Bandeiras do Mercosul (Crédito: Izaac Nóbrega/PR)
O Parlamento do Mercosul (Parlasul) celebrou, em sessão extraordinária realizada, no dia 15 de dezembro, os 20 anos do Protocolo Constitutivo que criou o órgão, em 15 de dezembro de 2005. A data marca não apenas uma trajetória institucional, mas um momento decisivo para o bloco sul-americano.
Um desafio concreto

Para o deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS), membro do Parlasul, a comemoração ocorre sob um desafio concreto e imediato: encerrar o ano com a assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, tratado negociado há mais de duas décadas e considerado estratégico para o futuro econômico da região.
Acordo pronto no Sul
Segundo Pompeo de Mattos, do lado do Mercosul o acordo está maduro. Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai já têm consenso sobre os termos negociados. “Está afinado, está definido. Para nós está muito certo”, afirma o parlamentar. O impasse histórico sempre esteve do lado europeu, marcado por resistências internas, especialmente de países como França e Itália, preocupados com a concorrência agrícola sul-americana. O acordo, portanto, deixou de ser uma questão técnica para se tornar um problema político dentro da própria União Europeia.
Trump e mudança de rota na Europa
Na avaliação do deputado, o cenário internacional mudou de forma abrupta e acabou jogando a favor do Mercosul. A postura protecionista do presidente norte-americano Donald Trump e a instabilidade que ela provoca, forçou a União Europeia a buscar alternativas comerciais. “Há males que vêm para bem”, resume Pompeo. Diante do risco de retração no comércio com os Estados Unidos, a Europa passou a olhar com mais atenção para outros mercados, e o Mercosul surge como uma alternativa viável, econômica e estratégica.
Oportunidade estratégica
O parlamentar destaca que o interesse europeu recai, sobretudo, sobre Brasil e Argentina, dois grandes mercados consumidores e produtores. Para a Europa, trata-se de preservar competitividade e diversificar parceiros. Para o Mercosul, é a chance de ampliar exportações, agregar valor à produção e acessar um dos mercados mais exigentes do mundo. “Nunca precisaram tanto do Mercosul como agora”, afirma Pompeo, observando que, antes, a União Europeia podia se dar ao luxo de adiar decisões. Hoje, a crise bate à porta.
Simbolismo político
A expectativa, segundo o deputado, é que o acordo possa ser assinado ainda este ano. Há indicação de uma data próxima, 20 de dezembro, e de um local simbólico: Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira. O gesto teria forte significado político e econômico. Para Pompeo de Mattos, fechar o acordo neste momento representaria não apenas um avanço comercial, mas a consolidação do Mercosul como ator relevante no cenário global, exatamente no ano em que o Parlasul completa duas décadas de existência.
Integração dos povos e países
“A integração se faz um pouco a cada dia e nós estamos fazendo a nossa parte. Já passaram 20 anos e nós estamos celebrando o avanço deste ano”, concluiu Pompeo de Mattos.
A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.
Edgar Lisboa