
A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que passou a cumprir pena de 27 anos e 3 meses após o trânsito em julgado da condenação por tentativa de golpe de Estado, repercutiu fortemente no Plenário da Câmara nesta terça-feira (25).
Enquanto parlamentares governistas celebraram o que chamam de “vitória da democracia” e defesa do Estado de Direito, deputados da oposição classificaram o caso como “perseguição política”, “ditadura da toga” e “golpe institucional promovido pelo STF”.

Bolsonaro cumpre pena em regime fechado na Polícia Federal em Brasília, após dias antes ter sido preso preventivamente por violar a tornozeleira eletrônica e, segundo o STF, apresentar risco de fuga.
Governistas defendem Justiça, PF e condenação
Bohn Gass (PT/RS): “Radicalização da extrema direita é pânico”

O petista afirmou que a decisão do STF reforça o papel das instituições e elogiou o trabalho da Polícia Federal, citando operações como Carbono Oculto e a investigação contra o Banco Master.
Disse que a PF só funciona plenamente porque “não recebe telefonema de presidente para proteger filho de amigo” e criticou a PEC da Blindagem e mudanças feitas pela oposição no PL Antifacção.
Apontou ainda que há deputados da extrema direita “foragidos” e questionou:
“Até quando Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Ramagem continuarão sendo sustentados pelo povo brasileiro e foragidos no Brasil?”
Concluiu afirmando que o endurecimento da PF sobre “crime do morro e dos colarinhos brancos” explica a reação da extrema direita, que, segundo ele, age para promover impunidade.
Bibo Nunes (PL/RS): “Condenação de um inocente”
O deputado classificou o processo como “kafkiano e inquisitório”.
Afirmou que Bolsonaro é vítima de perseguição e que a história revelará isso.
E concluiu:
“Vem aí a anistia com muita força!”
Fernanda Melchionna (Psol/RS): “É um dia histórico e de justiça”

A deputada disse não gastar tempo explicando “que não era vigília, mas trama de fuga”, pois “o povo já sabe”. Para ela, a prisão de Bolsonaro e de generais é marco na história democrática.
Lembrou o assassinato de Vladimir Herzog e celebrou a primeira condenação de altos oficiais militares por tentativa de golpe.
“Eles foram julgados pela tentativa de golpe, e é uma vitória enorme das resistências democráticas.”
Também alertou contra a pauta da anistia e lembrou que milhares de mulheres negras estavam em Brasília no mesmo dia, defendendo democracia e direitos.
Orlando Silva (PCdoB/SP): “Ninguém está acima da lei”
Orlando Silva destacou que o STF aplicou tipos penais aprovados pela própria Câmara em 2021, referentes aos crimes contra o Estado Democrático.
Classificou o processo como exemplo de “amplo direito de defesa, contraditório e provas robustas”.
Ele rebateu o argumento de que não houve golpe:
“Se golpe tivesse havido, não estaríamos aqui. A tentativa é crime, e deve descer sobre ela a força da lei.”
Aplaudiu o STF por condenar Bolsonaro e ex-ministros militares.
Chico Alencar (Psol/RJ): “Primeira vez que generais cumprem pena”

Para o deputado, o dia é histórico porque Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira foram presos após o devido processo legal.
“É um passo adiante para a democracia brasileira”, disse.
Oposição fala em perseguição, abuso do STF e anistia
Marcel van Hattem (Novo/RS): “Golpe é o do STF”
O líder do Novo disse que há um golpe “consumado pelo Supremo”, que estaria prendendo “inocentes perseguidos”.
Defendeu a votação urgente do PL 2162/23, que concede anistia aos participantes dos atos de 8 de janeiro.
“Esta Casa precisa virar essa página.”
Capitão Alberto Neto (PL-AM): “Ditadura da toga”
Para o deputado, a prisão de Bolsonaro demonstra que o Brasil vive sob “regime totalitário” imposto pelo STF.
Segundo ele, trata-se de uma “ditadura da toga” que atropela a Constituição.
Cabo Gilberto Silva (PL-PB): “Estado de exceção”
O vice-líder da oposição afirmou que Bolsonaro é “preso político” e que o país vive um estado de exceção comandado pela Corte.
Acusou o STF de rasgar a Constituição e disse que a trama visa “vencer eleições e colocar Bolsonaro na cadeia”
.Maria do Rosário: “Aqueles que tentam rasgar a Constituição não receberão leniência…”
A deputada Maria do Rosário (PT/RS) afirmou que o Brasil conclui uma etapa importante da construção democrática com a prisão dos condenados por liderar o golpe de Estado. “O Brasil oferece um símbolo de que aqueles que tentam rasgar a Constituição, atacar as instituições e a Nação brasileira não receberão a leniência e o apoio das instituições e do Brasil”, disse a parlamentar.
Pr. Marco Feliciano (PL-SP): “Processo injusto e rápido”
O pastor e deputado criticou a velocidade do julgamento e declarou:
“Nunca houve processo tão injusto e tão rápido no STF.” Afirmou que Bolsonaro nunca esteve envolvido “com escândalos ou mensalões” e que foi “sacrificado aos poucos”.
Sargento Gonçalves (PL-RN): “Judiciário virou arma política”
Para ele, o Judiciário estaria sendo usado como instrumento de perseguição, citando deputados que, segundo ele, “precisam se autoexilar”.
Criticou o ministro Alexandre de Moraes:
“Um único ministro tira leis da cabeça e ignora a Constituição.”
Debate continua: Justiça x perseguição; democracia x impunidade
A Câmara viveu um dos debates mais tensos desde os atos de 8 de janeiro.
De um lado, governistas afirmam que o país dá um passo decisivo na defesa do Estado Democrático de Direito.
De outro, a oposição afirma que Bolsonaro é vítima de um sistema judicial politizado.
Acesse o vídeo e assista a íntegra dos debatesm desta terça-feira (25)
O tema deve continuar mobilizando o Parlamento, especialmente com a pressão crescente para votação do PL da Anistia, defendido pela oposição e criticado pela base governista.
Portal Repórter Brasília, Edgar Lisboa com Agência Câmara