Segurança em xeque

Pompeo de Mattos (Crédito: Vinícius Loures/ Câmara dos Deputados)

Presídios viram “pós-graduação do crime” e Estados precisam reagir, afirmou o deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS). A segurança pública no Brasil enfrenta um colapso silencioso e contínuo. Enquanto o país assiste a um aumento na sofisticação e ousadia das facções criminosas, que atuam dentro e fora dos presídios, o debate político ainda gira em torno de competências, disputas institucionais e entraves federativos.

Sobrevivência do Estado

A proposta de emenda constitucional relatada pelo deputado Mendonça Filho (União/PE), enviada pelo governo federal, tenta colocar ordem nesse cenário ao fortalecer o papel da União no Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e no sistema penitenciário. Mas o desafio vai muito além das normas constitucionais: é uma questão de sobrevivência do Estado diante do avanço do crime organizado.

Crime tomou conta dos presídios

Ilustração, Edgar Lisboa, com recursos IA.

O deputado Pompeo de Mattos, líder do partido na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), alertou que os presídios brasileiros se transformaram em verdadeiras “faculdades da criminalidade”. Facções como o PCC, Comando Vermelho, Família do Norte, Guardiões do Estado, Os Manos, Bonde dos 13, PGC e Trem Bala não apenas dominam o sistema carcerário, mas operam como multinacionais do crime, com ramificações em vários estados e conexões internacionais.

Bandidos tomaram conta

“A situação está insustentável”, disse o parlamentar à coluna Repórter Brasília. “Os bandidos tomaram conta. Agora, já estão virando multinacional”. O diagnóstico é direto e inegável: as penitenciárias brasileiras não apenas falharam em sua função de ressocialização, mas se tornaram centros de formação e comando do crime organizado.

Oportunidade de debate sério

Pompeo de Mattos faz um apelo claro: “é hora de o Congresso assumir seu papel. A última palavra é dos congressistas. Não tem por que ter preconceito contra a proposta. É hora de fazer o dever de casa”. Para ele, votar contra a admissibilidade da PEC é “votar contra o Parlamento debater o tema”, o que classifica como “um absurdo”.

Discutir segurança com profundidade

A proposta não resolve todos os problemas, mas cria uma chance de ouro para que o Brasil discuta segurança pública com profundidade, incluindo o papel dos estados, a gestão prisional e a coordenação nacional. Segundo Pompeo, o texto deve ser discutido em comissão nos próximos meses e pode ser avaliado até o fim do ano. A estimativa do parlamentar é que a admissibilidade seja aprovada na CCJ por 38 votos a 22, sinal verde para que o debate ganhe fôlego no Congresso.

Preservar o federalismo

Mendonça Filho (Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil)

O relator Mendonça Filho acerta ao preservar a autonomia dos estados. A proposta original do governo federal sofreu modificações para respeitar o pacto federativo e impedir uma centralização excessiva. É necessário reforçar o papel da União, sim, mas sem engessar os entes estaduais, que vivem na linha de frente da guerra contra o crime.

Não sufocar os Estados

A proposta busca equilíbrio: fortalecer a União sem sufocar os estados. Afinal, o combate à criminalidade exige cooperação plena entre os entes federados, compartilhamento de inteligência, coordenação estratégica e investimento consistente.

Brasil não pode perder essa batalha

A afirmação de Pompeo de Mattos de que os presídios viraram “pós-graduação do crime” é mais do que uma metáfora retórica. É um alerta urgente. Se o Estado continuar permitindo que o sistema penitenciário seja dominado por facções, o crime seguirá ditando regras dentro e fora das celas. É preciso enfrentar a realidade com coragem legislativa, articulação política e investimentos estruturais.

Política penal robusta

A PEC da Segurança Pública é apenas o início. O país precisa de uma política penal robusta, que combine repressão qualificada, inteligência policial, controle efetivo dos presídios e uma reforma profunda no modelo de gestão carcerária.

Não há mais tempo para omissão. A segurança pública clama por um novo pacto nacional. E é no Congresso que esse pacto precisa começar a ser construído.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa