita. O senador Flávio Bolsonaro concentrou críticas ao Supremo Tribunal Federal e à insegurança jurídica. O governador Romeu Zema reforçou a defesa de reformas e da redução do tamanho do Estado. Já Ronaldo Caiado apostou na agenda da produção, do crédito e da competitividade.
A impressão deixada em Brasília foi clara: a fase dos slogans começa a dar lugar à cobrança por propostas concretas.
Menos desperdício, mais economia
O deputado federal e médico Osmar Terra (PL-RS) manifestou apoio ao projeto aprovado na Câmara que obriga farmácias a vender medicamentos na quantidade exata prescrita. Segundo ele, a medida reduz o desperdício, evita o descarte de remédios não utilizados e ajuda no orçamento das famílias. Terra destaca que a venda fracionada torna os tratamentos mais adequados à necessidade de cada paciente.
Plenário em ritmo reduzido na Câmara

Apesar da continuidade dos temas em pauta no Congresso Nacional, esta semana não houve votações. Os trabalhos entre os dias 22 e até hoje (sexta-feira, 26) foram concentrados em audiências públicas, seminários, sessões solenes e reuniões de comissões técnicas. O calendário legislativo foi impactado também pelas festas juninas e pelo jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa