“Aqueles que não podem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”. (Frase atribuída ao espanhol George Santayana)

Uma curiosidade, que até pouco tempo atrás eu não sabia, é que o nome Venezuela se origina da comparação feita por Américo Vespúcio (de onde vem o termo “América”) com a cidade de Veneza, na Itália. Ao adentrar o território recém-descoberto, Vespúcio percebeu que as casas indígenas em palafitas (construídas sobre estacas na água) no Lago de Maracaibo eram semelhantes aos prédios alagados de Veneza e resolveu batizá-la de “Pequena Veneza” ou Venezziola, que foi adaptado para Venezuela.
Mais tarde (nas décadas de 1920 e 1930), veio o descobrimento das maiores reservas de petróleo do mundo e o país se tornou um dos lugares mais cobiçados pelos parasitas da indústria petrolífera estrangeira, que controlou a maior parte da exploração de petróleo na Venezuela por aproximadamente 60 a 70 anos, desde o início do século XX até a nacionalização completa em 1976.
A história registra que as palafitas de outrora foram atacadas e incendiadas pelos espanhóis, ainda no período de colonização, como forma de controlar as rebeliões deflagradas pelos nativos que não conseguiram resistir à dominação estrangeira.
Há poucos dias, vieram novos ataques estrangeiros, desta vez em forma de bombas e morteiros lançados sobre o território venezuelano durante a operação americana que culminou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa.
O que se pode depreender destes fatos é que os colonizadores de outrora perderam rapidamente o interesse pelas palafitas que deram nome à “Pequena Veneza”, mas os colonizadores de hoje jamais deixaram de cobiçar a enorme riqueza representada pelo ouro negro que emerge das profundezas do solo venezuelano. Nas duas ocasiões, os parasitas estrangeiros sobrepujaram a força e os interesses de um povo que, apesar de ser histórica e economicamente rico, não detém o direito de desfrutar plenamente dos benefícios de sua própria riqueza.
É triste e lamentável, mas não deixa de ser curioso que os horrores do passado continuam a ser repetidos, sem a menor parcimônia, em pleno século XXI.
Peniel Pacheco é ex-deputado distrital, professor de teologia, mestre em ciências da educação e especialista em docência no ensino superior.