Quando a política vira espetáculo

Marcon e Osmar Terra: discursos inflamados (Crédito: Kayo Magalhães, Câmara dos Deputados)

Brasília viveu mais uma semana de grandes emoções. No Congresso Nacional, o clima de tensão política voltou a dominar o plenário. A polarização entre bolsonaristas e lulistas, que parecia ter dado uma trégua, reapareceu com força. O resultado foi um festival de discursos inflamados, ironias e acusações, mais parecendo um duelo de palanques do que uma sessão parlamentar.

Plenário em chamas

O deputado Osmar Terra (PL/RS), ex-ministro de Bolsonaro, abriu o fogo ao afirmar que o Congresso sofreu “uma enorme humilhação” por parte do presidente Lula. Em tom exaltado, disse que o atual governo é “o pior deste século, um governo que gasta como se não houvesse amanhã e afunda o país numa dívida trilionária”. A fala provocou reações imediatas.

Marcon contra-ataca

O também gaúcho Marcon (PT/RS) respondeu com dureza: “Foi no governo do ex-ministro que o Brasil voltou ao mapa da fome. Lula está tirando o país do isolamento, gerando empregos e recuperando a economia”. E ainda ironizou: “Talvez ele devesse estar junto com o filho do Bolsonaro nos Estados Unidos”.

Serenidade no debate

Na tentativa de devolver serenidade ao debate, o deputado Helder Salomão (PT/ES) criticou o que chamou de “baixo nível” das discussões. “Há parlamentares que fazem lacração para a internet e xingamentos que envergonham esta Casa. Se quisermos resgatar a credibilidade do Parlamento, precisamos parar com o espetáculo e voltar a discutir o que interessa ao povo brasileiro”, alertou.

Palco político continua aceso

Ilustração, Edgar Lisboa, com recursos de IA

O episódio mostra que, em Brasília, o palco político continua aceso, mas o roteiro é cada vez mais pobre. Entre ofensas e aplausos, a tribuna se transformou num campo de batalha onde o que menos se ouve é o interesse do cidadão. E o povo, de fora, assiste a tudo, esperando que um dia o debate volte a ser sobre o Brasil e não sobre quem grita mais alto.

A dura realidade no campo gaúcho

O deputado Heitor Schuch (PSB/RS) voltou a alertar o país para a crise silenciosa que castiga o produtor rural do Rio Grande do Sul. Depois de sucessivas estiagens, agricultores enfrentam agora um novo drama: a falta de insumos para o plantio. Fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas tornaram-se escassos e, em muitos casos, inacessíveis. Com crédito bloqueado e CPF negativado, milhares de produtores devolvem áreas arrendadas e reduzem drasticamente suas atividades. “O produtor é bom para o banco quando compra consórcio, seguro e título de capitalização”, lamentou Schuch.

O risco de faltar comida

A advertência do parlamentar ecoa num momento crucial, em que o Brasil tenta, sob o governo Lula  consolidar a saída do mapa da fome. Mas, se o produtor continuar sem apoio, o país corre o risco de produzir menos alimentos, com reflexos diretos nos preços e na mesa do brasileiro. “Se hoje a comida está barata, amanhã ela faltará”, alertou Schuch, lembrando que sem políticas públicas e crédito rural, a soberania alimentar fica ameaçada.

O apelo por dignidade e políticas efetivas

Heitor Schuch defende um pacto nacional em favor do campo, com assistência técnica, extensão rural e linhas de crédito emergenciais. “Quem planta comida e sustenta a economia merece respeito e dignidade”, afirmou. Para ele, “o abandono do agricultor é um erro que o Brasil não pode repetir. “Sem o produtor, não há comida, nem economia forte”.

Transporte escolar rural

A Câmara aprovou projeto do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS) que autoriza professores a acompanharem alunos no transporte escolar rural. A proposta corrige uma proibição absurda, que impedia o docente de embarcar mesmo com lugares vagos. Pompeo, que estudou em escola rural e criou o transporte como prefeito, defende a medida como justa e pedagógica. O projeto, elogiado por parlamentares, seguiu para o Senado e deve virar lei.

Câmara de Vereadores de Porto Alegre

O deputado Marcel Van Hattem registrou na sessão plenária de quarta-feira (15) um episódio ocorrido na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, que ele classificou de “absurdo, com manifestantes de esquerda promovendo enorme confusão. Inclusive,

nosso vereador do Partido Novo, Matheus Schilling, sendo atingido por objetos jogados das galerias, por pessoas, aliás, que invadiram aquele espaço que estava justamente controlado pelo excesso de manifestantes que lá estavam”.

Hipocrisia da esquerda

Para o parlamentar do Novo “ir lá manifestar, falar coisa do projeto é natural. Agora, invadir, é uma hipocrisia da esquerda que fala do 8 de janeiro, fala de manifestações antidemocráticas, mas quando podem, usam da violência, usam do atrito, como fizeram lá em Porto Alegre no dia de hoje”.

Repúdio a ação violenta

“Eu quero aqui repudiar essa ação violenta dos manifestantes de esquerda vinculados ao PT, PSOL e outros partidos políticos que só querem atrasar Porto Alegre”, disparou Van Hattem.

Vereadores continuam trabalhando

“Apesar de toda violência que assistimos no dia de hoje os vereadores do Partido Novo continuam desenvolvendo seu trabalho, como o vereador Matheus Schilling, que assumiu mandato no lugar do vereador Ramiro Rosário, o vereador Thiago Albrecht, que estão trabalhando pela concessão do Demar e por outros temas importantíssimos pelo bem da população de Porto Alegre”.

A Coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comercio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul.

Edgar Lisboa