Por Edgar Lisboa – Portal Repórter Brasília

O deputado Sanderson (PL/RS) fez um duro pronunciamento na tribuna da Câmara ao comentar o depoimento do ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o desvio de recursos da Previdência. A sessão, que se estendeu por mais de dez horas, das 16h até as 3h da madrugada, foi marcada por tensões, contradições e acusações de blindagem política e judicial.
“Assalto aos aposentados”
Sanderson classificou o episódio como um “roubo bilionário”, um verdadeiro “assalto aos aposentados e pensionistas do Brasil”. Segundo o parlamentar, o ex-presidente do INSS teria adotado uma postura de confronto com a comissão.
“No início dos trabalhos, ele afirmou que ficaria calado, amparado por um habeas corpus do STF. Nem a data de ingresso no serviço público quis revelar. Isso é má-fé. Ele estava ali como testemunha, tinha obrigação de dizer a verdade”, criticou.
Pedido de prisão e acusações de mentira
O deputado relatou que chegou a solicitar a prisão em flagrante do ex-dirigente, alegando desrespeito à condição de testemunha.“Ele mentiu do início ao fim. Das 16h às 3h da manhã, mentiu de forma descarada. E ainda foi desrespeitoso com parlamentares e senadores, chegando a colocar o dedo na cara do relator Alfredo Gaspar. Eu nunca tinha visto isso numa CPI”, afirmou Sanderson, visivelmente indignado.
Crítica ao STF e “blindagem política”
O parlamentar gaúcho foi além, ao acusar o Supremo Tribunal Federal e o governo federal de blindarem os investigados. “Eles sabem que nada vai acontecer. São habeas corpus em sequência, todos concedidos para permitir que esses bilandras permaneçam calados ou mintam na CPMI. O povo brasileiro está sendo tratado como otário”, disparou.
Sanderson alertou que o relatório final da CPMI corre o risco de ser esvaziado
“A blindagem é tamanha que, se houver relatório, é provável que seja derrotado. Meia dúzia de deputados governistas ficaram dez horas blindando esse senhor, que dizia nada saber sobre o desvio de R$ 6 bilhões. Se o presidente do INSS, que tinha caneta e senha, não sabe, quem sabe então?”, questionou.
“Vai acabar em pizza”
Para o deputado, o caso representa mais um episódio de impunidade institucionalizada. “O povo brasileiro precisa ficar atento. Esse roubo ao INSS, muito provavelmente, vai acabar em pizza. Todos estão blindados pelo sistema, pelo governo e, infelizmente, também pelo STF”, concluiu Sanderson.
Desgaste entre Poderes
O discurso do deputado Sanderson reforça a crescente tensão entre o Legislativo e o Judiciário, especialmente diante de investigações envolvendo altos servidores. Ao associar a suposta “blindagem” à conivência institucional, o parlamentar eleva o tom da crítica política e ecoa o sentimento de desconfiança de parte do Congresso sobre a efetividade das CPIs. O episódio revela não apenas a disputa por narrativas, mas também o desgaste entre poderes, tema que promete ganhar novos capítulos nos próximos dias.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa